Portugal é hoje o quinto maior produtor de azeite do mundo e tem no Brasil seu principal mercado consumidor. No coração do Alentejo, porém, um novo projeto chama atenção não apenas pelo lançamento de uma marca, mas pela valorização de olivais históricos que resistem ao tempo. Em vez de apostar em plantações intensivas, o trabalho reúne oliveiras centenárias algumas estimadas em até mil anos cultivadas sem o uso de agrotóxicos, em solos de xisto e granito. A iniciativa, liderada pela oleóloga Ana Carrilho e pelo enólogo António Maçanita, recupera árvores espalhadas por diferentes propriedades do Alentejo e transforma esse patrimônio agrícola em azeites de produção limitada.
O projeto começa no campo, com o mapeamento e a avaliação técnica de cada olival por especialistas em olivicultura. A produção respeita o ritmo natural das árvores, muitas delas cultivadas em sistema de sequeiro, dependente apenas da chuva, característica que reduz a produtividade, mas preserva a adaptação da oliveira ao ambiente.
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Depois da colheita, cada extração de azeite é analisada separadamente, passando por avaliações sensoriais que consideram a origem, a paisagem e as características de cada lote. O resultado desse processo, comparado pelos produtores a um “quebra-cabeças”, deu origem a seis diferentes rótulos elaborados a partir da variedade Galega.
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Os olivais históricos que ajudam a explicar a força do azeite português. Crédito: Divulgação
Para Ana Carrilho, preservar esses olivais é tão importante quanto conservar monumentos históricos.
“É urgente conservar a diversidade, mas também este trabalho da paisagem, destas árvores. São árvores que alimentam as nossas mesas e fazem parte da nossa dieta mediterrânea”, afirma a especialista.
A oleóloga alerta que muitos agricultores têm substituído essas oliveiras antigas por variedades de crescimento mais rápido e maior rentabilidade imediata. “Está-se a olhar para o bolso”, resume. Segundo ela, proteger esses olivais significa conservar a biodiversidade e garantir a sobrevivência de árvores que, uma vez perdidas, levariam séculos para serem substituídas.
jordan@revistaentrerios.pt
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Jordan Alves