Luzes coloridas, vinho quente, castanhas assadas e casinhas de madeiras decoradas. Todos os anos, no mês de dezembro, a Europa se rende aos mercados de Natal, tradição que encanta locais e turistas do mundo inteiro.
Da Alemanha à Suíça, da República Tcheca a Portugal, as feirinhas tomam conta das praças e, em alguns destinos, o encanto é ainda maior: flocos de neve caem suavemente.
Os primeiros mercados natalinos surgiram na Alemanha no século XV, quando comerciantes vendiam brinquedos de madeira, velas e doces nas vésperas das festas. Um dos mais antigos é o Striezelmarkt, em Dresden, de 1434. São mais de 240 estandes que atraem três milhões de visitantes.
Barraquinhas rústicas vendem artesanatos, pinheiros e delícias como o pão stollen, recheado com frutas cristalizadas e uvas-passa. Munique, Frankfurt, Colônia e Berlim também entram no clima — só a capital abriga cerca de 80 mercados.
Quase na fronteira com a Alemanha, a charmosa Colmar, na França, exala, durante dezembro, o aroma de canela e gengibre. As casinhas do século XVI são enfeitadas com laços e grinaldas. Nas barracas, o destaque vai para o Choucroute à l’Alsacienne, repolho em conserva cozido no vinho branco com linguiça defumada.
Leia também
Destinos de inverno para se sentir num filme da sessão da tarde
Portugal também entrou na rota dos mercados de Natal mais charmosos da Europa. O maior é o Wonderland Lisboa, montado no Parque Eduardo VII, com roda-gigante, pista de gelo, vinho quente e o tradicional “bolo-rei” (em forma de coroa, feito de massa tipo brioche com frutas cristalizadas e secas além de passas).
Ver esta publicação no Instagram
Tem, ainda, a feira do Rossio, que junta cerca de 70 tendas de doces, bebidas e itens feitos à mão. Os visitantes podem, também, dar uma voltinha no Comboio de Natal, que percorre a Baixa até 22 de dezembro. O passeio é gratuito.

Portugal: Feira do Rossio junta cerca de 70 tendas de doces, bebidas e itens feitos a mão. Crédito: Divulgação.
No Porto, o evento da Praça da Batalha combina gastronomia, artesanato e música ao vivo. Em Óbidos, o centro histórico medieval é transformado em um parque temático, com trenós e neve artificial. Cascais tem um mercado à beira-mar com vista para o Atlântico, enquanto Braga celebra a data com luzes, presépios e corais que percorrem as ruas.
Estrasburgo é considerada a “capital do Natal”. O primeiro mercado foi realizado em 1570 e, hoje, a cidade abriga mais de 300 barraquinhas em doze praças. Os visitantes levam lembranças como as bruxinhas de palha para protegerem as casas.
“Acabei criando uma tradição pessoal: colecionar as canecas das feiras europeias, muitas pintadas à mão”, diz a advogada brasileira Dayane Martins, que já foi a feiras da França, Alemanha e Áustria.
Na Suíça, estão por todos os cantos. Em Zurique e na Basileia acontecem as feiras mais famosas. São centenas de tendas que vendem decorações artesanais, velas e muitos pratos típicos. Experimentar a chäsbängel, baguete recheada com fondue de queijo, é obrigatório.
Leia também
Guia Serra da Estrela: tudo o que você precisa saber
Em uma das praças mais bonitas da Basileia, junto à catedral, acontece o mercado de Münsterplatz, um dos preferidos das famílias. Dispõe de uma floresta “encantada” para as crianças, que participam de oficinas, assam pão e criam trabalhos em madeira.

Suíça: Basileia, Mercado de Münsterplatz. Crédito: Divulgação.
Na Áustria, o Vienna Magic of Advent ocupa a praça de Santo Estêvão, na capital. Entre os itens mais populares estão esculturas em madeira, globos de neve e peças de
lã.
Em Copenhague, o clássico Jardins Tivoli — o segundo parque de diversões mais antigo do mundo — ganha decoração especial durante seis semanas. São meio milhão de luzes, mil árvores de Natal e 60 barracas no estilo escandinavo. Do vinho quente aos donuts de maçã, não faltam opções para lanches saborosos. A única diferença é que a entrada é paga, cerca de 26 euros.
Os tons esquentam na Hungria. O mercado da Praça Vörösmarty, em Budapeste, é um dos mais bonitos do Leste Europeu, reunindo artesanato, concertos e comida de rua.
É lá que se encontra o lángos, pão frito coberto com queijo e creme azedo, indispensável.
“É obrigatório, também, beber vinho quente e comer o típico cachorro quente do centro da Europa, além de patinar no gelo”, fala o português Francisco Batalha.
Gestor de TI, ele já visitou feiras em Riga, Londres, Munique, Luxemburgo, Berlim, Praga e Budapeste.
A República Tcheca guarda o mercado mais fotogênico: o de Praga, montado na Praça da Cidade Velha. Um pinheiro gigante domina o espaço, cercado por barraquinhas que vendem marionetes, enfeites de vidro e o famoso trdelník, uma massa doce assada na brasa e polvilhada com açúcar e canela.
Enquanto os sinos da Catedral de Týn tocam, o aroma de baunilha e chocolate quente se mistura à música, criando um clima que é puro encanto.
Essa matéria foi publicada originalmente na revista EntreRios.
Você pode assinar e receber a publicação no conforto da sua casa, além de ler na íntegra online.

Renata Telles