Aos 82 anos, Maria João Pires anuncia uma nova etapa dedicada ao ensino de piano. A prestigiada pianista portuguesa prepara o lançamento da primeira edição da “MJP Piano Academy”, uma plataforma voltada à formação de estudantes e ao intercâmbio de conhecimentos musicais. A iniciativa prevê ainda inscrições para masterclasses presenciais no Centro de Artes de Belgais, em Castelo Branco.
O novo projeto já oferece inscrições para as chamadas “Explicações online” e deverá disponibilizar, em breve, um novo formato de aulas, os “workshops online”. As atividades serão realizadas semanalmente, em grupos de três a quatro alunos.
A proposta amplia o acesso ao trabalho de Maria para quem vivem fora de Portugal. Além das aulas, os workshops poderão ser acompanhados por meio de um plano de assinatura.
Os participantes terão acesso aos eventos mensais e a uma sessão de perguntas e respostas com a pianista. Haverá, assim, formação musical e contato direto com uma das principais intérpretes portuguesas de sua geração.
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Para a artista, ensinar vai muito além da transmissão de conhecimentos técnicos. “É uma forma de diálogo por meio da música, um ‘dar e receber’, uma troca de impressões, uma aprendizagem compartilhada na arte de ouvir, uma busca pelo equilíbrio”.
Paralelamente à criação da academia, a pianista trabalha em um plano de reabertura do Centro de Artes de Belgais. O objetivo é ampliar a variedade de eventos e experiências presenciais, além de expandir o alcance das atividades por meio de uma plataforma digital de Belgais, destinada a pessoas de todo o mundo.
Para quem estuda o instrumento, o contato com Maria João Pires também representa a possibilidade de conhecer de perto sua experiência como intérprete. Ao longo da carreira, ela se destacou por suas leituras de compositores como Mozart, Beethoven, Schubert, Chopin, Bach e Schumann.
Quem é Maria João Pires
Nascida em Lisboa, em 23 de julho de 1944, sua projeção ganhou força após a conquista do primeiro prêmio do Concurso Internacional Beethoven, em 1970. A partir daí, seu nome passou a figurar nos programas das principais salas de concerto do mundo e nos catálogos de grandes gravadoras.
Ao longo da carreira, recebeu importantes distinções, entre elas o Prêmio do Conselho Internacional da Música, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), em 1970; o Prêmio Pessoa, em 1989; a Medalha de Mérito Cultural do Governo português; o Prêmio Personalidade do Ano/Martha de la Cal, da Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal, em 2019; e o Praemium Imperiale, concedido pela Associação de Arte do Japão, em 2024.
No campo discográfico, foi distinguida quatro vezes pela Academia Charles Cross, recebeu indicações regulares ao Grammy e conquistou um prêmio Gramophone.
Entre os destaques de sua discografia estão interpretações das Sonatas e dos “Impromptus”, de Schubert, dos “Nocturnos”, de Chopin, e dos Concertos de Mozart e Beethoven.
A artista afastou-se dos palcos em 2025, após um problema de saúde que levou à suspensão de uma turnê por palcos europeus e asiáticos.
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Em 2025, fundou também o Centro Belgais para o Estudo das Artes, em Escalos de Baixo, Castelo Branco, espaço que agora ganha uma nova dimensão com a expansão das atividades de ensino para o ambiente digital.
A “MJP Piano Academy” surge, portanto, como uma forma de manter vivo o diálogo entre música e aprendizagem e permitir que estudantes de diferentes lugares se aproximem de uma das grandes referências do piano.
susana@revistaentrerios.pt

Susana Gaião Mota