A cidade de Guimarães respondeu ao calor extremo que atinge a Europa com cultura. Ruas, praças e espaços históricos foram ocupados por shows, palestras, workshops, oficinas, percursos culturais e atividades voltadas ao público infantil. Em sua estreia na cidade, justamente na edição que celebra 10 anos em Portugal, o MiMo Festival transformou o Centro Histórico em palco para artistas de diferentes países, reafirmando a proposta de promover o encontro entre culturas, gerações e sonoridades em uma programação gratuita marcada pela diversidade e pelo equilíbrio de gênero.

Lu Araújo e Fernanda Abreu após o show da cantora no MiMo Guimarães. Crédito: Jordan Alves
Para a fundadora do festival, Lu Araújo, a chegada a Guimarães representa o encontro entre um projeto já consolidado em Portugal e uma cidade que carrega forte vocação cultural.
“Eu estou super feliz. É uma descoberta também para o MiMo. Guimarães é uma cidade com uma dimensão e uma responsabilidade cultural muito grandes, que já foi Capital Europeia da Cultura e se transformou ao longo dos anos. Esse encontro chega em um momento maduro da cidade e também do MiMo, que já tem um público fiel em Portugal. A ideia sempre foi proporcionar essa convivência entre o patrimônio histórico, a música de qualidade e um festival multigênero. Um festival gratuito tem essa responsabilidade. Eu não quero que o MiMo se afaste disso nem que passe a competir com festivais mainstream”, afirma.
Leia também
Fernanda Abreu diz que jovens redescobriram suas músicas e critica o excesso de letras sexualizadas no funk atual

Fernanda Abreu se apresentou na primeira noite do MiMo Guimarães. Crédito: Renata Telles
Leia também
Alaíde Costa: aos 90 anos, cantora fala sobre sonhos, carreira e o filme que resgata sua história
A edição de 2026 também foi marcada pelos desafios impostos pelas mudanças climáticas. As altas temperaturas registradas em boa parte da Europa impactaram a circulação do público e obrigaram a organização a adaptar parte da programação, transferindo algumas apresentações para locais mais adequados ao conforto de artistas e do público.

Lu Araújo_MiMo. Crédito: Jordan Alves
“Esse calor é assustador e acho que reduziu o nosso público também. Quem veio até aqui foi muito corajoso e realmente queria viver o festival. Já temos estruturas preparadas para tempestades, mas agora precisamos repensar como realizar espetáculos ao ar livre diante dessas temperaturas. É um novo mundo”, destaca Lu.

O MiMo ocupou espaços como igrejas para algumas apresentações. Crédito: André Henriques
Com cerca de 500 profissionais envolvidos e um investimento de aproximadamente 750 mil euros, o MiMo Portugal encerra a sua 10.ª edição olhando para o futuro. A organização já trabalha para garantir a continuidade do festival em Guimarães nos próximos anos.
“Eu só tenho alegrias nesses dez anos. Espero continuar por mais 10, 20, 30 anos em Portugal. Guimarães tem sido uma cidade anfitriã maravilhosa, tanto na colaboração com o festival quanto na forma de receber quem chega para viver essa experiência”, conclui Lu Araújo.
jordan@revistaentrerios.pt
Ver esta publicação no Instagram

Jordan Alves