Nessa quarta-feira (1), em Lisboa, 13 startups selecionadas pela Unicorn Factory apresentaram os resultados das soluções desenvolvidas e testadas durante o Rock in Rio Lisboa 2026. As empresas participaram de um projeto que transformou o festival em um verdadeiro laboratório de inovação, com tecnologias voltadas à mobilidade, sustentabilidade, acessibilidade e melhoria da experiência do público.
As apresentações aconteceram no estande do Smart City of Rock, iniciativa coordenada pela Liquid Innovation em parceria com a Universidade de Lisboa, a Câmara Municipal de Lisboa e a MEO. Ao longo do festival, as startups tiveram a oportunidade de validar seus projetos em um ambiente real, diante de milhares de visitantes.

Roberta Medina e representantes da iniciativa Smart City of Rock apresentam resultados da iniciativa. Crédito: Renan Araujo
As startups testaram soluções tecnológicas e inovações que tinham como objetivo melhorar a experiência do público e gerar dados estratégicos sobre o festival. A proposta era a de utilizar a Cidade do Rock como um ambiente de testes em escala real para validar tecnologias e avaliar seus resultados antes que elas fossem implementadas em outros espaços e contextos urbanos. O Smart City of Rock também deve ser levado para o Rock in Rio no Brasil em setembro.
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Ao todo, quase 40 mil das 330 mil pessoas presentes no festival participaram das experiências e ativações das startups e mais de 200 mil dispositivos estiveram de alguma forma ligados à Smart City of Rock não apenas por meio das atrações como também pelo uso de tecnologias como realidade virtual e realidade aumentada. Também foram realizadas mais de quatro mil reservas de atrações por meio das soluções.
Ao todo, 5.617 pessoas visitaram o estande da Smart City of Rock ao longo dos quatro dias de festival. As startups conquistaram quase quatro mil novos assinantes, além de 3,6 mil novas vendas, o que sinaliza um impacto econômico para elas. Houve ainda 1,24 terabytes de dados trafegados no Smart City Hub.
“Imaginem uma cidade com 100 mil habitantes, ou até um pouco mais, se divertindo, experimentando novas soluções e, ao mesmo tempo, contribuindo para a sua validação. É um teste de esforço extraordinário para qualquer tecnologia”, avalia Egon Barbosa, CEO da Liquid Innovation.
Soluções apresentadas
Entre as soluções oferecidas estavam a disponibilidade das filas dos banheiros e de estandes para a retirada de brindes por meio do aplicativo, para a indicação de power banks disponíveis, a divulgação de iniciativas para promover a geração de energia limpa e reciclagem de materiais e a coleta de dados sobre monitoramento climático, monitoramento do funcionamento e de gastos de energia, soluções de audiodescrição para pessoas com algum tipo de deficiência visual.
Em tempo real, o estande do Smart City of Rock também apresentou as transmissões de cada um dos palcos e números importantes sobre o festival em um grande dashboard, incluindo dados sobre ocupações de banheiros, número de atendimentos médicos, dados de mobilidade, gestão dos trabalhadores, entre outros.
“Esse evento demonstra na prática todas as áreas em que trabalhamos: inteligência artificial, sustentabilidade, saúde e muitas outras, que permitem que estas comunidades continuem a crescer e a criar ligações de grande valor. Em conjunto com parceiros internacionais conseguimos continuar a fortalecer o ecossistema de inovação em Portugal e na cidade de Lisboa”, ressaltou Gil Azevedo, diretor executivo da Unicorn Factory.
Ele ressaltou que o trabalho das startups não terminou no festival, uma vez que elas terão a oportunidade de oferecer essas soluções para utilização na cidade de Lisboa. Ao todo, serão definidas oito áreas prioritárias para o oferecimento de soluções para a Câmara Municipal de Lisboa.

Dashboard com informações em tempo real sobre o Rock in Rio Lisboa 2026. Crédito: Renan Araujo
“Quando reunimos profissionais aqui, queremos desafiá-los a pensar em coisas que talvez ainda não estejam prontas, que talvez ainda nem existam no mundo, ou que sejam completamente novas e possíveis. É muito bom poder estar em um espaço onde podemos criar, sonhar, testar. Precisamos nos desafiar e inovar todos os anos”, disse Roberta Medina, vice-presidente executiva do Rock in Rio.
Ela reforçou que hoje são mais de 340 empresas que trabalham para tornar o festival possível. Para ela, mais do que atrair turistas pela música e pelo entretenimento, o objetivo também é que as soluções desenvolvidas tenham seus reflexos sentidos para além do festival.
“Esperamos continuar contribuindo para todo o setor, oferecendo espaço e visibilidade para boas soluções, não apenas para a indústria do entretenimento e dos eventos, mas principalmente para as cidades. Porque qualquer cidade pode se beneficiar dessas inovações”, disse.
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Rita Tomé, diretora executiva da Universidade de Lisboa, afirmou que a instituição, por meio de suas 19 faculdades, contribuiu para o desenvolvimento das soluções por meio do conhecimento científico. Para ela, é essencial que as pesquisas desenvolvidas vão além das paredes da universidade.
“Quando setor público, setor privado, universidades e empreendedores trabalham juntos para apoiar a inovação, conseguimos transformar ideias em realidade. Nossa missão é gerar conhecimento, compartilhá-lo com a sociedade e construir soluções relevantes em parceria com quem já está atuando no mercado”, relatou.
renan@revistaentrerios.pt

Renan Araújo