Lisboa ganhou um novo espaço dedicado ao cuidado da saúde mental e ao bem-estar. O Santuário da Mente, apresentado como o primeiro Centro de Neurowellness da cidade, abriu as portas na quarta-feira (23) pelas mãos da psicoterapeuta, escritora e palestrante Maria Klien. A proposta é reunir, em um mesmo endereço, experiências voltadas para mente, corpo, emoções, cultura e convivência.

Localizado na Rua do Vale de Pereiro, o espaço reúne massagens terapêuticas, sound healing, yoga, meditação, workshops, palestras e o Clube do Livro. A programação também inclui instalações e exposições temporárias de artistas mulheres, além de um espaço gastronômico pensado para estimular a permanência e as conversas.

Entre as atividades estão massagens terapêuticas, sound healing, yoga, meditação e workshops. Reprodução/Instagram @santuariodamente

A ideia de Neurowellness parte de um cuidado preventivo com a saúde do cérebro e do sistema nervoso, sem separar esses aspectos do corpo, das emoções e das relações. Para Maria, esse olhar ganha importância em uma rotina marcada pela hiperconexão e pela dificuldade de criar momentos de pausa.

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À frente do projeto, a psicoterapeuta é mestra em Psicologia em Portugal e especialista nos caminhos do medo e da ansiedade. Em entrevista exclusiva à EntreRios, ela explica o conceito de Neurowellness, fala sobre a chamada “higiene mental”, alerta para o risco de transformar o autocuidado em mais uma cobrança e propõe um ritual simples de 15 minutos para incorporar momentos de presença à rotina. Confira!

O que é Neurowellness e por que esse conceito faz sentido hoje?

Neurowellness é cuidar do cérebro antes que ele precise gritar por socorro. É entender que a saúde mental não começa quando aparece um diagnóstico. Ela é construída todos os dias, na forma como dormimos, respiramos, nos movimentamos, nos relacionamos, lidamos com o estresse e criamos espaços de pausa. Isso faça muito sentido em um tempo em que estar disponível virou quase uma obrigação. Foi desse desejo que nasceu o Santuário. Quero que uma mulher possa procurar cuidado porque deseja se conhecer, ter mais alegria, sentir-se acompanhada.

Psicoterapeuta Maria Klien. Crédito: Divulgação

Existe uma “higiene mental” que deveríamos incorporar à rotina?

Sim, desde que essa higiene não seja entendida como uma tentativa de limpar da mente tudo o que incomoda. Tristeza, raiva e medo não são sujeira. Fazem parte da nossa humanidade. Sugiro começar pelo básico, que às vezes fica esquecido enquanto procuramos soluções mais sofisticadas: proteger o sono, movimentar o corpo, comer com consciência e manter contato com pessoas com quem podemos contar, fortalecendo assim nossa rede de apoio. Reservar algum tempo para uma leitura, uma música ou uma caminhada também pode fazer parte desse cuidado. E acrescentaria uma pergunta simples ao longo do dia: “Como eu estou, de verdade?”. Muitas vezes, encontrar em si uma boa companhia é fundamental para nossa rotina.

Como perceber se o autocuidado está virando mais uma cobrança?

Eu observaria a relação que estamos criando com aquela atividade. Colocar uma pausa na agenda pode ser necessário e até ajudar a protegê-la. O problema, para mim, aparece quando começamos a nos avaliar o tempo todo: meditei direito? Descansei o suficiente? Por que ainda estou ansiosa?Se eu me sinto culpada por não cumprir o ritual ou me trato como alguém que fracassou porque não conseguiu relaxar, vale rever essa cobrança.

Espaço do Santuário da Mente. Crédito: Divulgação

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Qual seria um ritual possível de 15 minutos em casa?

Deixar o celular de lado por esse curto período é um começo importante, e se acomodar em um lugar confortável. Um pequeno intervalo em que ninguém precisa receber uma resposta sua.

Novo Centro de Neurowellness em Lisboa propõe cuidado com mente, corpo, emoções e relações. Crédito: Divulgação

A ideia é um mergulho em si mesmo. Apoiar os pés no chão, respirar com presença, encontrando um ritmo confortável. Não é preciso fazer uma respiração perfeita. Aliás, nada precisa ser perfeito, só consciente. Isso pode ser feito ao tomar banho, ao lavar a louça, antes de dormir ou quando acordar. Sem rigidez, adaptando a sua rotina para que seja possível, senão caímos na armadilha de mais uma obrigação rígida.

Vale escrever?

Eu pratico meditação e depois uma escrita livre todos os dias. Me proponho a escrever pelo menos um acontecimento pelo qual posso ser grata naquele dia e sempre me surpreendo com a generosidade da vida. Também se pode dedicar esse tempo a escrever algumas linhas: “O que está ocupando espaço em mim hoje? Do que estou precisando?”. Sem cobrança de encontrar uma solução. Pode ser uma frase, uma palavra, o reconhecimento de um cansaço. Essas são sugestões, não regras. E essa pausa não substitui acompanhamento quando o sofrimento persiste ou começa a atrapalhar a vida. Pedir ajuda também é cuidado.

Serviço

Santuário da Mente – Centro de Neurowellness
Endereço: Rua do Vale de Pereiro, 17, RC, Lisboa
Contato: (+351) 967 176 975
E-mail: portal@santuariodamente.com

fernanda@revistaentrerios.pt