No coração da Praça das Amoreiras, um dos jardins mais agradáveis de Lisboa, fica o Museu Arpad Szenes–Vieira da Silva. Instalado no edifício de uma antiga fábrica de tecidos de seda, o espaço está diante do jardim, entre árvores, sombras e o movimento discreto do bairro, como um pequeno intervalo no ritmo da cidade. É ali que a exposição ARPAD, terceiro ciclo expositivo do museu, convida a olhar novamente para Arpad Szenes, artista húngaro de nascimento, francês por naturalização e português de coração, que durante mais de cinco décadas dividiu a vida com Maria Helena Vieira da Silva. A mostra, inaugurada em setembro, percorre a obra de Szenes desde os anos 1980 e reúne pinturas, desenhos e gravuras, muitas delas em pequena e média escala, incluindo peças inéditas.

Marlene Viera da Silva e Arpad Szenes. Crédito: Divulgação
A relação entre os dois artistas atravessa inevitavelmente a exposição, mas não a encerra. Se Vieira da Silva se tornou uma presença central na história da arte portuguesa do século XX, Arpad aparece aqui em outra dimensão. Experimental, curioso, atento ao mundo e às pessoas, alguém para quem a liberdade parece ter sido tanto uma escolha de vida quanto um princípio artístico.
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Arpad Szenes ganha nova luz em exposição no coração de Lisboa. Crédito: Jordan Alves
O casal viveu também um importante capítulo no Brasil, durante o exílio provocado pela Segunda Guerra Mundial, entre 1940 e 1947. Foi nesse período que se aproximaram de artistas, escritores e músicos brasileiros, construindo amizades que deixariam marcas na trajetória de ambos. Para Nuno Faria, professor da Escola Superior de Design das Caldas da Rainha e diretor do Museu Arpad Szenes–Vieira da Silva desde 2024, esse aspecto é fundamental para compreender a exposição.
“Estou mostrando as últimas pinturas maiores do ciclo da luz e portanto preferimos trabalhar com pequenos formatos ou médios, mas percorrendo a obra toda, desde os anos 1920 aos anos 1980”.
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Museu Arpad Szenes–Vieira da Silva. Crédito: Jordan Alves
Quando fala sobre o diálogo de Arpad e Vieira com o Brasil, Faria chama atenção justamente para aquilo que não cabe apenas nas telas como a rede de encontros que se formou naquele período.
“O que mais me chama a atenção é o número de amizades, e de cumplicidades e de colaborações que nessa altura nasceram. Com músicos, escritores, outros artistas. A presença do Arpad e da Vieira foi muito importante e ajudou a abrir portas para vários artistas brasileiros mas também muito produtiva pelas grandes amizades que fizeram. Era uma altura na arte brasileira, a que ela estava a crescer muito no modernismo.”

Nuno Faria durante a visita guiada da exposição. Crédito: Jordan Alves
ARPAD fica em cartaz até 24 de janeiro de 2027, no Museu Arpad Szenes–Vieira da Silva, na Praça das Amoreiras, 56, em Lisboa. A exposição é acompanhada por uma programação paralela de conversas, encontros e atividades.

A Praça das Amoreiras em frente ao museu. Crédito: Reprodução @hoteldasamopreiras
O museu funciona de terça a domingo, das 10h às 18h, com ingressos a 7,50 euros e descontos disponíveis, além de estrutura acessível para pessoas com mobilidade reduzida.
jordan@revistaentrerios.pt

Jordan Alves