Cada Maria tem um nome, uma personalidade e uma mensagem. Há a Força, a Coragem, a Liberdade, a Sonhadora e até a Dança. As bonecas de resina orgânica criadas por Joana Brizida parecem, à primeira vista, uma coleção delicada e divertida. Por trás de cada uma, porém, existe um pedaço da história da mulher que as criou.
As Marias nasceram em um momento delicado da vida de Joana. Com endometriose e adenomiose, ela passou dois anos em tratamentos de fertilidade e enfrentou perdas gestacionais enquanto tentava realizar o sonho de ser mãe. Foi então que encontrou na resina uma maneira de dar vazão à dor e transformar os sentimentos em arte.
“Como terapia, para curar o meu coração e o meu vazio de não conseguir ter filhos, criei as minhas próprias filhas”, conta à EntreRios.
A história das Marias também ganhou um lado solidário. Parte das vendas das Marias é destinada à MulherEndo, associação dedicada a mulheres com endometriose e adenomiose, e à Associação Portuguesa de Fertilidade. Assim, as bonecas que nasceram para ajudar Joana a atravessar um momento doloroso também passaram a apoiar outras mulheres que enfrentam dificuldades para engravidar.
Leia também
Escrever é cuidar! Colocar as emoções no papel pode melhorar a saúde mental

Marias, as bonecas de resina de Joana. Crédito: Renata Telles
Como tudo começou
Antes de criar as Marias, Joana já tinha encontrado no trabalho manual uma nova possibilidade profissional. Há seis anos, ela vivia em Angola e, durante a pandemia, queria uma bandolete. Foi então que desafiou a mãe, Luísa Marçal, que estava em Portugal, a fazer a peça e enviá-la para ela. A experiência despertou uma ideia de negócio e as duas começaram a produzir e vender acessórios.
Vieram as tiaras, os chapéus de palha personalizados com flores, as pregadeiras e outras peças que passaram a circular pelas feiras. A atividade cresceu aos poucos, até Joana decidir mudar de vez de área. Depois de 17 anos a trabalhar com marketing, voltou para Portugal há cerca de dois anos e passou a dedicar-se em exclusivo à marca.
Foi também nessa fase que a resina orgânica entrou no trabalho. Primeiro, Joana passou a criar peças de decoração, como corações, bases para incensos, porta velas e jarras. Com o tempo, o material ganhou outro significado. Em meio aos tratamentos de fertilidade e às perdas que enfrentava, ela começou a moldar as suas próprias personagens.
Leia também
Crochê brasileiro ganha espaço em Portugal pelas mãos de empreendedora baiana
As primeiras cinco Marias chegaram entre janeiro e abril: Amor, Força, Coragem, Liberdade e Sonhadora. Os nomes vieram de palavras e sentimentos que acompanharam Joana durante aqueles meses. Cada boneca ganhou uma identidade, uma mensagem e uma história.

Joana Brizida e a mãe. Crédito: Renata Telles
A coleção continuou a crescer conforme novos sentimentos apareciam. No Dia da Mãe nasceu a Maria Luz. Em junho, veio a Maria Flor. Maria Vida e Maria Alegria surgiram em julho, quando Joana já se sentia “mais feliz e mais alegre” e começava a fazer as pazes com a própria história.
A Maria Dança talvez seja o exemplo mais espontâneo de como as personagens surgem. Durante uma feira, Joana estava a dançar enquanto vendia as peças e percebeu que faltava uma Maria para representar aquele momento. “Estava superdivertida a vender e a dançar e então veio-me à cabeça: falta-me a Maria Dança.”
Não existe uma fórmula fechada para criar cada boneca. As personagens aparecem conforme Joana vive, sente e encontra novas formas de olhar para a própria trajetória. “E vai nascendo uma Maria”, resume.
Onde encontrar as Marias
Joana e a mãe percorrem feiras de Norte a Sul para apresentar as criações. A programação dos próximos eventos e as peças disponíveis para compra online podem ser consultadas no Instagram da marca.
renata@revistaentrerios.pt

Renata Telles