O primeiro dia do MIMO Festival terminou em clima de festa. Fernanda Abreu subiu ao palco na noite desta sexta-feira (3), em Guimarães, e fez o público dançar ao som de clássicos que marcaram sua carreira, reunindo diferentes gerações em um espetáculo dedicado aos 30 anos do álbum Da Lata.

No repertório, não faltaram sucessos como Rio 40 Graus, Kátia Flávia e Garota Sangue Bom, além de um passeio pelas influências que ajudaram a construir a identidade musical da cantora. A proposta da turnê vai além da celebração de um disco histórico. Fernanda aproveita o palco para apresentar ao público o caminho que percorreu até consolidar seu estilo.

“Quando decidi fazer esse show celebrando o Da Lata, eu não quis apenas cantar as nove músicas do Da Lata. Eu quis trazer para as pessoas entenderem qual eram as minhas referências, o que estava no meu HD. Fiz um medley de funk carioca, que lá atrás, em 1989, me arrebatou. Fiz também um medley de música negra brasileira, que sempre foi uma referência para mim. Consegui contar uma história da Fernanda lá atrás, da dance music brasileira”, explicou à EntreRios após a apresentação.

Anitta. Crédito: Iude Richele Leia também Anitta fala sobre show em Lisboa, novo álbum e fase de mudanças na carreira

A resposta da plateia surpreendeu a artista. Sem saber exatamente qual perfil encontraria no festival, Fernanda contou que saiu do palco emocionada com a energia do público. “Esse show no Mimo foi especial porque eu não tinha ideia de como seria, se a plateia seria portuguesa, brasileira, mas quando começou a primeira música e vi as pessoas animadas e dançando o show todo, pra mim foi uma alegria. Eu sempre digo isso: o show não é só de quem está no palco, essa volta da energia do público é muito importante pra gente. Eu estou realizada”, afirmou.

Fernanda Abreu. Crédito: Jordan Alves.

Fernanda Abreu nos bastidores do festival após o show. Crédito: Jordan Alves.

A turnê também tem aproximado a cantora de um público que não acompanhou o lançamento de Da Lata há três décadas. “Tenho recebido uma receptividade muito grande da nova geração, pessoas que nem me conheciam, pessoas que nasceram depois que esse álbum foi lançado. Achei que eu fosse falar mais para o público da minha geração, e isso me surpreendeu. Isso prova que as músicas continuam atuais. Fazer um trabalho criado há 30 anos e perceber que ele ainda tem um frescor para 2026 é incrível”, comemorou.

Yoga, pilates e dança

Durante a conversa, Fernanda falou ainda sobre a rotina aos 64 anos e explicou que manter o corpo em movimento faz parte da profissão, mas também do prazer que sente em subir ao palco.

“Nem todo mundo trabalha com o que gosta. Eu sou bailarina e cantora. O canto e a dança são meu trabalho, mas também são um grande prazer. Alimentação é importante, mas eu como de tudo, só que com moderação. E faço exercício todos os dias. Pode ser balé, pilates, yoga ou uma caminhada”, contou.

Crédito: Reprodução / Instagram (@nos_alive) Leia também NOS Alive 2026: veja a programação completa e horários dos shows nos três dias do festival

Questionada sobre o momento atual do funk, ritmo que ajudou a popularizar desde o fim dos anos 1980, a cantora acredita que o gênero vive apenas mais uma etapa de transformação.

“Hoje é muito ‘senta, senta’, muita put*ria. Mas imagino que seja uma fase do funk. Eu acompanhei o funk raiz, o funk melody, o proibidão, o ostentação… Espero que daqui a pouco o pessoal comece a ir para outros lados”, comentou.

Relação com Rio de Janeiro

Antes de finalizar o bate-papo, Fernanda reforçou a ligação afetiva com o Rio de Janeiro, cidade que inspirou boa parte de sua obra e continua presente em suas apresentações.

Melly. Crédito: Divulgação Leia também Rock in Rio Lisboa: Melly fala sobre show no festival e parceria com Anitta: “Fiquei emocionada”

“Tenho mesmo no meu DNA a cidade do Rio de Janeiro. É uma cidade que me inspira muito. Apesar de tudo, ela resiste e sobrevive. O meu papel é levar para o mundo a cultura carioca, mostrar a nossa música. O Rio criou o samba, a bossa nova, o chorinho, o funk. O carioca é espontâneo, receptivo, de braços abertos. Fico emocionada quando percebo que as pessoas entendem esse sentimento”, disse.

O MIMO Festival continua até domingo (5), com uma programação gratuita que reúne Melly, Zé Ibarra, Coletivo Gira e outras atrações espalhadas pelos palcos instalados no centro histórico de Guimarães.

jordan@revistaentrerios.pt