Em tempos em que as redes sociais e as telas disputam cada minuto da atenção das pessoas, especialmente entre os mais jovens, os livros também entram forte nessa “briga” e estão longe de sair de cena. Pelo menos é o que indicam os números da Feira do Livro do Porto, que recebeu cerca de 41 mil visitantes nos dois primeiros dias do evento, que começou na semana passada e vai até 6 de setembro.

O número representa um aumento de aproximadamente sete mil pessoas, ou 20%, em relação ao ano passado. O crescimento apareceu já na abertura: quase 3 mil a mais em relação a 2025.

O movimento começou cedo, com estudantes à procura de clássicos em promoção, famílias com crianças e turistas estrangeiros que aproveitaram a passagem pela feira para conhecer a cidade.

Outro fator que ajuda a explicar a alta movimentação são os preços. Entre romances, títulos técnicos, clássicos e exemplares antigos, os visitantes procuram descontos e oportunidades nos 144 estandes espalhados pelos Jardins do Palácio de Cristal.

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A programação da 13ª edição vai muito além da venda de obras: são mais de 200 iniciativas em 17 dias, entre conversas, concertos, teatro, dança, cinema, artes visuais e outras atividades.

Entre os convidados internacionais estão o poeta e jornalista palestino Mohammed El-Kurd, que participa da conversa “Escrita de resistência: Palestina”; e a poeta e artista franco-marroquina Rim Battal, que fala com Teresa Coutinho, programadora da feira, sobre corpo, identidade, escrita e performance.

 

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Para o vereador da Cultura da Câmara Municipal do Porto, Jorge Sobrado, os primeiros dias representam um “regresso promissor” de um evento “muito acarinhado dos portuenses”.

Ainda é cedo para saber se a edição de 2026 terminará com um público total maior do que o do ano passado, mas os primeiros dados são animadores.

Portugal tem mais leitores, mas eles leem menos

O país está ganhando leitores, sobretudo entre os mais novos. Os dados recentes mostram, contudo, que esse crescimento não significa necessariamente um aumento no número de livros lidos.

Segundo o estudo Hábitos de compra e leitura em Portugal 2024, realizado pela GfK para a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), 76% dos portugueses leram pelo menos um livro em 2024. Na faixa dos 15 aos 24 anos, a porcentagem passou de 58% para 76% em um ano. Já entre as pessoas de 25 a 34 anos, 91% disseram ter lido pelo menos um exemplar.

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Mas há um dado que impede uma avaliação otimista dos números: a quantidade de livros lidos diminuiu. Em 2024, cada português leu, em média, 5,3, contra 5,6 em 2023.

A forma de ler também está mudando. Os títulos em papel continuam dominando o mercado e são a opção preferida de 92% dos leitores. Já a versão digital alcança 22% dos portugueses. Esse crescimento mostra que as telas não estão necessariamente afastando as pessoas dos livros; em alguns casos, ampliam as possibilidades de acesso.

susana@revistaentrerios.pt