O escritor e jornalista José Eduardo Agualusa foi um dos destaques do Encontro de Escritores — Dois Atlânticos, realizado nesta segunda (1) na Embaixada do Brasil em Portugal, como parte da programação da Semana do Brasil em Portugal. Ao lado do acadêmico José Roberto de Castro Neves, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), Agualusa compartilhou reflexões sobre literatura, criação artística e os desafios trazidos pela inteligência artificial, defendendo o papel central da imaginação e da experiência humana na produção literária. Durante sua participação, o autor comparou a escrita à dança e ressaltou a importância da entrega ao processo criativo.
“Escrever é como dançar. Quando você está a dançar, você não pode pensar que está a dançar. Tem que se deixar a dançar. Tem que se deixar dominar”, afirmou.
Ao abordar a construção de personagens e universos ficcionais, Agualusa destacou a capacidade da literatura de ampliar horizontes e promover empatia. Para ele, o escritor precisa ultrapassar os limites da própria experiência e assumir múltiplas perspectivas.
“O escritor é plural, tem de ser todos, tem de saber ser todos”, disse.

José Roberto Castro Neves e José Eduardo Agualusa durante o painel nesta segunda (1). Crédito. Jordan Alves
Como exemplo, citou a escritora brasileira Ana Paula Maia, elogiando sua habilidade de criar personagens distantes de sua realidade pessoal. Segundo Agualusa, “a grandeza da literatura é essa oportunidade de você entrar no coração do outro”. O autor também descreveu a intensidade do trabalho de criação de um romance, relatando que, durante a escrita, permanece profundamente imerso no universo narrativo e nas vozes de seus personagens.
Questionado sobre os impactos da inteligência artificial na literatura, Agualusa reconheceu o potencial tecnológico da ferramenta, mas defendeu que ela permanece subordinada à criatividade humana. “A inteligência artificial é um instrumento extraordinário”, afirmou, comparando-a a uma máquina fotográfica que depende do talento de quem a utiliza.

José Roberto de Castro Neves, o embaixador do Brasil em Portuga Raimundo Carreiro e José Eduardo Agualusa. Crédito: Jordan Alves
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Para o escritor, a intuição, a sensibilidade e as experiências de vida continuam sendo elementos insubstituíveis na criação literária.
“Um mau escritor nunca vai escrever um bom romance por inteligência artificial. Mas um bom escritor, talvez, escreva um livro melhor”, avaliou.
Ao encerrar sua reflexão, Agualusa reforçou que a tecnologia pode ampliar possibilidades, mas não substitui aquilo que considera essencial na literatura que é a capacidade humana de imaginar, sentir e transformar experiências em narrativa.
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Os encontros na Embaixada fazem parte da Semana do Brasil em Portugal, que entre outros eventos, inclui a XIV edição do Fórum de Lisboa.
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Jordan Alves