O sábado começou com céu aberto, sol forte e os termômetros na casa dos 30 graus em Cascais. No fim da tarde, quando o calor ainda marcava presença, os Jardins do Casino Estoril já estavam tomados por um público que chegava para viver uma experiência prometida por Ivete Sangalo meses antes: transformar Portugal em uma grande roda de samba. E foi exatamente o que aconteceu.
“Quem me conhece sabe o que estou sentindo agora, neste momento, realizando esse projeto que se tornou a menina dos meus olhos: o Ivete Clareou. E trazer para esse país, que divide tantas vitórias comigo desde sempre, é muito especial. E será assim para sempre”, disse.
Em um palco montado em formato 360 graus, Ivete subiu ao palco às 19h, com uma hora de atraso, para levar pela primeira vez o Ivete Clareou para fora do Brasil. Cercada pelo público por todos os lados, a baiana fez de Cascais o primeiro destino internacional do projeto que já havia reunido mais de 55 mil pessoas no Brasil. A atmosfera combinava o calor típico de um dia de verão português com a energia de uma festa brasileira. Durante cerca de cinco horas, o samba tomou conta dos Jardins do Casino Estoril, com a plateia cantando, dançando e acompanhando de perto cada movimento da cantora.
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Antes de Ivete entrar em cena, o público já havia começado a ser conduzido para dentro dessa roda de samba. Entre as participações especiais esteve o Viva o Samba, um dos grupos de samba mais queridos de Portugal, que ajudou a aquecer a tarde e preparar o terreno para a chegada da baiana.

Ivete Sangalo cantou por quase cinco horas. Crédito: Fernanda Baldioti
A apresentação em Cascais também ganhou um significado especial porque, antes mesmo de o show acontecer, Ivete já havia deixado claro, em entrevista à EntreRios, que queria que Portugal não apenas assistisse ao projeto, mas fizesse parte dele.
“Tem coisas que a gente não explica. A gente vive. Quero muito que Portugal viva também comigo esse sonho. Eu já estive lá em Cascais turistando, é a coisa mais maravilhosa. Eu tô dizendo assim: vá que eu cuido de você, amor. Não se preocupe com nada. Você vai. Você me beija, você me ama, que vai ser lindo”, afirmou a cantora na ocasião.
A promessa ganhou forma neste sábado (05). Entre o céu azul, o calor de 30 graus e a paisagem de Cascais, Ivete colocou o público dentro do espetáculo e fez do palco circular uma extensão da própria roda de samba.
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A escolha de Portugal para marcar a primeira apresentação internacional do Ivete Clareou também reforçou uma relação construída ao longo de mais de duas décadas. Ivete estreou nos palcos portugueses em 2004 e, desde então, repetiu inúmeras vezes que o país já se tornou uma espécie de segunda casa.
Agora, essa relação ganhou um novo capítulo. Aos 30 anos de carreira, comemorados em 2025, Ivete atravessou o Atlântico levando consigo um projeto profundamente ligado às suas memórias.

Ivete Sangalo. Crédito: Fernanda Baldioti
O Ivete Clareou nasceu das lembranças da infância da cantora em Juazeiro, na Bahia, onde o samba fazia parte da paisagem afetiva de sua formação. Inspirado na atmosfera de uma grande roda de samba, o espetáculo homenageia nomes fundamentais do gênero, como Clara Nunes, Demônios da Garoa e Alcione.
No palco 360 graus, a proposta é justamente quebrar a distância entre artista e plateia. Não há um único ponto de vista privilegiado: Ivete circula, se aproxima e transforma o público em parte essencial da apresentação. Em Cascais, essa dinâmica ganhou ainda outro elemento: o cenário português. Entre os jardins do Casino Estoril e a proximidade do mar, as memórias baianas de Ivete encontraram uma paisagem completamente diferente, mas igualmente marcada pela música e pela celebração.
A apresentação também marcou a expansão internacional de um projeto que, segundo a própria cantora, nasceu de algo difícil de explicar. Cascais viveu o sonho que Ivete havia prometido. Por algumas horas, os Jardins do Casino Estoril deixaram de ser apenas um cenário e se transformaram em uma grande roda de samba, com milhares de pessoas cantando, dançando e celebrando juntas. O “samba de mainha” atravessou o Atlântico. E Portugal, como Ivete queria, não ficou apenas assistindo. Viveu.
jordan@revistaentrerios.pt

Jordan Alves