O que chega ao prato começa muito antes da cozinha. Pode vir do mar, de uma comunidade piscatória, de uma produção de algas ou de uma técnica transmitida entre gerações. É a partir dessa relação entre território, produto e cultura que o Congresso de Cozinha escolhe o mar como tema central da sua 22ª edição, que acontece neste domingo (27) e segunda-feira (28), nos Jardins do Palácio Marquês de Pombal, em Oeiras.
Criado em 2005 como uma plataforma de partilha entre uma geração emergente de profissionais da cozinha, o Congresso tornou-se um encontro anual da comunidade gastronômica portuguesa. Ao longo das edições, o programa passou a incluir não apenas demonstrações culinárias, mas também debates sobre o setor, sustentabilidade, saúde, cultura, território e as condições de quem trabalha na restauração.
Em 2026, a discussão parte do oceano. O programa coloca em evidência o pescado e a sua utilização na cozinha, além de questões relacionadas à preservação dos recursos marinhos, à aquacultura, às algas e à relação entre o que é pescado, produzido e servido nos restaurantes.
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Entre os debates estão temas como a sustentabilidade na escolha do pescado, a maturação e cura do peixe, a aquacultura como fonte de alimento e as relações entre rio, mar, pesca e território. Há ainda sessões que aproximam a gastronomia de outras áreas, como ciência, saúde, ambiente e cultura.
A programação também mostra como o tema pode ser interpretado de maneiras diferentes à mesa. A chef brasileira Caroline Giandalia, do Gruta, no Porto, apresenta “Onde a terra bebe o mar”, prato que combina peixe, tucupi, coentros e algas. Diana Roque, do Bougain, em Lisboa, leva uma canja de amêijoas, enquanto Katya Plotnikova, do Borboleta e Tini Mini, no Porto, apresenta um tártaro de robalo com mirtilos, ervas frescas, molho de citrinos, crème fraîche e sementes de coentro.
O Brasil também segue representado por Angélica Salvador, chef do restaurante In Diferente, no Porto, que apresenta “Portugal e Brasil — Moqueca de Camarão”, colocando lado a lado as duas cozinhas a partir de um prato de forte ligação com a gastronomia brasileira.
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Marcelo Oliveira e Samuel Brito apresentam “Da Amazônia à Caatinga: encontros da cozinha brasileira”, em uma proposta que percorre diferentes territórios e referências culinárias do Brasil. Já Rodolfo Vilar, do Projeto A.MAR, participa no Palco Manja com “O peixe perfeito”, aproximando a discussão sobre o produto marinho da realidade brasileira.
O programa, claro, também percorre diferentes regiões de Portugal. Há propostas relacionadas às algas dos Açores, ao bioma da Madeira, à cozinha do Alto Minho e à relação entre o mar e territórios do interior. No Palco Produto, por exemplo, o restaurante Tua Madre, de Évora, propõe discutir “O que é do mar no interior do Alentejo?”, enquanto Rodrigo Castelo, do Ó Balcão, em Santarém, apresenta uma proposta com ostras.
A programação também reserva espaço para discutir a própria profissão. O painel “O corpo ao serviço da restauração” reúne diferentes perspectivas sobre o impacto físico do trabalho na cozinha, enquanto “Cozinha e parentalidade: o setor é amigo da família?” coloca em debate a conciliação entre vida profissional e familiar em um setor conhecido pelos horários longos e pela exigência do trabalho.
Há ainda conversas sobre alimentação e saúde, incluindo uma sessão dedicada à disfagia, além de debates sobre o futuro da alimentação e sobre o papel da cozinha na sociedade.
O Congresso mantém, assim, uma programação que não separa completamente a cozinha dos assuntos que a atravessam. O peixe servido no restaurante leva consigo questões sobre pesca e sustentabilidade; os ingredientes carregam histórias de territórios; e a própria profissão levanta discussões sobre saúde, família e condições de trabalho.
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Serviço
Congresso de Cozinha 2026
Quando: domingo, 27 de setembro, e segunda-feira, 28 de setembro
Horário: a partir das 10h
Onde: Jardins do Palácio Marquês de Pombal, Oeiras
Bilhetes
- Dois dias: €100
- Um dia: €60
- Estudantes: €20 por dia
- Pack de seis, dois dias: €300
- Pack de seis, um dia: €180
- Campanha Horeca: 50% de desconto
Como chegar: a estação de Oeiras, na linha de Cascais, fica a cerca de dez minutos a pé do recinto. Também é possível utilizar autocarros locais, táxi, Uber ou Bolt.
Estacionamento: há opções gratuitas na Quinta de Cima do Marquês de Pombal, no Centro de Saúde de Oeiras, no Jardim Municipal de Oeiras e no Oeiras Parque. O Parque Verney dispõe de estacionamento pago.
Onde ficar: a organização disponibiliza condições especiais para o período do congresso em hotéis parceiros, incluindo Moov Hotel Oeiras, B&B Hotel Lisboa e Hotel Real Oeiras.
Programa completo: disponível no site oficial do Congresso de Cozinha.
flavio@revistaentrerios.pt

Flávio Oliveira