Há lugares capazes de mudar os planos de uma viagem. O Lago Maggiore, que se estende entre a Itália e a Suíça, é um deles. A região reúne paisagens, cidades históricas, ilhas, jardins e palácios que fazem com que poucos dias pareçam insuficientes para conhecer tudo. A cada passeio, surge uma nova possibilidade de roteiro, uma nova travessia de barco ou um lugar que merece ser explorado com mais calma.

A capixaba Patricia Orem, fundadora da Casa della Capra, uma boutique guest house na região, explica que o Lago Maggiore ainda é um destino pouco reconhecido pelos brasileiros: “No Brasil, todo mundo fala do Lago de Como, mas, para mim, o Lago Maggiore dá um banho. É um destino incrível para pedalar, com percursos planos e montanhas que oferecem desafios e vistas espetaculares. Também tem uma história muito rica de jardins botânicos e uma gastronomia notável, com a oportunidade de participar de eventos com chefs de grande prestígio”.

Casa della Capra: opção de hospedagem com anfitriões brasileiros às margens do Lago Maggiore / Foto: Divulgação

A ligação de Patricia com o território também é familiar: “A família do meu marido, que é de São Paulo, vem daqui, com registros que remontam a 1600, e ainda mantém uma casa na família. Quando criamos a Casa della Capra, quisemos declarar nosso amor por esse território e compartilhar essa joia com quem vem conhecê-lo. Nossa boutique guest house tem uma alma cosmopolita, mas abraça a Itália por meio da arte, da bicicleta e da cozinha, que são as experiências que propomos aos nossos hóspedes. No fundo, o que queremos é compartilhar nossa paixão por esse lugar.”

Verbania, onde começa a viagem pelo lago

Verbania é uma das boas bases para conhecer a região. A cidade reúne duas localidades principais, Intra e Pallanza, cada uma com sua própria atmosfera. Entre passeios pela orla, ruelas, jardins e espaços culturais, há muito o que descobrir sem a necessidade de percorrer grandes distâncias.

Um dos destaques é o Jardim Botânico de Villa Taranto, em Pallanza, criado pelo escocês Neil McEacharn a partir de 1931. Caminhar pelos jardins permite observar espécies de diferentes partes do mundo e apreciar uma paisagem que se transforma de acordo com as estações. A cidade também abriga o Museo del Paesaggio, dedicado à arte e à paisagem.

Para os brasileiros que estiverem por ali nos próximos meses, há ainda um motivo especial: a artista brasileira Christina Oiticica apresenta a exposição Quando o céu invade a terra, em Verbania, até 27 de outubro.

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Isola Bella: um palácio sobre a água

Vista da Isola Bella. Crédito: Fernanda Baldioti

A Isola Bella é um dos grandes encantos do Lago Maggiore. A chegada de barco já integra a experiência: à medida que a ilha se aproxima, o palácio, cercado por jardins em terraços, surge diante do visitante como uma construção que parece flutuar sobre o lago.

O Palazzo Borromeo é um daqueles lugares em que a arquitetura e a paisagem se tornam inseparáveis. A residência histórica, pertencente à família Borromeo, começou a ser construída no século XVII e foi transformada ao longo dos séculos. Seus salões, galerias e jardins barrocos ajudam a contar a história de uma família que deixou uma marca profunda na região.

Um dos pontos de destaque é a vista do palácio para a água. O cenário permite observar a paisagem que, durante séculos, também foi contemplada por personagens históricos que passaram pelo local.

Entre elas, Napoleão Bonaparte. O general francês esteve na Isola Bella em 1797, acompanhado de Josephine. No palácio, há a cama onde ele dormiu.

A visita combina história, arte e paisagismo. Mesmo depois de conhecer os ambientes internos, vale reservar um tempo para percorrer os jardins e observar o Lago Maggiore a partir de diferentes ângulos.

A travessia também faz parte do passeio

Isola dei Pescatori. Crédito: Fernanda Baldioti

No Lago Maggiore, o barco não é apenas um meio de transporte entre uma atração e outra. As travessias integram o próprio passeio e permitem observar as margens, as montanhas e as construções históricas de uma perspectiva diferente, enquanto o movimento da água acompanha o percurso.

Se a Isola Bella impressiona pelo palácio e pelos jardins, a Isola dei Pescatori apresenta outro ritmo. Mais rústica e simples, a ilha preserva uma atmosfera próxima à vida tradicional às margens do lago, com ruas estreitas e casas que remetem à história de uma antiga vila de pescadores.

São experiências distintas e, justamente por isso, conhecer mais de uma ilha pode enriquecer o roteiro. Os valores variam conforme o ponto de partida, e os preços, horários e itinerários estão disponíveis no portal da operadora Navigazione Lago Maggiore. A entrada nos palácios e jardins pode ser cobrada separadamente, de acordo com o bilhete escolhido.

Stresa e o lago visto do alto

Verbania. Crédito: Fernanda Baldioti

Outra parada que merece espaço no roteiro é Stresa, uma das cidades mais conhecidas do Lago Maggiore. Assim como Verbania, mantém uma forte relação com a água e apresenta uma atmosfera elegante, mas com personalidade própria.

Stresa e Verbania podem parecer semelhantes em alguns aspectos, mas cada uma tem características particulares. Essa variedade torna os deslocamentos pelo lago especialmente interessantes: em poucos quilômetros, a atmosfera da viagem pode mudar completamente.

Um destino entre Milão e Genebra

Outra vantagem do Lago Maggiore é sua localização. A região fica relativamente próxima de grandes cidades europeias, o que permite incluí-la em roteiros mais amplos pela Itália ou pela Suíça.

Verbania está a cerca de 70 a 80 quilômetros de Milão, dependendo do trajeto, e a aproximadamente 280 quilômetros de Genebra por estrada. Isso faz do lago uma possibilidade para quem está planejando uma viagem a partir de uma dessas cidades, embora o tempo de deslocamento varie conforme o meio de transporte e as conexões.

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A proximidade também ajuda a entender por que a região pode funcionar tanto como uma parada de alguns dias quanto como destino principal de uma viagem. Há atrações suficientes para montar diferentes roteiros, sem que seja necessário percorrer grandes distâncias a cada passeio.

No fim, o Lago Maggiore é um destino que recompensa quem não tem pressa. Entre ilhas, palácios, jardins, cidades históricas e travessias de barco, alguns dias extras podem fazer diferença para conhecer a região com mais calma e descobrir lugares que não estavam previstos no roteiro inicial.

Sete lugares e programas para conhecer ao redor do Lago Maggiore

Jardim Botânico de Villa Taranto. Crédito: Fernanda Baldioti

1. Jardim Botânico de Villa Taranto, em Verbania
Um dos grandes passeios da região, com jardins que reúnem espécies de diferentes partes do mundo. Vale reservar algumas horas para caminhar sem pressa pelo espaço.

2. Isola Bella
A mais cenográfica das Ilhas Borromeias, com o Palazzo Borromeo e seus jardins barrocos em terraços que descem em direção ao lago.

3. Isola Madre
A maior das Ilhas Borromeias abriga um palácio histórico e um jardim botânico conhecido pela variedade de espécies e pela atmosfera mais tranquila.

4. Isola dei Pescatori
Pequena, rústica e charmosa, conserva ruas estreitas e construções que remetem à antiga vila de pescadores. É uma boa parada para caminhar e observar o lago.

5. Stresa
Uma das cidades mais conhecidas do Lago Maggiore, com uma elegante orla, cafés, restaurantes e acesso fácil às Ilhas Borromeias.

6. Santuário della Madonna del Sasso
Do lado suíço do lago, em Orselina, o santuário fica no alto de uma encosta com vista para Locarno e o Lago Maggiore. O conjunto religioso também vale pela arquitetura e pelas obras de arte.

7. Funicular de Laveno
Em Laveno-Mombello, na margem leste do lago, o funicular leva até a região montanhosa e proporciona uma vista panorâmica do Lago Maggiore. O trajeto, curto e inclinado, já é parte do passeio.

fernanda@revistaentrerios.pt