A presidente do Museu do Louvre, Laurence des Cars, deixou o comando do Museu do Louvre em meio aos desdobramentos do roubo milionário de joias registrado em outubro. O Palácio do Eliseu informou que a renúncia foi aceita como um “ato de responsabilidade” em um momento considerado estratégico para restaurar a confiança e garantir estabilidade administrativa ao museu mais visitado do mundo.

“O chefe de Estado aceitou a renúncia, saudando um ato de responsabilidade em um momento em que o maior museu do mundo precisa de tranquilidade e de um novo impulso para realizar grandes projetos de segurança e modernização, assim como o projeto Louvre – Novo Renascimento“, afirmou a Presidência em comunicado.

Macron e Laurence em visita presidencial no Museu do Louvre em 2025

Laurence des Cars recebe o presidente francês Emmanuel Macron no Louvre em 2025. Crédito: Bertrand Guay/Lusa

Primeira mulher a dirigir o Louvre, Laurence estava no cargo desde 2021 e vinha conduzindo uma agenda voltada à modernização, diversidade e aproximação com novos públicos, após passagem pelo Museu de Orsay. A saída ocorre em um contexto de pressão por reforço na segurança e reestruturação interna, especialmente diante do projeto Louvre – Novo Renascimento, que prevê investimentos em infraestrutura e atualização dos sistemas de proteção do acervo.

A crise

Desde 19 de outubro de 2025, o Museu do Louvre enfrenta uma das fases mais turbulentas de sua história recente. O roubo de joias históricas da Galeria de Apolo, ocorrido cerca de 30 minutos após a abertura ao público, expôs fragilidades na segurança do museu mais visitado do mundo, que abriga mais de 33 mil obras, entre elas a icônica Mona Lisa.

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O Museu do Louvre é o mais visitado do mundo e recebe uma média de quase 9 milhões de pessoas por ano. Crédito: Jordan Alves

Criminosos utilizaram um caminhão e uma escada mecânica para acessar o primeiro andar, quebraram uma janela sem blindagem e arrombaram vitrines de alta segurança, levando oito peças da coleção real francesa. Uma nona joia a coroa da imperatriz Eugênia, esposa de Napoleão III, foi abandonada e encontrada danificada.

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A crise se aprofundou nos meses seguintes com novos episódios que afetaram a credibilidade da instituição. Problemas estruturais, como vazamentos de água, greves de funcionários e, mais recentemente, a revelação de um esquema de fraude na venda de ingressos envolvendo também o Palácio de Versalhes, ampliaram a pressão sobre a gestão.

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O “lar” de Mona Lisa reúne mais de 33 mil obras, da Mesopotâmia aos grandes mestres europeus. Crédito: Jordan Alves

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Em 13 de fevereiro, nove pessoas foram detidas sob suspeita de participação no esquema, que teria causado prejuízo superior a 10 milhões de euros, segundo o Ministério Público de Paris. O conjunto de ocorrências colocou o Louvre no centro de um debate nacional sobre segurança, governança e modernização de suas operações.

jordan@revistaentrerios.sapo.pt

 

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