O Geoparque Algarvensis foi oficialmente reconhecido como Geoparque Mundial da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e passa a integrar a Rede Mundial de Geoparques da organização. A certificação foi entregue na sede da entidade, em Paris, e representa um marco histórico para o Algarve e para Portugal, ao projetar internacionalmente o patrimônio geológico, natural e cultural da região.

Com a distinção, o território algarvio junta-se a uma rede global formada por 241 Geoparques Mundiais da Unesco, distribuídos em 51 países. Portugal passa, assim, a contar com sete áreas com esse estatuto, reforçando sua presença internacional na valorização do patrimônio geológico e na promoção de modelos sustentáveis de desenvolvimento territorial.

O Geoparque Algarvensis localiza-se no sul de Portugal e abrange os municípios de Loulé, Silves e Albufeira, em um território contínuo de 2.427 quilômetros quadrados. A área reúne três zonas emblemáticas da região — Serra, Barrocal e Litoral — além de uma importante faixa marítima.

Rota da Biodiversidade. Crédito: Divulgação Leia também Esta nova rota do Alentejo combina caminhada, natureza e mesa farta; descubra

Segundo a Unesco, o reconhecimento distingue uma área com patrimônio geológico de relevância internacional, cuja história remonta a mais de 300 milhões de anos. O território preserva evidências de processos fundamentais da evolução do planeta, como a formação do supercontinente Pangeia, a abertura do Oceano Atlântico e episódios de extinção em massa.

Geossítio Rocha da Pena. Reprodução: site do Geoparque Algarvensis.

A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve destacou, em comunicado, que a conquista resulta de um trabalho articulado entre os municípios envolvidos, instituições científicas, entidades regionais e comunidades locais.

Presente à cerimônia em Paris, o presidente da Câmara Municipal de Loulé, Telmo Pinto, destacou os impactos futuros da certificação. “Este reconhecimento internacional traz uma responsabilidade maior, mas também uma oportunidade única de afirmarmos nosso território em um novo paradigma de desenvolvimento sustentável. Visitem-nos 365 dias por ano”, declarou.

Apesar da conquista, o título não é permanente. O território passará por um novo processo de revalidação em 2029, dentro de um sistema contínuo e rigoroso de monitoramento da Unesco.

“Trata-se de um processo de avaliação permanente, exigente e rigoroso. Esta distinção não é concedida de forma definitiva. Teremos de continuar cumprindo os critérios estabelecidos, mantendo-nos fiéis à nossa missão, visão e objetivos estratégicos”, acrescentou Telmo Pinto.

Por que visitar o Geoparque Algarvensis

O Geoparque Algarvensis é menos sobre “ver” e mais sobre percorrer, sentir e entender o Algarve. Ao contrário do litoral mais movimentado, aqui o convite é outro: pausas para contemplação, piqueniques em meio à natureza e exploração sem pressa. É o tipo de viagem que combina com quem quer desacelerar e viver o território.

O geoparque oferece diversas rotas e trilhos sinalizados, muitos deles circulares e com diferentes níveis de dificuldade. Há percursos entre cerca de 4 km e mais de 15 km, passando por serras, vales e aldeias. Alguns exemplos: Rocha da Pena (6,7 km), Fonte Benémola (4,2 km), Vale Fuzeiros (7,8 km) e Planalto do Escarpão (quase 8 km)

Além dos percursos clássicos, o geoparque propõe rotas com narrativa, que ajudam a entender o território: Rota do Mar à Rocha Vermelha (conecta litoral e interior), Rota Pegadas Ancestrais (une ciência, história e memória), Rota Melodia da Água (acompanha o papel da água na formação da paisagem).

Duna Fóssil da Praia Grande /Foto: Divulgação Geoparque Algarvensis

Os sítios geológicos do Geoparque Algarvensis funcionam como verdadeiros capítulos da história da Terra a céu aberto e revelam formações que atravessam milhões de anos — de rochas calcárias do Jurássico, como as escarpas da Rocha da Pena, a arribas fósseis como a do Ancão, que testemunham antigas linhas de costa e mudanças no nível do mar. Ao todo, o território reúne dezenas de locais de interesse científico, paisagístico e educativo, como minas, falhas geológicas, campos de lapiás e jazidas fósseis, que ajudam a compreender processos fundamentais da evolução do planeta, ao mesmo tempo em que oferecem cenários únicos para visitação. Mais do que pontos de observação, são lugares onde a geologia se torna experiência, conectando natureza, ciência e paisagem de forma acessível ao visitante.

O que é um Geoparque Mundial da Unesco

Na extremidade ocidental das ilhas-barreira da Ria Formosa, pode descobrir-se a arriba fóssil do Ancão. Reprodução: site do Geoparque Algarvensis.

De acordo com o Programa Internacional de Geociências e Geoparques da Unesco, um Geoparque Mundial é um território unificado que reúne locais e paisagens de importância geológica internacional, administrados de forma integrada, com foco em proteção, educação e desenvolvimento sustentável.

O modelo prevê participação ativa das comunidades locais, valorização da identidade regional, incentivo à pesquisa científica e criação de oportunidades econômicas ligadas ao turismo sustentável, à cultura e à educação ambiental.

Ao receber o reconhecimento, o Geoparque Algarvensis assume o compromisso de seguir os valores e princípios da Unesco, além de atender aos critérios estabelecidos pelo Programa Internacional de Geociência e Geoparques (IGGP), especialmente nas áreas de conservação, educação e desenvolvimento sustentável.

Castelo de Guimarães. Crédito: Associação de Turismo do Porto e Norte, A.R Leia também Guimarães: como a cidade portuguesa se tornou referência mundial em sustentabilidade

Também deverá atuar em sintonia com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), contribuindo para a promoção da alfabetização científica, para a proteção do patrimônio natural e para o fortalecimento do território nos cenários nacional e internacional.

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