Quando a atriz e ex-modelo Suzana Alves, conhecida como Tiazinha (personagem de extinto programa da TV brasileira), decidiu retirar as próteses de silicone das mamas, no ano passado, surpreendeu parte do público que a conheceu como símbolo sexual no fim dos anos 1990. “Foram 26 anos convivendo com algo que eu achava que me completava, mas me adoecia. Passei por um processo inflamatório com muita dor, cansaço, inchaço e alergias”, disse ela. Suzana não é um caso isolado. Cresce o número de mulheres que optam pelo explante de próteses mamárias, enquanto outras passam a ser referência por terem seios menores e naturais.

Suzana Alves, a Tiazinha, exibe as próteses retiradas. Reprodução/Instagram @suzanaalvesoficial

Segundo dados da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), a cirurgia de implante mamário continua sendo uma das mais realizadas no mundo, com 1 milhão e 658 mil procedimentos em 2024, o que representa 9,5% do total de intervenções plásticas. Mas as remoções indicam um crescimento de 65,3% no comparativo com 2020. O Brasil registrou um recorde de 42.231 explantes de silicone em 2024. Os explantes ainda representam uma pequena parcela do total de cirurgias estéticas: apenas 2% em todo o mundo, ou 342 mil. Os novos números apontam uma crescente tendência entre famosas e anônimas.

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O cirurgião Francisco Claro Jr., que trabalha em São Paulo, disse à EntreRios que, hoje, faz mais cirurgias de explantes do que implantes. “Eu opero, atualmente, em média duas a três pacientes por semana para explante”, diz. Ele explica que muitas pacientes também querem evitar a necessidade de novas cirurgias no futuro. “Não é obrigatório trocar o implante com dez anos, mas existe um desgaste natural ao longo do tempo. Algumas preferem retirar e não colocar um novo.”

O cirurgião plástico Francisco Claro Jr. explica que não é obrigatório trocar o implante com dez anos, mas algumas mulheres preferem retirar e não colocar um novo. Crédito: Divulgação

Mesmo sem dados públicos que estimem, em Portugal, o número anual de explantes mamários, os especialistas corroboram o relato de Claro Jr. A cirurgiã Rita Meireles, da Up Clinic, em Lisboa, também nota o mesmo fenômeno: “Há uma maior disseminação de informação que aumenta a conscientização sobre possíveis complicações associadas aos implantes”. Segundo ela, algumas pacientes apresentam queixas como desconforto, contratura capsular ou alterações estéticas que motivam a decisão de retirada.

Médicos vêm observando uma mudança cultural na forma como as pessoas enxergam os resultados estéticos. A cirurgiã plástica Patrícia Moraes, que trabalha no Rio de Janeiro, é uma delas: “De fato, nas redes sociais, agora elas se mostram segurando as próteses retiradas, orgulhosamente”. Segundo Patrícia, diferentes perfis de pacientes procuram o procedimento, como atletas, pacientes de meia-idade etc. “A prótese, a longo prazo, é um peso e acaba deixando as mamas mais pendentes”, afirma.

Cirurgiã plástica Patrícia Moraes. Crédito: Divulgação

Parte da discussão sobre o explante ganhou força nos últimos anos devido à chamada doença do silicone — ou síndrome Asia, na sigla em inglês. Trata-se de um conjunto de sintomas como fadiga, dores articulares, queda de cabelo e cansaço extremo. O cirurgião plástico brasileiro Maurício Milet, baseado em Braga, constata que a procura por explante se dá por questões alheias à estética. Há situações em que a recomendação é médica devido a, por exemplo, uma reação do organismo, em que a cápsula de tecido formada ao redor da prótese endurece e pode causar dor ou deformidade.

A dentista Gisele M*., 65 anos, disse à EntreRios por que fez o implante nas mamas há 40 anos. “Eu era ainda muito jovem, fiz a cirurgia acreditando que melhoraria minha autoestima e insegurança com a aparência”, conta. Com o passar das décadas, entre carreira acadêmica, casamento e filhos, os implantes deixaram de ter importância em sua vida, mas permaneceram por comodismo. Até o ano passado, quando exames apontaram ruptura dos implantes, com vazamento de gel de silicone para o tecido mamário. “Eu estava completamente assintomática. Ainda assim, o diagnóstico me assustou”, relata.

Cirurgião plástico brasileiro Maurício Milet. Crédito: Divulgação

O explante, com a reconstrução do volume das mamas por lipoenxertia — técnica que utiliza a própria gordura da paciente —, foi conduzido pelo cirurgião plástico Francisco Claro Jr. “Considerei minha idade atual e também a possibilidade de, ao colocar novas próteses, precisar de outra substituição cirúrgica no futuro. Eu estaria com mais de 70 anos e possíveis fatores de risco sistêmicos aumentados”, relata.

Seja por qual motivo for, as pacientes querem um bom aspecto após o procedimento. O cirurgião Tiago Ramalho Souza, do Rio de Janeiro, lembra que é preciso discutir com a paciente a expectativa do resultado dessa nova mama após a retirada do implante. “Algumas não terão volume mamário satisfatório para montar um cone mamário com exuberância”, ressalta. Milet acrescenta que fatores como quantidade de tecido mamário, qualidade da pele, cicatrizes anteriores e características do implante também influenciam diretamente no resultado final.

Cirurgião Tiago Ramalho Souza (à direita) em ação. Crédito: Divulgação

“Existem técnicas cirúrgicas utilizadas para reposicionar a mama e o complexo aréola-mamilo após a retirada da prótese”, diz Milet. Claro Jr. cita uma delas: “Na lipoenxertia mamária, injetamos na mama a gordura coletada do próprio corpo da paciente em substituição ao silicone”. Já Patrícia fala de outra, a mamoplastia: “Isso é necessário porque a pele foi expandida para colocar o implante, e o procedimento retira o excesso de pele”.

*Gisele M., nome fictício.

Novos padrões de beleza

A atriz Carolina Dieckmann retirou as próteses. Reprodução/Instagram @loracarola

Muitas celebridades já declararam publicamente que retiraram suas próteses mamárias de silicone. A atriz Carolina Dieckmann revelou que decidiu pelo explante por se sentir mais confortável com o próprio corpo: “Eu não me reconhecia mais. Queria voltar a ser quem eu era”.

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Guilhermina Guinle, também atriz, contou que tomou a decisão de retirar as próteses após perceber que elas já não combinavam com o momento de vida: “Eu quis ficar mais natural, mais leve”.

A modelo e apresentadora Andressa Urach explicou que buscava mais qualidade de vida: “Eu queria me livrar de tudo o que não era natural no meu corpo”.

fernanda@revistaentrerios.pt