Mais de 134 mil brasileiros estavam aptos a votar em Lisboa nas eleições deste domingo (4), um aumento de 74% em relação a 2022, quando cerca de 42 mil eleitores estavam inscritos. Ao longo do dia, a movimentação nos três locais de votação da Cidade Universitária, a Reitoria e as faculdades de Letras e de Direito, reuniu pessoas de diferentes perfis e posicionamentos políticos. Apesar do grande número de eleitores, o pleito transcorreu com tranquilidade.
Para alguns, a votação na capital portuguesa foi uma experiência inédita. Outros já haviam participado de eleições brasileiras no exterior. Para votar em Lisboa, foi necessário transferir o domicílio eleitoral com pelo menos seis meses de antecedência. Os eleitores contaram o que os levou às urnas e falaram sobre a importância de exercer a cidadania e participar das decisões do país, mesmo vivendo longe.

A estudante Luna Binzel, de 16 anos, votou pela primeira vez. “Eu sou brasileira e acho que é o dever de qualquer brasileiro fazer sua parte. A gente tem que lutar pelo o que quer e estou aqui lutando pelo meu Brasil. Esse era um dos meus sonhos e eu estou cumprindo ele hoje”, afirmou.
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A mãe Gisele Binzel disse que sempre buscou criar as filhas com a perspectiva de poder participar das decisões eleitorais. “As pessoas reclamam muito de tudo, do presidente e da situação do país, mas não adianta reclamar se você não faz a diferença. É isso que eu tento trazer para elas, que temos que lutar e fazer a diferença”, explica.
Outros eleitores foram às urnas em busca de uma alternativa aos candidatos que lideram as pesquisas. É o caso de Leandro Ribeiro de Melo, motorista de serviço público.

“Para mim é importante ter a oportunidade que furar a bolha da polarização que há no Brasil atualmente. E dessa vez temos candidatos para isso. Nas outras eleições realmente não havia. Agora há opção. Então para quem não concorda com o lado A ou o lado B, temos o lado C, lado E, lado D. É importante aproveitar essa oportunidade para nos manifestarmos”, analisa.
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Já a produtora Mariana Bezerra destacou a importância de participar desse processo mesmo morando fora do Brasil. “Faz parte da nossa obrigação enquanto brasileiro, especialmente para presidente. Isso faz todo sentido, principalmente para nós que somos imigrantes. Por mais que a gente viva aqui, nunca vai deixar de ser o nosso país”, garante.

A gestora Vitoria Melo também endossa esse discurso. “É muito importante a gente ter o direito de participação política, é um direito garantido para a gente, então precisamos exercê-lo. Continuamos sendo brasileiro e queremos um Brasil melhor”, afirma.

Durante o processo, houve até mesmo quem quis votar, mas não tinha realizado a mudança do domicílio eleitoral. É o caso de Itamar de Araújo Meira, que vive em Portugal há três anos e trabalha como transferista.
“Eu não sabia qual era o procedimento e recebi a informação de que teria que me cadastrar seis meses antes. Acreditei que era só chegar com o título de residência e título de eleitor para votar. Na próxima, se eu ainda estiver aqui, com certeza vou transferir com antecedência”, lamentou.
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Renan Araújo
