Lisboa vem ampliando os espaços onde a arte contemporânea pode ser encontrada. Além de museus e centros culturais, hotéis, galerias independentes e outros endereços ligados à economia criativa também integram esse circuito. Um exemplo é o The Vintage Lisbon, que recebe, a partir da quinta-feira (17), a exposição The Curated Selection: Edition 2.0, com trabalhos de artistas e designers portugueses e internacionais que atuam em Portugal.
A mostra reúne fotografia, iluminação, cerâmica, escultura e objetos de design e ocupa o piso térreo do hotel até 15 de novembro. Em vez de concentrar as obras em uma sala, a proposta distribui as peças pelos ambientes de circulação e convivência, incluindo o The Hangout, espaço de encontro do hotel. A iniciativa faz parte do Creative Series, programa desenvolvido pelo The Vintage em parceria com a plataforma cultural The Curated Lisbon, fundada pela curadora Irina Gordienko.
Nas palavras de Irina: “Este é um projeto importante para Lisboa, porque reúne hotelaria, cultura contemporânea, arte, design e talento criativo local. The Curated Selection: Edition 2.0 reúne diferentes linguagens, materiais e sensibilidades, criando um diálogo entre as peças, o espaço e a própria cidade. Mais do que apresentar uma seleção de artistas e designers, interessa-nos criar um contexto em que cada obra possa ser descoberta, vivida e, sobretudo, sentida.”
Quando o hotel vira espaço de arte
A exposição reúne trabalhos de oito artistas e estúdios. Entre eles está o fotógrafo João Guimarães, arquiteto de formação, que explora em suas imagens a geometria, a luz e a materialidade dos espaços. Também participa o designer Martinho Pita, que transita entre arte, arquitetura e design e desenvolve peças de iluminação escultórica a partir de materiais portugueses.

Peças do fotógrafo João Guimarães. Crédito: Divulgação
A cerâmica ocupa parte importante da seleção. Studio Ēeme, Inês Valenti, Sofia Águas, Pareidólia Design, Daisy Eltenton e Melbu apresentam objetos que combinam funções cotidianas e experimentação artística.
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Há diferentes abordagens entre os criadores. O Studio Ēeme, fundado por Marie-Laure Davy e sediado no Monte Estoril, trabalha com cerâmica, escultura e design funcional. Inês Valenti explora formas orgânicas e a modelagem manual, enquanto Sofia Águas pesquisa a relação entre matéria, forma e emoção.

Peça da marca Melbu, criada pelas designers Raquel e Raquel. Crédito: Divulgação
Já a Pareidólia Design, criada pela arquiteta e designer de interiores Tatiana Ferreira, utiliza principalmente argilas portuguesas na produção de objetos, painéis cerâmicos e peças de iluminação. Daisy Eltenton trabalha com grés e busca inspiração no design escandinavo e nos rituais do cotidiano. A Melbu, criada pelas designers Raquel e Raquel, aproxima técnicas e referências da cultura portuguesa de uma linguagem contemporânea.
Ao serem inseridas nos ambientes do hotel, as obras deixam de ocupar apenas um espaço destinado à contemplação. Iluminação, objetos e cerâmicas passam a fazer parte da decoração e da rotina de quem circula pelo local.
Arte para além das salas de exposição

Peças de cerâmica de Inês Valenti. Crédito: Divulgação
A ideia de aproximar o público da produção contemporânea não fica restrita ao hotel. A programação do Creative Series inclui atividades que levam os participantes para outros pontos da cidade.
Uma delas é um percurso guiado por galerias de arte contemporânea e espaços independentes da região da Estrela, em Lisboa. A experiência, marcada para quarta-feira (30), será conduzida pela curadora Irina Gordienko e deve passar por quatro ou cinco endereços escolhidos de acordo com as exposições em cartaz no período.
A proposta é apresentar ao público uma parte da produção artística que acontece atualmente em Lisboa, incluindo espaços que nem sempre fazem parte dos roteiros turísticos tradicionais. Não é necessário ter conhecimento prévio de arte para participar.
O percurso começa no The Vintage Lisbon e acontece das 16h às 18h. O valor é de 45 euros por pessoa, e a reserva é necessária. O transporte não está incluído.
Da cerâmica ao contato com os artistas
Outro braço da programação são os workshops conduzidos por artistas. A proposta é colocar os participantes em contato direto com materiais, técnicas e processos de criação.
No sábado (19), será realizado um workshop de cerâmica, às 10h, com valor de 85 euros por pessoa. A atividade permite experimentar a modelagem manual e conhecer, na prática, etapas do trabalho que normalmente ficam restritas aos ateliês dos artistas.
Uma Lisboa vista por outros ângulos

The Hangout. Crédito: Divulgação
A presença da arte em espaços de hospedagem também acompanha uma maneira diferente de conhecer uma cidade durante uma viagem. Para além das exposições em instituições tradicionais, o visitante pode encontrar artistas, objetos, galerias e experiências criativas em diferentes momentos do roteiro.
No caso do The Vintage, a programação busca integrar a produção artística ao espaço de convivência. Localizado no piso térreo, o The Hangout funciona como área para café, trabalho, jogos e encontros, além de receber parte das obras da exposição.
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A ideia é que as peças não sejam apenas observadas, mas também façam parte da experiência de quem passa pelo espaço. Como elas estão disponíveis para compra, o visitante pode levar consigo uma fotografia, uma peça de cerâmica ou um objeto de design produzido por um criador ligado à cena contemporânea portuguesa.
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Fernanda Baldioti