Há quem sonhe com grandes palcos desde criança. Para Os Garotin, porém, o tamanho do palco nunca foi exatamente o que definiu o sonho. Em entrevista à EntreRios, Cupertino lembra que ele, Léo Guima e Anchietx sempre imaginaram “coisas grandes”, mas que a experiência de construir uma carreira na música transformou essa expectativa. O que antes era a fantasia de tocar para multidões deu lugar a algo mais essencial que é viver de música, seja diante de milhares de pessoas ou de um público de 500 espectadores. A chegada ao Rock in Rio 2026, portanto, aparece como uma conquista que ainda surpreende o próprio trio. “Tem sido mais”, resume Cupertino ao falar sobre uma trajetória que, segundo ele, acabou ultrapassando aquilo que os três imaginavam.

Cupertino de “Os Garotin”. Crédito: Pedro Miceli
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Essa história tem um endereço muito claro: São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro. A cidade não está apenas na biografia dos integrantes, mas no próprio DNA do projeto. Cupertino conta que viveu em São Gonçalo até os 29 anos e que o nome original do grupo era Os Garotinhos de São Gonçalo. O nome acabou sendo encurtado, mas permaneceu no primeiro álbum, Os Garotin de São Gonçalo, lançado em 2024. A escolha ganhou um significado maior do que o trio poderia prever. Depois do sucesso do disco, que recebeu o Grammy Latino de Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa, a obra passou a funcionar também como uma espécie de cartão de identidade cultural da cidade.
“O projeto dos Garotinhos de São Gonçalo é muito maior do que a nossa música”, afirma Cupertino, ao reconhecer a responsabilidade de representar um território e uma comunidade.
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Os Garotin lança em breve um feat com Glória Groove. Crédito: Divulgação
Musicalmente, Os Garotin constroem essa identidade a partir do encontro entre diferentes gerações e linguagens. O trio mistura R&B, soul e pop com ritmos brasileiros, em uma sonoridade que dialoga com referências como Djavan, Tim Maia e Cassiano. Mas existe também uma dimensão simbólica nesses encontros. Cupertino recorda as noites na casa de Caetano Veloso como momentos decisivos para a trajetória do grupo.
Em uma das ocasiões, depois de cantar diante de nomes como Pretinho da Serrinha e Xande de Pilares, os três voltaram à casa de Caetano e apresentaram músicas como Pouco a Pouco e Nossa Resenha. Na volta para casa, Léo Guima teria resumido a experiência como uma noite que eles nunca esqueceriam. Para Cupertino, aquele encontro acabou se tornando um divisor de águas.

Os Garotin no Palco Sunset do Rock in Rio 2026. Crédito: Lyz
A relação com Caetano também revelou ao trio algo que vai além da admiração por um ídolo. Cupertino fala sobre a possibilidade de enxergar a humanidade por trás de uma figura tão importante da cultura brasileira e, ao mesmo tempo, perceber que toda a história da música do país está ali. É uma imagem que ajuda a entender a própria proposta de Os Garotin.
Na conversa, Cupertino também celebra a importância de artistas contemporâneos como Gloria Groove, confirmando que os dois estão preparando uma colaboração musical. Segundo ele, a música foi inspirada pelo primeiro álbum do grupo, e a reação do trio foi imediata quando ouviu a composição. A parceria ainda guarda detalhes em segredo, mas a revelação mostra como a música deles começa a reverberar entre diferentes nomes e vertentes da cena brasileira contemporânea.
Depois da estreia no Rock in Rio 2026, no Rio de Janeiro, onde o trio se apresentou no Palco Sunset, Os Garotin seguem para a Europa levando uma versão mais extensa do espetáculo. Cupertino explica que, enquanto o festival exige um repertório mais curto e escolhas precisas, a turnê europeia permitirá explorar uma quantidade muito maior de músicas. O grupo chega a Portugal com uma produção pensada para o encontro próximo com o público e com a promessa de percorrer uma trajetória que já soma mais de 40 canções entre trabalhos em grupo, EPs solo e projetos conjuntos.

“Os Garotin” no Porto e em Lisboa. Crédito: Divulgação
Os shows acontecem na Casa da Música, no Porto, na quinta (24), e no Lisboa ao Vivo, em Lisboa, na sexta (25). Para Cupertino, a ideia é aproveitar a oportunidade para apresentar ao público europeu o máximo possível do universo musical construído pelo grupo. Ainda há bilhetes!
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Jordan Alves