A participação dos brasileiros nas eleições presidenciais em Lisboa deve ficar abaixo da registrada em 2022, segundo uma estimativa inicial do Consulado-Geral do Brasil na capital portuguesa. O dado ainda não é oficial e será confirmado após a apuração dos boletins de urna.

“Houve uma grande abstenção, ainda não temos os números definitivos. Mas a nossa estimativa é de que houve um comparecimento perto de 30%. Isso é menor do que 2022, menor do que a tradição no exterior, onde o comparecimento é de 50%”, afirmou o cônsul-geral Alessandro Candeas neste domingo (4).

Mesmo longe do Brasil, eles fazem questão de ir às urnas: eleitores reforçam a importância do voto. Crédito: Renan Araújo Leia também Mesmo longe do Brasil, eles fazem questão de ir às urnas: eleitores reforçam a importância do voto

Em 2022, a abstenção em Lisboa foi de 53%. A estimativa deste domingo, caso seja confirmada pelos dados oficiais, representaria uma queda significativa na participação, mesmo com o número de eleitores inscritos na capital tendo aumentado 74% desde a eleição anterior, chegando a mais de 78 mil.

Segundo o cônsul, alguns fatores podem ter contribuído para o baixo comparecimento. O feriado desta segunda-feira (5) em Portugal pode ter levado parte dos eleitores a viajar, enquanto brasileiros que vivem longe de Lisboa, incluindo moradores da Beira Interior, Leiria, Porto, Castelo Branco, Madeira e Açores, podem ter enfrentado mais dificuldades para chegar aos locais de votação. O número de eleitores também aumentou em cidades portuguesas fora da capital.

Apesar da baixa participação, Candeas avaliou que a votação transcorreu normalmente. As filas foram registradas apenas na entrada da Reitoria da Universidade de Lisboa, enquanto as Faculdades de Direito e de Letras não tiveram espera significativa.

Segundo ele, a concentração na Reitoria ocorreu porque a consulta do local de votação no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apresentava os três prédios da Universidade de Lisboa. Com isso, parte dos eleitores se dirigiu inicialmente à Reitoria e foi orientada pelos funcionários sobre o local correto. “Em um eventual segundo turno, nós vamos reforçar essa orientação no início da fila para que não haja concentração na Reitoria”, explicou.

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Os números oficiais ainda serão divulgados. Após o encerramento da votação, os mesários contabilizam os votos e imprimem os boletins de urna, que são encaminhados aos centros de transmissão instalados nos três prédios. De lá, os dados são enviados ao TSE.

Votação transcorreu sem incidentes

Candeas afirmou ainda que não houve incidentes registrados pela Polícia ou pelos Bombeiros e que nenhuma urna eletrônica precisou ser substituída. Segundo ele, também foram registrados casos de eleitores que chegaram aos locais de votação com títulos vinculados ao Brasil ou com domicílio eleitoral ainda no país. Como o prazo para transferir o domicílio para o exterior terminou em maio, essas pessoas não puderam votar em Lisboa.

Ao todo, 412 mesários trabalharam na eleição em Lisboa, com apoio de mais de 50 voluntários externos, funcionários do Consulado e do Itamaraty, além de equipes contratadas para organizar o fluxo de eleitores.

“Nós investimos muito na comunicação com o eleitor. Divulgamos informações sobre como buscar a sua seção eleitoral, como renovar o seu título, onde encontrar sua sala, então isso ajudou bastante”, acredita.

Ao longo do dia, alguns eleitores também tiveram dificuldades para localizar o prédio e a sala de votação, especialmente por causa de instabilidades no chatbot disponibilizado pelo Consulado. Funcionários e voluntários orientaram os eleitores que chegaram à Cidade Universitária e ajudaram a direcioná-los aos locais corretos.

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