Depois de uma temporada de sucesso em 2025, o espetáculo Agora é que são elas! retorna a Portugal em setembro para novas apresentações em sete cidades: Lisboa, Setúbal, Porto, Braga, Águeda, Vale de Cambra e Madeira. Escrita e dirigida por Fabio Porchat, a comédia reúne Júlia Rabello, Maria Clara Gueiros e Priscila Castello Branco, que se dividem em 20 personagens, entre homens e mulheres, em nove esquetes.
A primeira passagem pelo país surpreendeu o elenco pela recepção do público. Júlia Rabello lembra que chegou com uma “bela expectativa”, especialmente por acreditar que os portugueses já conheciam e se identificavam com o trabalho de Porchat.
“Era um sonhozinho de criança, e o que encontrei foi um acontecimento”, conta Júlia Rabello.
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“Agora é que são elas!”. Crédito: Pino Gomes
A conexão com o público
Para Priscila Castello Branco, que também é namorada de Porchat, uma das imagens mais marcantes da primeira vez foi perceber que cerca de 80% da plateia era portuguesa em uma apresentação no Aula Magna, em Lisboa.
“De repente estava lotado e a maioria era composta por portugueses”, recorda. A atriz acredita que parte daquele público possa ter sido atraído pelo nome de Fabio Porchat, mas destaca que o sucesso nas outras cidades veio da relação construída entre as atrizes e a plateia. “A comédia é um diálogo o tempo todo”, explica. “Você faz a piada e a risada é na hora.”
Maria Clara Gueiros também percebeu essa conexão desde as primeiras apresentações. Para ela, a temporada funcionou como um teste para descobrir se aquele humor brasileiro encontraria eco em Portugal, e o resultado foi melhor do que esperavam. “Foi um deleite, realmente inesquecível”, afirma. Agora, o retorno funciona justamente como essa resposta.
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As datas do espetáculo por Portugal. Crédito: Divulgação
Porchat, entretanto, faz questão de afastar qualquer expectativa de que a peça seja um espetáculo centrado em grandes discussões políticas ou sociais. Apesar de as três atrizes interpretarem personagens masculinos e femininos e de o humor tocar em comportamentos e relações cotidianas, a proposta do autor é mais simples: fazer o público rir de situações reconhecíveis.
“A peça é uma peça leve sobre o cotidiano, sobre o dia a dia”, explica Porchat.
O texto parte de tipos e situações comuns: uma pessoa excessivamente otimista, alguém que acredita em diferentes formas de energia, uma conversa entre mãe e filha ou aqueles momentos em que alguém se vê preso em uma situação constrangedora.
“A gente queria olhar para o dia a dia, para aquilo que o carioca sabe fazer de melhor, que é o esquete, o besteirol, as situações do cotidiano”, diz Porchat. Para ele, o principal objetivo era simples: “Como é que a gente vai fazer o povo rir pra caramba?”, afirma.
A preparação do elenco

Júlia Rabello, Maria Clara Gueiros e Priscila Castello Branco em cena. Crédito: Divulgação
Transformar essa ideia em um espetáculo com 20 personagens exigiu ritmo, memória e uma sintonia afinada entre as três atrizes. Maria Clara conta que o período de preparação foi curto, mas que havia entre elas uma espécie de linguagem comum. “A gente fala a mesma língua. Isso é o mais importante”.
Priscila lembra que a montagem aconteceu em ritmo acelerado e que, no caso da comédia, o processo não termina quando os ensaios acabam. “Quando você estreia uma comédia, ela nunca está pronta”, diz. É o público que ajuda a revelar quais situações cômicas têm mais força, quais precisam de ajustes e até quais surpreendem o próprio elenco.
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Porchat fala em 40 dias de ensaio e conta que estava tranquilo porque confiava na experiência do trio. A tensão maior veio justamente na estreia, diante de duas mil pessoas. Embora ele soubesse que os textos funcionariam, as atrizes ainda precisavam descobrir como aquela plateia reagiria.
“A gente sabe que tá legal, a gente sabe que tá com tudo na mão pra ser legal, mas… E se não for?”, reflete Júlia.
Para uma comédia, poucas coisas são mais reveladoras do que o silêncio depois de uma piada. Dessa vez, o quarteto volta aos palcos com uma experiência nova: já conhece o público e entende melhor como essa dinâmica funciona.
Para Priscila, é continuidade de uma troca artística que se tornou especialmente forte entre os dois países. “Somos um pouco irmãos”.
Júlia, por sua vez, encontra no público — e até na comida, algo que demonstra afeto — uma das melhores coisas do país. Porchat prefere as aldeias portuguesas e as “senhorinhas” que vivem nelas: são um patrimônio de Portugal.
Porchat prepara Especial do Porta dos Fundos
E, enquanto as três atrizes se preparam para reencontrar o público, o diretor já projeta outro retorno, no fim do ano, para gravar um especial do Porta dos Fundos.
“Eu volto também no fim do ano para gravar o especial do Porta dos Fundos e agora espero que seja já uma rotina anual minha”, afirma Porchat.

Nuno Lopes e Fabio Porchat no especial de fim de ano do “Porta dos Fundos”. Crédito: Divulgação
Se a primeira temporada serviu para descobrir como o humor brasileiro seria recebido em Portugal, a segunda chega com uma vantagem: o quarteto já sabe que há uma plateia pronta para rir.
jordan@revistaentrerios.pt

Jordan Alves