Começaram nesta terça-feira (29) as aulas do cursinho gratuito de preparação para o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja), destinado a brasileiros que vivem no exterior e querem concluir os ensinos fundamental ou médio.
A prova é organizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em parceria com o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e os consulados brasileiros. Em 2026, o Encceja será realizado em 26 de novembro, mas as inscrições já foram encerradas.
O cursinho iniciado nesta semana já prepara os alunos para a edição de 2027. As aulas são realizadas de segunda a quarta-feira, das 19h às 21h45, na Universidade Lusófona, no Campo Grande, em Lisboa.
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A prova existe em Lisboa há 15 anos e, desde então, Rejane Lima coordena o cursinho voluntário que já ajudou a formar mais de 9,8 mil brasileiros. “Temos pessoas que viraram empreendedores, outros que estão em grandes empresas e ampliaram as suas oportunidades de atuação. Temos até mesmo um ex-aluno que se formou e se tornou professor na própria Universidade Lusófona. Há histórias lindas de superação”, relata à EntreRios.
A proposta é começar com uma carga horária reduzida, três dias por semana, para ampliar o número de alunos que podem se preparar para o exame. Novos participantes também podem entrar ao longo do ano e acompanhar as aulas. O curso aborda temas de história geral, língua portuguesa, atualidades e outras áreas do conhecimento. “É uma sala aberta, não é preciso fazer matrícula antecipadamente. É um espaço de acolhimento”, afirmou.
Para a coordenadora, o Encceja não é apenas um exame, mas uma maneira de oferecer a possibilidade de ingressar em cursos profissionalizantes, técnicos ou de ensino superior, de se preparar para concursos públicos e de abrir novas oportunidades na carreira e na vida.
“É isso que faz a gente ter tanta força para que o cursinho dê certo. Muitas pessoas estão fora de sala de aula há mais de 10 ou de 20 anos e quando vêm para esse ambiente eles podem realizar trocas de conhecimento, compartilhar experiências de vida e de se redescobrir como pessoa. Vai muito além de ensinar e da educação por si só”, destaca.
Dados do eleitorado brasileiro nas eleições de 2026 mostram que, dos 134 mil brasileiros aptos a votar em Portugal, mais de 33 mil não concluíram o ensino fundamental ou o ensino médio, o equivalente a quase 25% do total. O professor Wagner Aquino, que participa do projeto há oito anos e também colabora com a coordenação, comemora a atual fase do cursinho, que já passou por períodos de dificuldades, com estruturas improvisadas e aulas online durante a pandemia, até chegar às instalações de uma universidade europeia.
“É incrível ver a mudança que esse projeto faz e as oportunidades que ele oferece também para a comunidade brasileira. A realidade do imigrante aqui em Portugal mudou muito e buscamos trabalhar para atender essas novas necessidades”, aponta.
O professor universitário, escritor, palestrante e ex-executivo do Banco de Portugal, Jorge Rio Cardoso, iniciou a aula inaugural do cursinho nessa terça-feira e celebrou a iniciativa.

O professor Jorge Rio Cardoso no início das aulas para o encceja, em Lisboa. Crédito: Renan Araujo
“O grande erro é pensar que todos temos que ser engenheiros, médicos e advogados. Todos nós precisamos uns dos outros, todos têm a sua importância na sociedade e as pessoas devem agarrar as oportunidades de poder crescer. E quando digo crescer não se trata de ter um diploma, necessariamente, mas de ser melhor pessoa, ter mais competências, qualidades e de contribuir para a sociedade. É estar ali para somar e multiplicar e é isso que esse cursinho proporciona aos alunos”, exalta.
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O cursinho também busca parcerias para divulgação das aulas em associações e instituições de imigrantes e também está aberta a novos voluntários que queiram contribuir com a iniciativa. Os contatos podem ser feitos por meio do e-mail: enccejalisboa@gmail.com ou pelo WhatsApp (+351) 929 125 606
O Encceja existe há 24 anos e, desde 2011, também é realizado em cidades no exterior. Em 2025, 16 cidades sediaram os testes. Lisboa foi a cidade que mais recebeu participantes, com 369 inscritos, seguido por Nagoia, no Japão, com 117. Para participar é preciso ter no mínimo 15 anos para o ensino fundamental e 18 anos para o ensino médio. Para realizar a inscrição é necessário ter registro no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) emitido pela Receita Federal do Brasil.
renan@revistaentrerios.pt

Renan Araújo