Canalizar todo o afeto para animais de estimação pode ser um sinal de alerta. Quando alguém afirma que já não gosta de pessoas, mas apenas dos seus bichos, isso é preocupante e deve ser encarado como tal. É naturalmente compreensível que as pessoas amem seus pets, façam questão de levá-los em deslocamentos, principalmente de avião, por questões de suporte emocional, ou fiquem tristes quando eles morrem.

A presença de cães e gatos pode reduzir a sensação de solidão, especialmente para quem vive sozinho, além de ajudar a criar rotinas e oferecer uma forma de contato e afeto constante.

“Não se deve desvalorizar a importância que os animais podem assumir no bem-estar psicológico de algumas pessoas. No entanto, é preciso questionar: até que ponto devem preencher a vida afetiva? Um cão pode oferecer amor, segurança e companhia, mas não deve substituir as relações que mantemos com outras pessoas”.

O fato de existir ‘alguém’ que depende de nós, demonstra felicidade quando seus tutores chegam em casa e permanece leal sem exigir nada em troca é muito reconfortante. Por isso, não se deve desvalorizar a importância que os animais podem assumir no bem-estar psicológico de algumas pessoas. No entanto, é preciso questionar: até que ponto devem preencher a vida afetiva? Um cão ou um gato podem oferecer amor, segurança e companhia, mas não podem substituir as relações que mantemos com outras pessoas. Eles não suprem as necessidades emocionais, sociais e intelectuais.

O ser humano precisa conversar, debater e interagir. Escolher viver isolado com seus bichos e evitar contato social por acreditar que as pessoas são perigosas ou decepcionantes leva a um empobrecimento das relações.

As competências de comunicação vão se perdendo, a tolerância à frustração diminui e o contato com os pares pode se tornar cada vez mais difícil. E, quanto mais tempo alguém permanece isolado, mais difícil fica estabelecer relações.

Não é saudável, por isso, que a ligação com os pets seja a única que a pessoa considera segura. Não é necessário escolher entre amá-los ou amar pessoas. Pode-se fazer as duas coisas. Os animais têm um enorme valor emocional, mas não se deve atribuir a eles a responsabilidade de substituir tudo aquilo que as relações humanas têm de bom para oferecer.

susana@revistaentrerios.pt

Esta matéria foi publicada originalmente na edição impressa da EntreRios, disponível mensalmente em bancas de Portugal. Faça a sua assinatura para ter acesso a conteúdos exclusivos e receber a revista em casa.

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