Estar na moda no próximo inverno europeu vai exigir personalidade. Nas passarelas de outono-inverno 2026/2027, as roupas ganharam volume, textura e presença. Casacos de pele sintética que vão do pescoço aos pés, saias amplas, ombros marcados e silhuetas dramáticas dominaram os desfiles e sinalizaram uma mudança de rumo depois de temporadas marcadas pelo minimalismo.
Tal transformação é reflexo de uma renovação na indústria da moda. Foi a primeira temporada em que diversas grandes grifes apresentaram coleções assinadas por seus novos diretores criativos, entre eles Jonathan Anderson, na Dior; Matthieu Blazy, na Chanel; Jack McCollough e Lazaro Hernandez, na Loewe; e Louise Trotter, na Bottega Veneta. Em comum, as coleções apostaram em mais emoção, criatividade e identidade.
Mas isso não significa que veremos pelas ruas uma reprodução fiel das passarelas. As tendências raramente chegam ao dia a dia em sua forma original. Elas são reinterpretadas com versões mais fáceis de usar e de acordo com a personalidade de quem as usa. A seguir, reunimos dez tendências que têm tudo para inspirar as vitrines e os looks do próximo inverno europeu.
1. Blazer e saia: a nova dupla da alfaiataria

Reprodução dos desfiles outono/inverno 2026/2027 da Miu Miu, Michael Kors e Chanel
Blazers estruturados, casacos longos e conjuntos apareceram em praticamente todos os desfiles. A principal novidade é o retorno do terninho — ou “fato”, como se diz em Portugal — acompanhado por saias de diferentes comprimentos, substituindo a predominância das calças. Michael Kors, Emporio Armani, Lanvin, Chanel e Miu Miu apostaram nessa releitura elegante do clássico.
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2. Couro da cabeça aos pés

Reprodução dos desfiles outono/inverno 2026/2027 da Max Mara e Hermès
Aparece em vestidos, trench coats, calças, saias e conjuntos completos. Desta vez, porém, o couro surge com uma estética mais sofisticada e sensual, distante do estilo rock and roll ao qual sempre esteve associado. Max Mara, Hermès, Balenciaga e Prada mostraram como o material pode assumir um ar refinado.
3. O casaco vira protagonista

Reprodução dos desfiles outono/inverno 2026/2027 da Max Mara, Dior e Dries von Noten
A peça de inverno deixa de ser apenas a última camada do look para assumir o papel principal. Sobretudos amplos, modelos de lã estruturada, capas e volumes marcantes dominaram as passarelas de Bottega Veneta, Max Mara e Dior. A tendência deve chegar às ruas em versões mais discretas, mas mantendo a proposta de transformar o casaco na peça-chave da produção.
4. Tricô em versão sofisticada

Reprodução dos desfiles outono/inverno 2026/2027 da Louis Vuitton, Nina Ricci e Prada
A técnica artesanal ou industrial ganha status de peça de investimento. Lã, cashmere, mohair (fibra produzida a partir da cabra angorá) e tramas elaboradas aparecem em propostas que vão muito além do básico. Prada, Miu Miu, The Row, Jil Sander e Louis Vuitton apostaram em modelos que unem conforto e sofisticação.
5. Transparências continuam

Reprodução dos desfiles outono/inverno 2026/2027 da Prada, Saint Laurent e Valentino
A renda, que já vinha forte nas coleções de verão inspiradas em lingeries, permanece como destaque, surgindo combinada com outras peças, como casacos e camisas. Dior, Dolce & Gabbana, Saint Laurent e Valentino exploraram esse contraste entre sensualidade e sofisticação.
6. O retorno do smoking feminino

Reprodução dos desfiles outono/inverno 2026/2027 da Michael Kors, Saint Laurent e The Row
O clássico criado por Yves Saint Laurent reaparece como uma das alternativas mais elegantes ao vestido de festa. Na Saint Laurent, Anthony Vaccarello apresentou versões usadas sem camisa e com lapelas de cetim. A inspiração também apareceu em outras grifes, como The Row, McQueen, Michael Kors e Altuzarra, seja em gravatas-borboleta, camisas de alfaiataria ou vestidos inspirados nos códigos do smoking.
7. Pele sintética vira básico

Reprodução dos desfiles outono/inverno 2026/2027 da Bottega Veneta, Louis Vuitton e Stella McCartney
Depois de algumas temporadas aparecendo de forma pontual, a pele sintética consolida seu espaço no guarda-roupa de inverno. Surge em golas, casacos, estolas e detalhes aplicados, reforçando a ideia de textura e aconchego, e também em sobretudos estampados, como se viu no desfile da Chanel. Gucci, Burberry, Bottega Veneta e Stella McCartney mostraram diferentes interpretações da tendência.
8. 50 tons de roxo

Reprodução dos desfiles outono/inverno 2026/2027 da Chloé, Mugler e Michael Kors
Em meio aos tradicionais tons neutros do inverno, o roxo foi a cor que mais se destacou nas passarelas, em variações que vão do ameixa ao violeta intenso, tanto em detalhes quanto em produções monocromáticas. Mugler, Chloé, Ferragamo, Loewe e Tory Burch apostaram em produções inteiras na tonalidade.
9. Florais como tendência

Reprodução dos desfiles outono/inverno 2026/2027 da Chanel, Celine e Givenchy
As flores brotaram nas coleções de inverno. Mas esqueça o romantismo óbvio: elas aparecem em versões gráficas, bordadas, tridimensionais ou em estampas de grande impacto visual. A proposta é trazer cor e leveza para uma estação tradicionalmente marcada por tons sóbrios. Chanel, Celine e Givenchy mostraram diferentes interpretações da tendência, seja em vestidos, casacos ou conjuntos completos.
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10. Saias ganham volume

Reprodução dos desfiles outono/inverno 2026/2027 da Chloé e Nina Ricci
Elas deixam de seguir a silhueta reta e aparecem mais amplas, estruturadas e com movimento. Em alguns desfiles, o volume veio por meio de pregas e modelagens arquitetônicas; em outros, por tecidos leves que criam fluidez ao caminhar. O resultado é uma feminilidade marcante, porém sem marcar. Chloé, Miu Miu, Prada e Gucci apostaram em diferentes versões dessa silhueta.
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Fernanda Baldioti