A startup baiana Just Travel, voltada à digitalização de pequenas agências de viagens, chegou a 290 milhões de reais em vendas ao longo de 2025 e planeja crescer 52,63%, alcançando faturamento superior a 62 milhões de reais em 2026. A ampliação dos negócios no exterior está no centro dos planos e, nesse movimento, Portugal se tornou uma base para alcançar alguns dos principais destinos turísticos do mundo, como França, Itália, Espanha e Reino Unido.

“Portugal é a nossa porta de entrada na Europa. O foco é menos o mercado português e mais as facilidades e os incentivos oferecidos, como o acordo bilateral com o Brasil, o programa de incentivo à inovação Portugal 2030, além do apoio da Apex, do Sebrae e da Unicorn Factory”, destaca Diego Rydz, sócio do negócio.

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A travel tech abriu uma filial em Lisboa em 2024, após participar do Web Summit Rio. Possui ainda sedes em Salvador, São Paulo, Orlando e Miami e tem utilizado a estrutura portuguesa para ampliar a rede de fornecedores e prospectar novas agências de viagens que podem se tornar clientes.

Na capital portuguesa, a operação é composta por Rydz e mais um colaborador, mas a expectativa é que, até 2027, a estrutura chegue a dez pessoas. Atualmente, possui 20 clientes ativos na Europa, que utilizam os serviços de forma recorrente, e a meta é superar 50 até o fim de 2027.

A Just Travel foi uma das dez escolhidas pelo Sebrae e pela Apex para uma iniciativa de nove meses de incubação nas sedes das entidades em Lisboa, com incentivos para missões, aproximação com investidores e planos de expansão internacional. Ela também participa do Scaling up, da Unicorn Factory, iniciativa que oferece um ano de capacitação e mentorias para networking, participação em programas de incentivo e captação de apoiadores.

Just Travel tem ampliado os contatos com fornecedores europeus após participações em programas da Unicorn Factory e do Sebrae. Crédito: Divulgação

Just Travel tem ampliado os contatos com fornecedores europeus após participações em programas da Unicorn Factory e do Sebrae. Crédito: Divulgação

“Os dois programas foram muito importantes e facilitaram muito os nossos contatos. Estamos negociando com a principal fornecedora de trens na Europa e nos aproximamos de grandes redes hoteleiras do continente. Nossa expectativa é que no Web Summit deste ano a gente consiga reuniões com investidores em um estágio mais avançado”, explica Rydz.

A internacionalização, no entanto, não começou com a abertura do escritório português. Desde os primeiros passos, o negócio precisou construir uma estrutura global para se conectar diretamente a fornecedores e conseguir melhores tarifas.

“A gente já nasceu internacional por conta da necessidade de conexão com a rede de parceiros. Sempre buscamos diminuir os intermediários para ter as melhores tarifas e por isso as bases nos Estados Unidos e na Europa são importantes”, explica o executivo.

A empresa também realiza trabalhos em conjunto com a Embratur para capacitar agentes de viagens a captar mais turistas internacionais. Em 2025, o Brasil bateu recorde, com mais de 9 milhões de visitantes. A Just Travel também atua para atender à demanda crescente de europeus interessados em viajar para o Brasil.

“A gente fez um trabalho para ajudar na digitalização dos pequenos empreendedores e das pequenas agências. E há uma busca cada vez maior de estrangeiros indo pro Brasil, principalmente buscando experiências fora dos grandes cartões postais, como indígenas e afroculturais, por exemplo”, detalha.

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Em um momento em que o turismo nos Estados Unidos tem sofrido turbulências, a companhia também tem verificado uma busca crescente de brasileiros pelo mercado europeu.

“Portugal tem sido um destino muito procurado e temos boas parcerias no país, vemos que há brasileiros por lá todos os dias. A Itália e a França não têm sazonalidade, têm procura o ano inteiro”, ressalta.

Como funciona a plataforma da Just Travel?

A Just Travel criou uma plataforma voltada principalmente para pequenas agências de viagens, permitindo que elas tenham uma operação digital própria por meio de um modelo white label, sem cobrança de taxa de implementação ou mensalidade. A receita vem do chamado success fee, baseado nas vendas realizadas.

A plataforma reúne produtos como ingressos para atrações, hotéis, aluguel de carros e seguros de viagem. São mais de 17 fornecedores de hospedagem conectados por API, com acesso a cerca de 700 mil hotéis no mundo. O primeiro módulo desenvolvido foi o de atrações e tickets, com produtos que incluem parques, estádios, eventos esportivos, shows e atrações turísticas.

A companhia também trabalha para ampliar o portfólio disponível, que inclui fornecedores de ingressos para grandes eventos esportivos e musicais. Há também  produtos relacionados à Copa do Mundo, à Fórmula 1, à Libertadores e a grandes shows internacionais.

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Hoje, são 125 colaboradores, mais de duas mil agências de viagens parceiras, 32 mil pedidos por ano e quase 100 mil pessoas impactadas anualmente.

A empresa já passou por uma rodada de aportes, quando captou mais de 7 milhões de reais por meio de um fundo. Agora, a Just Travel planeja uma captação em Série A até o primeiro trimestre de 2027, com o objetivo de levantar mais de 5 milhões de dólares para destinar a tecnologia, estrutura, vendas, marketing e expansão internacional.

renan@revistaentrerios.pt