O segundo dia do MEO Kalorama teve Lauryn Hill como grande estrela da noite, e possivelmente de todo o festival. Foi também o dia mais movimentado, com maior presença e participação do público. A programação começou cedo com Criolo, Amaro Freitas e Dino D’Santiago, uma das apresentações de destaque da noite, que levou fãs brasileiros, portugueses e cabo-verdianos ao Parque Bela Vista desde as primeiras horas do festival.
A seguir, confira como foram os shows do trio e de Lauryn Hill, que dividiu o palco com Wyclef Jean, e com os filhos YG e Zion Marley, ambos fruto da relação com Rohan Marley, filho de Bob Marley.
Criolo, Amaro e Dino

Criolo, Amaro e Dino apresentaram novo projeto. Crédito: Renan Araujo
Criolo, Amaro Freitas e Dino Santiago se juntaram no show do MEO Kalorama para celebrar os sucessos do álbum Criolo, Amaro e Dino, que mistura ritmos e origens ancestrais de Brasil, Portugal e Cabo Verde, com um diálogo entre rap, jazz, música afro-atlântica e música eletrônica suave.
O álbum foi gravado entre Lisboa, São Paulo, Rio de Janeiro e Recife, mas liga os três artistas pelas raízes ancestrais africanas e lusófonas. Esse é o segundo show do trio nessa turnê em Portugal. Em junho, eles se apresentaram no Primavera Sound, no Porto
O show deste sábado (29) foi marcado pelo entrosamento dos três artistas, que encontraram espaço para mostrar suas próprias identidades sem perder a sintonia no palco. A admiração pelo trabalho dos colegas também ficou evidente nos momentos em que cantavam juntos e acompanhavam os versos uns dos outros.
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Grande parte do repertório foi dedicada ao novo disco, permitindo que o público cantasse junto em trechos como “Teu sorriso amanhecer, nosso amor no entardecer e anoitecer no teu beijo”. Dino D’Santiago abriu a apresentação com alguns dos principais momentos do repertório, enquanto Amaro Freitas ganhou seu espaço para explorar as possibilidades do piano e improvisar ao lado de uma banda afinada. As experimentações passaram por diferentes sonoridades, incluindo funk e música clássica.
No segundo ato, Criolo assumiu o comando da plateia. Com forte presença de palco, o rapper levou o público ao delírio ao revisitar sucessos como Não Existe Amor em SP e Subirudoistiozin, recebendo aplausos e gritos a cada verso. Dino também trouxe para a apresentação referências ao batuque e a outros ritmos africanos, reforçando a conexão com suas raízes.
As conversas entre os três artistas ajudaram a contar a história por trás do encontro. Em um dos momentos mais especiais, Dino relembrou como conheceu Criolo, em 2011, e contou sobre a amizade construída desde então. Depois de uma viagem a Cabo Verde, quando o brasileiro conheceu a família do cabo-verdiano, a relação ganhou ainda mais força. Ela é Foda, apontada por Dino como a música que deu origem ao projeto, veio logo na sequência.
Tudo aconteceu sob o pôr do sol no Parque Bela Vista, diante de um público que chegou cedo para acompanhar a apresentação. No fim, ficou a sensação de que o encontro poderia ter durado ainda algumas horas.
Lauryn Hill

Lauaryn Hill no show que foi o mais lotado do MEO Kalorama 2026. Crédito: José Sena Goulão
A presença de Lauryn Hill em Portugal era aguardada havia 16 anos. Vencedora de oito Grammys, a cantora construiu uma trajetória marcada por trabalhos como The Score, com o Fugees, e The Miseducation of Lauryn Hill, além de colaborações com outros artistas. Ao combinar hip-hop, neo soul, rap, R&B e reggae, ajudou a criar uma sonoridade própria e se tornou uma das vozes femininas de maior destaque no rap nas últimas décadas. The Miseducation of Lauryn Hill integra o Grammy Hall of Fame e aparece com frequência em listas de grandes álbuns de todos os tempos.
A volta ao país ganhou um significado especial: o show aconteceu no ano em que The Score completa 30 anos. Ao lado de Wyclef Jean, parceiro dos tempos de Fugees, Lauryn revisitou sucessos do grupo, como Manifest, Fu-Gee-La, The Score e Zealots. As faixas se alternaram com clássicos da carreira solo, como Everything Is Everything, Doo Wop (That Thing) e Lost Ones.
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Depois de cantar To Zion, dedicada ao filho primogênito, Lauryn chamou Zion Marley ao palco. Na sequência, foi a vez de YG Marley, que colocou o reggae no centro da apresentação. O artista cantou sucessos próprios, como Praise Jah to the Moonlight, e dividiu com Lauryn e Wyclef clássicos de seu avô, Bob Marley, incluindo No Woman, No Cry, Three Little Birds e Turn Your Lights Down Low. Nesta última, Lauryn também participou.
O reggae veio acompanhado de mensagens políticas exibidas no telão, com imagens relacionadas à luta contra o racismo e o preconceito, além de referências à resistência e à cultura negra e uma homenagem aos jamaicanos responsáveis por levar o gênero ao mundo. A plateia, já bastante animada, manteve a energia em alta durante toda a sequência.
Na reta final, o repertório ganhou uma dose de surpresa com Maria, Maria, composição que contou com a participação de Wyclef Jean, Guantanamera, em uma versão gravada por Jean e Lauryn, e Hips Don’t Lie, de Shakira, que também teve a participação do rapper.
Para encerrar, Lauryn reservou alguns dos maiores clássicos da carreira. Killing Me Softly with His Song, Fu-Gee-La e Ready or Not levaram o público ao delírio e fecharam uma apresentação de cerca de uma hora e 40 minutos. Depois de 16 anos de espera, os fãs portugueses certamente saíram do Parque Bela Vista com as expectativas cumpridas.
Encontro com os fãs
Nesse domingo (30), Lauryn Hill estará no 8 Marvila, para um encontro (Meet And Greet) com os fãs de Lisboa entre 18 e 20h. O valor do ingresso é 129,50 euros e pode ser adquirido aqui. Na praça em frente ao local, a Praça Davids Leandro da Silva, haverá a venda de produtos especiais da cantora entre 14 e 17h.
renan@revistaentrerios.pt

Renan Araújo