Ana Rita Carmo, psicóloga e terapeuta de casal há mais de 30 anos, está atenta a uma fase que pode ser reveladora para muitos relacionamentos: o fim das férias. Depois de dias de convivência mais intensa, alguns casais retomam o dia a dia mais próximos e felizes, enquanto outros percebem que ficaram mágoas e questões por resolver.
Para a especialista, reconhecer que existem dificuldades não é necessariamente um mau sinal. Encarar aquilo que precisa de ser mudado pode abrir espaço para novas dinâmicas e contribuir para uma relação mais saudável. Com base na experiência de mais de três décadas, ela partilha algumas regras de ouro para uma boa relação.

Ana Rita Carmo, psicóloga e Terapeuta de Casal dá algumas dicas aos casais para um resto de ano tranquilo. Crédito: Divulgação Instagram
Não tomem decisões importantes quando estão cansados
Depois das férias, podem estar fisicamente cansados, financeiramente apertados e emocionalmente saturados. Uma discussão no aeroporto, três dias de mau humor ou a sensação de que “não conseguem estar juntos” não significam necessariamente que a relação termine. Às vezes, significa apenas que estão cansados e a descontar no outro os problemas.
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Prestem atenção àquilo que discutem sempre
Os casais raramente discutem apenas pelo motivo que apresentam. A toalha deixada no chão pode ser uma toalha. Mas também pode representar a sensação de que “sou sempre eu que trato de tudo”. O restaurante escolhido pode ser apenas um restaurante. Ou pode ser mais uma ocasião em que um decide e o outro cede
Não transformem o amor numa folha de Excel
Quem fez mais? Quem cedeu mais? Quem organizou as férias? Quem tratou das crianças? Quem gastou mais dinheiro? Quando o casal começa a questionar e a contabilizar permanentemente o que cada um dá, a relação corre o risco de se transformar numa sociedade comercial. E o amor não funciona assim. É importante que exista equilíbrio, claro. Mas equilíbrio não significa uma contabilidade diária de favores e sacrifícios.
Não esperem pela crise para voltar a ser um casal
É curioso: arranjamos tempo para tudo, trabalho, filhos, compras, mensagens, séries, redes sociais e depois dizemos que não temos tempo para a relação.
O casal precisa de espaço próprio. Não necessariamente de grandes viagens ou jantares caros. Precisa de conversa, de humor, de contacto, de curiosidade pelo outro. Precisa de momentos em que não seja apenas uma equipa de gestão da casa e da família.
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Levem alguma coisa das férias para a vida real
A pergunta mais interessante não é “Onde vamos no próximo verão?”. É outra: “O que aconteceu entre nós nestas férias que gostaríamos de continuar a viver?”
Talvez tenham falado mais. Talvez tenham descoberto que gostam de caminhar juntos. Talvez tenham dormido melhor. Talvez tenham percebido que precisam de estar mais sozinhos. Ou talvez tenham finalmente percebido que há assuntos que já não podem continuar a ser adiados.
As férias acabam. A rotina regressa. O despertador toca, o trabalho espera e as crianças voltam à escola. Mas o casal não precisa de voltar exatamente ao ponto onde estava, segundo a psicóloga.
E reforça “uma relação saudável não é aquela em que nunca há conflitos. É aquela em que, depois de os reconhecer, os dois conseguem perguntar: “E agora, o que fazemos com isto?”.
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Susana Gaião Mota