Há sempre uma boa razão, ou várias, para não fazer nada, efetivamente, em benefício de pessoas carentes. Todas legítimas: falta de tempo, dinheiro, disposição, conhecimento ou até a sensação de que uma única pessoa não consegue mudar uma realidade.
Porém, diante da pobreza, da fome, da solidão e da falta de oportunidades para os mais necessitados, precisamos descruzar os braços e agir, porque tem sempre alguém precisando de ‘uma mão’.
Ajudar não requer grandes projetos nem altas quantias. A maneira mais simples é a doação — que pode ser direta ou através de organizações confiáveis. Uma sacola de alimentos, algumas horas de trabalho, uma indicação de emprego. O ideal é começar se perguntando “O que eu posso fazer para ajudar de verdade?”
Abordo esse tema porque atuo nessa área há anos, em projetos sociais na cidade de Maricá, no Rio de Janeiro, onde moro. Minha última iniciativa foi o Bazar da Gabi, realizado mês passado, que começou com a ideia de vender roupas, calçados e acessórios particulares para ajudar pessoas em vulnerabilidade. Aí, consegui ampliar o evento com doações de outras mulheres, tempo, experiência ou arte. Ah, e tivemos música ao vivo também! Todos trabalhando em prol de um objetivo solidário e com uma certeza: juntos somos mais fortes.
Cada qual com o seu talento, que, quando compartilhado, vale muito mais do que se imagina para alguém que precisa de uma oportunidade. O resultado foi além do esperado: vendemos 100% do que estava disponível, e os recursos foram divididos entre a Escola de Samba Mirim Sementes de Maricá e a Favela.ong. Os alimentos arrecadados foram para um projeto social na Escola de Surf e Bodyboard (ESB), também da nossa cidade. E o bazar, que era temporário, terá outras edições.
Em um mundo em que somos diariamente bombardeados por imagens de desigualdade, é fácil desenvolver uma espécie de fadiga da solidariedade. Vemos tantas necessidades que, diante da dimensão do problema, parece mais confortável acreditar que nada do que fizermos será suficiente. Mas essa conta não funciona assim. Não é preciso resolver a pobreza mundial para ajudar uma pessoa necessitada.
Descruzar os braços é trocar a indignação — muitas vezes manifestada apenas na internet — pela ação. De olhar menos para o tamanho do problema e mais para aquilo que está ao alcance das nossas mãos. Uma pessoa pode não mudar o mundo inteiro. Mas pode mudar o mundo de alguém.
Esta matéria foi publicada originalmente na edição impressa da EntreRios, disponível mensalmente em bancas de Portugal. Faça a sua assinatura para ter acesso a conteúdos exclusivos e receber a revista em casa.
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Gabriela Lopes Siqueira