O outono transforma algumas das florestas europeias em cenários particularmente procurados por quem viaja em busca de natureza e fotografia. Entre bosques cobertos por nevoeiro, árvores centenárias e paisagens moldadas pelo clima, há destinos que também podem ser explorados numa viagem de carro a partir de aeroportos relativamente próximos.

Um levantamento realizado pela Avis, que analisou 33 florestas europeias, cruzou dados como volume de pesquisas no Google, publicações no Instagram, idade estimada das árvores e distância até ao aeroporto mais próximo para identificar alguns dos destinos mais isolados e populares.

Entre os locais analisados estão cinco florestas que combinam características naturais pouco comuns com acessos adequados para uma viagem de carro.

Floresta do Fanal, Madeira

A Floresta do Fanal, na Madeira, integra a antiga floresta de Laurissilva da ilha e é frequentemente envolvida pelo nevoeiro, criando uma das paisagens naturais mais características do arquipélago. Crédito: Visit Madeira.

No noroeste da Madeira, no planalto do Paúl da Serra, a Floresta do Fanal é um dos exemplos mais conhecidos da floresta de Laurissilva da ilha. As árvores de formas irregulares, frequentemente envolvidas pelo nevoeiro, dão ao local uma aparência pouco comum.

O destino registou cerca de 14.800 pesquisas mensais e aproximadamente 35.200 publicações no Instagram, segundo os dados utilizados no levantamento.

O Fanal fica a cerca de 50 quilômetros do Aeroporto da Madeira, numa viagem de aproximadamente 1h15 de carro. Durante o período analisado para o outono, entre 23 de setembro e 31 de outubro, o nascer do sol ocorre por volta das 8h00 e o pôr do sol às 19h29. A chamada hora dourada da tarde estende-se aproximadamente entre as 18h57 e as 19h45.

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Parque Nacional de Garajonay, La Gomera

No Parque Nacional de Garajonay, em La Gomera, a Laurissilva sobrevive entre árvores centenárias, fetos e nevoeiros frequentes nas zonas mais elevadas da ilha. Crédito: Soy Eco Turista.

Na ilha espanhola de La Gomera, o Parque Nacional de Garajonay preserva cerca de 4.000 hectares de floresta de Laurissilva e integra a lista do Patrimônio Mundial da Unesco.

A altitude favorece a presença frequente de nuvens e nevoeiro, enquanto os fetos e os troncos cobertos de musgo contribuem para a paisagem característica do parque. Algumas das árvores de Laurissilva presentes na área podem atingir idades muito elevadas.

Garajonay soma cerca de 8.100 pesquisas mensais e 20 mil publicações no Instagram, de acordo com o estudo. O parque fica a aproximadamente 50 minutos de carro do Aeroporto de La Gomera. No outono, a hora dourada do final do dia situa-se, segundo os dados analisados, entre as 19h02 e as 19h48.

Floresta Primitiva de Perućica, Bósnia e Herzegovina

Uma das áreas florestais mais preservadas da Europa, Perućica mantém cerca de 1.400 hectares de vegetação natural e inclui a cascata de Skakavac. Crédito: Peakvisor.

Na Bósnia e Herzegovina, a Floresta Primitiva de Perućica é um dos espaços florestais mais preservados do continente europeu. A área, com cerca de 1.400 hectares, mantém uma elevada diversidade de espécies e inclui árvores de grande porte e áreas praticamente intocadas.

Entre os pontos de interesse está a cascata de Skakavac, uma das referências naturais da região.

O isolamento também se reflete nos números de procura: Perućica apresenta cerca de 480 pesquisas mensais e aproximadamente mil publicações no Instagram, valores significativamente inferiores aos dos outros destinos da lista.

A floresta fica a cerca de 1h50 de carro do Aeroporto de Sarajevo. No outono, a hora dourada ocorre aproximadamente entre as 17h19 e as 18h15.

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Bosque de Otzarreta, Espanha

No País Basco, o Bosque de Otzarreta é conhecido pelas faias centenárias que crescem junto a um riacho, entre troncos retorcidos e margens cobertas de musgo. Crédito: Basque Country Guide.

No País Basco, o Bosque de Otzarreta é marcado pelas faias centenárias que crescem junto a um pequeno curso de água. Os troncos e ramos assumem formas verticais pouco habituais, enquanto o musgo cobre parte do solo e das margens.

A floresta está a cerca de uma hora de carro do Aeroporto de Bilbau e contabiliza aproximadamente 4.400 pesquisas mensais e 5 mil publicações no Instagram.

Para quem visita a região durante o outono, a hora dourada da tarde ocorre, de acordo com o levantamento, entre as 18h46 e as 19h42.

Trollskogen, Suécia

Na ilha de Öland, Trollskogen reúne carvalhos centenários e pinheiros deformados pelos ventos marítimos, numa paisagem que deu origem ao nome “Floresta dos Trolls”. Crédito: Oland.

Na ilha sueca de Öland, Trollskogen — nome que significa “Floresta dos Trolls” — combina árvores centenárias com uma paisagem fortemente influenciada pelos ventos do mar.

O bosque é conhecido pelos seus carvalhos com cerca de 600 anos e pelos pinheiros cujas formas foram alteradas pelas condições climáticas da costa. O resultado é uma paisagem bastante diferente das florestas temperadas mais convencionais.

Trollskogen apresenta cerca de 14.800 pesquisas mensais e 29.900 publicações no Instagram. A floresta fica a aproximadamente 1h35 de carro do Aeroporto de Kalmar.

Como acontece em outras regiões do norte da Europa, a duração do dia é menor durante o outono. No período analisado, a hora dourada situa-se entre as 16h54 e as 18h11.

Popularidade e isolamento

A lista resulta de uma análise da Avis a 33 florestas consideradas particularmente singulares na Europa. Para medir o interesse do público, foram considerados o volume estimado de pesquisas mensais no Google e o número de publicações no Instagram.

Já a dimensão do isolamento teve em conta a menor procura online e a presença nas redes sociais, combinadas com a distância e o tempo de deslocação de carro a partir do aeroporto mais próximo.

Os dados permitem cruzar dois aspectos diferentes: a visibilidade que cada floresta alcança entre os viajantes e a facilidade relativa de chegar até ela. O resultado inclui desde um dos destinos naturais mais conhecidos da Madeira até áreas florestais com uma presença muito mais discreta no turismo internacional, como Perućica.

flavio@revistaentrerios.pt