“A minha vida se passa entre o meu ateliê, a minha casa e este museu”.  É assim que Joana Vasconcelos resume uma relação que dura 25 anos. A artista volta ao MAAT para apresentar VENUS – Valentino Garavani através dos olhos de Joana Vasconcelos, exposição que integra as comemorações dos dez anos do museu. Quando esteve ali pela primeira vez, ainda não existia o MAAT: havia a Fundação EDP e a ideia de aproximar a arte da cultura de uma grande empresa portuguesa.

“A história do MAAT e a história da fundação EDP fazem parte da minha própria história. Portanto aqui volto, passados 25 anos, com outro trabalho. Aqui temos um passado, temos um meio e temos um presente”, diz. 

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Joana Vasconcelos numa das salas da exposição: Crédito: Jordan Alves

Em VENUS, esse passado encontra uma nova linguagem. A exposição coloca em diálogo esculturas de Joana e vestidos de Valentino (1932 – 2026), a partir de peças do espólio do estilista em Roma que serviram de inspiração para a artista. “As pessoas vão encontrar nesta exposição um diálogo entre a escultura e a alta costura”, explica. Mas o luxo, aqui, não aparece sozinho. Ele encontra objetos reconhecíveis de uma vida comum: o espanador, a panela, o ferro de engomar, os faróis de carro. São coisas que normalmente passam despercebidas, mas que Joana retira de sua função original e coloca em outro território. 

“Eu, como artista, pego nestes objetos do cotidiano, descontextualizo eles, recontextualizo noutra dimensão e torno-os em luxo”, explica Joana.  

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Escultura com panelas numa das salas da exposição do MAAT, em Lisboa. Crédito: Jordan Alves

Entre as imagens que ficam do percurso está o encontro com o vermelho de Valentino. Um vestido, associado à identidade da casa italiana, aparece acompanhado por um coração de filigrana construído com cerca de quatro mil talheres de plástico. É uma das cenas em que a lógica da exposição fica mais evidente e o vestido ligado à alta-costura encontra um material banal, quase descartável, transformado pela artista em uma forma delicada. As músicas escolhidas também fazem parte desse percurso. As obras são acompanhadas por trilhas que ajudam a construir atmosferas diferentes em cada sala; em uma delas, a voz de Frank Sinatra ecoa o espaço. 

O “Red Valentino” acompanhado de uma escultura de filigrana feita com quatro mil talheres descartáveis. Crédito: Jordan Alves

Depois de estrear no PM23, espaço cultural criado por Valentino Garavani e Giancarlo Giammetti em Roma, VENUS – Valentino Garavani Através dos Olhos de Joana Vasconcelos chega a Lisboa em uma versão pensada para a arquitetura do MAAT e fica em cartaz de sexta (2) até 22 de fevereiro de 2027. 

A exposição tem as cores e as texturas que acompanham o trabalho de Joana Vasconcelos. Crédito: Jordan Alves

No domingo (4) e na segunda (5) por conta das comemorações dos 10 anos do MAAT a entrada será gratuita, com visitas às exposições, oficinas, conversas e experiências. Os ingressos custam 16 euros, mas há descontos!

jordan@revistaentrerios.pt