O ministro da Habitação e Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, admitiu nessa semana que as longas filas no controle de imigração no Aeroporto de Lisboa são um “embaraço” e afirmou que a situação mancha a imagem do país internacionalmente.
“Não queremos comprometer a imagem de Portugal mais do que foi comprometida, mas não vou pôr a cabeça na areia e sei do prejuízo para a imagem nacional”, disse ele em audiência na Assembleia da República.
Na ocasião, ele afirmou expressamente que o sistema de controle de fronteiras que o país tentou implementar não funcionou e disse que o governo está comprometido em buscar uma solução.
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“Nas próximas semanas, no próximo mês, vamos mitigar a situação. Estamos a investir tudo o que é possível em hardwares. Só posso pedir desculpas formais em nome do Governo”, destacou.
A Agência Lusa informou na última semana que os atrasos têm se mantido em uma hora e meia a duas horas também nos aeroportos do Porto e do Faro.
“Eu não escondo que estamos insatisfeitos com aquilo que tem sido a resposta dada por parte dos serviços de fronteira nos aeroportos, em particular, no de Lisboa. Vamos levar este esforço até ao fim, até ao limite para podermos ultrapassar a situação”, afirmou Luis Montenegro, primeiro-ministro português, durante o fim de semana.
Miguel Pinto Luz, que também culpou a falta de investimentos nos sistemas aeroportuários e a escassez de recursos humanos, indicou que medidas já estão sendo tomadas para diminuir as longas filas.
Os atrasos registrados especialmente no Aeroporto de Lisboa se deram com a tentativa de implementação do Sistema de Entrada/Saída (EES) da União Europeia para o controle de fronteiras.
A Polícia de Segurança Pública (PSP) passou a coletar dados biométricos e de reconhecimento facial desde outubro, mas essa instalação foi suspensa em dezembro após registros de filas que chegam até sete horas de duração.
No início do ano, o governo implementou novamente o sistema, mas os atrasos continuaram a acontecer. O governo anunciou também que, a partir de 29 de maio, o aeroporto deve ser ampliado na área das chegadas com a instalação de novos boxes para o controle manual.
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Para julho, ainda está prevista a contratação de mais 360 agentes da PSP para atuar nos aeroportos, além do aumento do número de e-gates (fronteira automática).
A PSP registrou quase 6,3 milhões de passageiros em todos os aeroportos nacionais nos primeiros quatro meses deste ano que vieram de fora do Espaço Schengen.
A Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras (UNEF) da PSP realizou 11.535 abordagens (quando os agentes abordam um passageiro para verificação de segurança, documentos ou legalidade da estadia no país), e foram registradas ainda 980 recusas de entrada e 185 detenções.
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Renan Araújo