“Para mim, o que os outros pensam a meu respeito é de uma importância tão absoluta quanto a cor do tapete que não pretendo comprar”. A frase é atribuída ao escritor, filósofo e jornalista russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881). Tão antiga quanto atual, ela expressa um saudável desapego à aprovação de pessoas que não têm importância na nossa vida real.
Há uma diferença enorme entre ouvir opiniões e viver em função de formatos sociais. Conselhos podem ser preciosos. Críticas podem nos fazer crescer. O problema começa quando qualquer julgamento é transformado em sentença. Vale mais a nossa própria consciência do que o dedo acusador de quem não cria, produz, empreende, arrisca.
Especialmente, quando é apontado por pessoas que não conhecem os caminhos que percorremos para chegar até aqui. Não sabem da nossa história e observam apenas o resultado, sem conhecer o preço. É claro que ninguém é tão autossuficiente que não precise ouvir. O amadurecimento está, justamente, em identificar quem merece ser ouvido.
Há críticas que devemos considerar e outras que podem ser devolvidas ao lugar de onde vieram, porque não nos dizem respeito. A frase atribuída a Dostoiévski sequer tem sua assinatura comprovada. Circula pelo mundo e atravessa gerações porque encontra lugar dentro de nós. E, mesmo sem uma autoria definitiva, continua dizendo muito. Afinal, se você não pretende comprar um tapete, por que deveria perder tempo escolhendo a cor?
Na vida, é preciso fazer o mesmo. Algumas opiniões merecem escuta, reflexão e até mudança de rota. Outras, são apenas barulho, inveja. O desafio está em aprender a distinguir uma coisa da outra. Porque, no fim, quem não conhece a sua história não deveria se meter a sugerir a cor do seu tapete.
Esta matéria foi publicada originalmente na edição impressa da EntreRios, disponível mensalmente em bancas de Portugal. Faça a sua assinatura para ter acesso a conteúdos exclusivos e receber a revista em casa.
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Gabriela Lopes Siqueira