Neste Dia Nacional do Estudante, enquanto milhares de jovens protestam em Lisboa por condições mais justas no ensino superior, o retrato do perfil escolar evidencia que as desigualdades educacionais começam cedo, nos primeiros ciclos, e se refletem em aproveitamento, retenção e acesso a apoios sociais.

Os dados mostram que o debate sobre equidade e acesso à educação começa já nas escolas básicas e secundárias, atravessando todo o percurso escolar.

A manifestação em Lisboa, organizada por dezenas de associações de estudantes e núcleos académicos, reivindica gratuidade do ensino superior, mais alojamento e mudanças no sistema de bolsas.

“Esperamos a presença de milhares de estudantes nas ruas de Lisboa, porque todas as associações e federações, à exceção da Federação Académica do Porto, se juntaram à iniciativa”, disse à Lusa David Talete, membro da direção da Associação de Estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (AEFLUL).

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Segundo Talete, os estudantes também saem à rua para contestar o novo modelo de atribuição de bolsas e exigir o cumprimento do Plano Nacional para o Alojamento no Ensino Superior (PNAES).

Cresce a diversidade nas escolas públicas

Ao mesmo tempo, as manifestações estudantis do ensino superior em Lisboa corroboram a ideia de que o debate sobre equidade atravessa todo o percurso escolar, impactando não apenas o acesso às universidades, mas também o sucesso acadêmico e oportunidades futuras.

Segundo a publicação mais recente da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), divulgada no último trimestre de 2025, intitulada “Perfil Escolar de Alunos Filhos de Pais com Nacionalidade Estrangeira 2023/2024”, nas escolas públicas do continente:

A distribuição por sexo é equilibrada: entre os filhos de pais portugueses, 51,1% são do sexo masculino; na categoria 2 de estrangeiros, 50,1% são meninos; e na categoria 1, 50,5% são do sexo masculino. Estes dados revelam que, do ponto de vista demográfico, a diversidade não altera significativamente a composição por gênero.

Aproveitamento escolar e desigualdade socioeconômica

Apesar de perfis semelhantes, o aproveitamento escolar apresenta diferenças marcantes entre os grupos:

A relação com a Ação Social Escolar (ASE) reforça a percepção de desigualdade: os alunos filhos de pais estrangeiros estão mais presentes nos escalões A e B, enquanto os filhos de pais portugueses predominam em escalões mais altos ou não beneficiam. Por exemplo, 21,6% dos alunos da categoria 2 e 22,9% da categoria 1 estão no escalão A, contra 14,3% entre os alunos com pais portugueses.

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Distribuição por ciclos de ensino

A predominância de alunos com pais portugueses mantém-se em todos os ciclos, embora com variações:

O padrão indica que a diversidade é maior nos primeiros anos, refletindo fluxos migratórios recentes, enquanto nos ciclos mais avançados predominam alunos com pais portugueses. Isso sugere que os desafios de integração e apoio acompanham os alunos desde cedo.