O Sporting Clube Farense está entre algumas das melhores lembranças profissionais do brasileiro Mattheus Oliveira, de 32 anos. Filho do craque Bebeto, o meia está de volta ao time com contrato de dois anos, e sonha em reviver o feito histórico daquele passado não tão distante, quando ajudou o clube a subir à Primeira Liga, na temporada 2023-2024, com dez gols em 54 partidas.
Depois de rodar por Khorfakkan e Al-Nasr, dos Emirados Árabes Unidos, e Tampa Bay Rowdies, dos Estados Unidos, Mattheus promete empenho para colocar a equipe algarvia de volta à principal divisão do futebol português: “Vou dar o meu melhor”, diz o jogador, em entrevista à EntreRios. Oliveira estreia na Segunda Liga, no domingo (9), contra o Torreense, no Estádio de São Luís, em Faro.
Além do Farense, ele passou também por Estoril, Sporting, Vitória de Guimarães e Mafra. Já no Brasil, o jogador criado no Flamengo não viu as portas se abrirem. Oliveira atribui as dificuldades, em parte, às cruéis comparações com o pai, tetracampeão na Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1994. “Ser filho do Bebeto é um peso. As pessoas têm um olhar de julgamento muito grande, principalmente no Brasil. Querem sempre comparar”, desabafa. Mas, agora, ele está disposto a escrever a própria história, assim como o pai famoso.
Leia também
Portugal x Noruega: tudo sobre o jogo que pode trazer Haaland ao Porto

Mattheus Oliveira volta ao Farense e estreia na partida contra o Torreense no domingo (9). Crédito: Reprodução/Instagram @mattheus7
Qual a melhor lembrança da temporada que passou no Farense?
Foram duas: a subida para a Primeira Liga, porque foi muito importante para o clube, e também o final do campeonato desta temporada específica.
O que a torcida pode esperar agora?
Quero colocar o Farense de volta à Primeira Liga, de onde ele não deveria ter saído. A minha volta é uma forma de gratidão ao clube, que me abriu portas. Vou dar o meu melhor, com muita entrega e dedicação.
Ser filho do Bebeto é um peso ou abre portas?
Para ser sincero, é mais um peso do que algo que me abre portas. As pessoas, principalmente no Brasil, me julgam muito. “Se joga, é porque é filho do Bebeto; se não joga, também. Se está em tal time, foi porque o Bebeto colocou”. Mas ninguém vê o quanto eu lutei para chegar onde estou. É um peso, mas aprendi a levar com leveza e me fez amadurecer mais rápido do que o normal. E, com certeza, é um orgulho ser filho do meu pai.
Leia também
Portugal inicia defesa do título da Liga das Nações com estreia de Jorge Jesus
Ver esta publicação no Instagram
A comemoração do Bebeto no Mundial de 1994, embalando um bebê, virou uma marca, em homenagem ao seu nascimento. O que isso representa para você?
É muito bacana, né? A gente sempre brinca que as pessoas sabem de quem sou filho, fazem o gesto, fazem a comemoração. Isso representa orgulho, gratidão, amor. Foi um gesto feito com amor, com espontaneidade, com carinho. Na história do futebol, as pessoas vão sempre se lembrar do Bebeto.
O que achou da campanha de Portugal na Copa do Mundo?
Decepcionou-me um pouco. O elenco inteiro era muito bom, inclusive, alguns jogadores são amigos meus. Era uma seleção muito forte, poderia ter chegado mais longe (Portugal foi eliminado nas oitavas de final).
Depois de atuar nos Emirados Árabes e nos Estados Unidos, sente-se em casa em Portugal?
Tenho a nacionalidade portuguesa desde os 14 anos, e a minha filha caçula nasceu em Lisboa (o jogador é pai de Aya, de 5 anos, e Nya, de 4). Então, com certeza, Portugal é minha segunda casa. A vida aqui é muito boa.

Marluci Martins