Há lugares em que se perder faz parte da experiência. Entre jardins históricos, mansões centenárias e paisagens tomadas pelo verde, os labirintos transformam um simples passeio em uma aventura marcada por caminhos que se cruzam, desvios inesperados e cantos escondidos. Em vez de seguir diretamente até o destino, a proposta é desacelerar, observar os detalhes e aceitar que nem sempre o caminho mais curto é o mais interessante.
Alguns labirintos são formados por altas sebes, enquanto outros se misturam a túneis, galerias subterrâneas, jardins históricos e caminhos sinuosos. Entre estruturas criadas há séculos e projetos paisagísticos mais recentes, estes cinco lugares convidam o visitante a deixar a pressa de lado e descobrir o que existe depois da próxima curva.
Quinta da Regaleira, Sintra, Portugal

Reprodução/Instagram @quinta.da.regaleira
Nos jardins da Quinta da Regaleira, a experiência de se perder ganha uma dimensão subterrânea. A chamada Gruta do Labirinto é formada por túneis e galerias que compõem um percurso de caminhos ramificados. Não se trata de um labirinto tradicional, com corredores e becos sem saída, mas de uma estrutura que convida o visitante a explorar seus diferentes trajetos.
A propriedade foi construída no início do século XX por António Augusto Carvalho Monteiro, em parceria com o arquiteto italiano Luigi Manini. O conjunto arquitetônico reflete os interesses culturais e filosóficos de Carvalho Monteiro e reúne referências a diferentes estilos, como o Manuelino, o Renascentista, o Medieval e o Clássico.
Labirinto da Villa Pisani, Stra, Itália
Próximo a Veneza, na cidade de Stra, o Labirinto da Villa Pisani está entre os mais conhecidos labirintos dos jardins venezianos. A estrutura integra a Villa Pisani, uma das grandes vilas da região, construída no século XVIII, e reúne história, paisagismo e arquitetura em um mesmo passeio.
Leia também
Lago Maggiore: por que este destino italiano merece entrar no seu próximo roteiro
Conhecido como labirinto d’amore, o espaço tem formato trapezoidal e foi criado entre 1720 e 1721 pelo arquiteto Girolamo Frigimelica. No centro há uma torre coroada por uma estátua de Minerva. Formado por sebes de buxo, o labirinto é um dos três desse tipo que ainda existem na Itália.
Labirinto de Sebes de Longleat, Wiltshire, Inglaterra
View this post on Instagram
Nos jardins da mansão de Longleat, em Wiltshire, o visitante encontra um labirinto formado por mais de 16 mil teixos ingleses. As plantas são mantidas com cerca de três metros de altura, criando corredores verdes que se estendem por 2,72 quilômetros em uma área de quase dois hectares.
Projetado em 1975 por Greg Bright, o labirinto é uma atração relativamente recente dentro de uma propriedade cuja história remonta ao século XVI. Longleat foi construída como uma mansão em estilo elizabetano e, décadas depois, passou a receber o público. O labirinto acrescenta uma experiência contemporânea aos jardins de uma propriedade marcada pela história aristocrática britânica.
Glendurgan Garden, Falmouth, Inglaterra

Reprodução/Instagram @ntglendurgannhelford
Em um jardim de vale subtropical próximo a Falmouth, na Cornualha, o Glendurgan Garden abriga um labirinto de sebes de louro-cereja plantado em 1833. A estrutura foi criada por Alfred e Sarah Fox e teve como inspiração um desenho dos Sydney Gardens, em Bath.
Com caminhos estreitos cercados pela vegetação, o percurso proporciona uma pequena aventura em meio à natureza. E há uma particularidade: chegar ao centro não é necessariamente o principal desafio. Por ali, a verdadeira missão é encontrar o caminho de volta e conseguir sair do labirinto.
Jardins de Marqueyssac, Vézac, França

Reprodução/Instagram @marqueyssac
Classificados como Monumento Histórico Nacional, os Jardins de Marqueyssac combinam um castelo do século XIX com uma extensa paisagem de jardins, caminhos e vegetação. São mais de seis quilômetros de trilhas sombreadas, acompanhadas por cerca de 150 mil buxinhos podados à mão, além de mirantes, jardins de pedras e cascatas.
Leia também
Portugal além das multidões: destinos para quem busca silêncio, natureza e tranquilidade
O destaque para os buxos está ligado à história de Julien de Cerval, que herdou Marqueyssac em 1861 e dedicou as últimas três décadas de sua vida ao paisagismo da propriedade. O Bastião, com suas formas arredondadas e caminhos sinuosos, é um dos exemplos do estilo paisagístico associado à França do período de Napoleão III, em uma composição que mistura natureza e jardins cuidadosamente moldados.
fernanda@revistaentrerios.pt

Fernanda Baldioti