Logo na Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno Milano-Cortina 2026, um dos assuntos mais comentados nas redes sociais foi o uniforme da seleção brasileira: uma peça que fugiu do trivial e virou assunto mundo afora.
Ao contrário de experiências anteriores — como os uniformes da seleção nas Olimpíadas de Verão desenhados pela Riachuelo, que foram amplamente criticados por serem considerados de design simples para um evento de tanta exposição — o look do Time Brasil para os Jogos de inverno conquistou elogios pela combinação de elegância e simbolismo.
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Responsável por esse visual impactante, a grife italiana Moncler assinou as peças em colaboração criativa com o brasileiro Oskar Metsavaht — designer com forte ligação entre moda, esporte e sustentabilidade, e figura respeitada no cenário internacional.
Os uniformes foram cocriados sob a direção criativa de Remo Ruffini, presidente e diretor-criativo da grife, em colaboração direta com Metsavaht, reconhecido internacionalmente por um trabalho que articula moda, esporte e sustentabilidade.
A coleção parte da releitura de um dos símbolos históricos da Moncler: a jaqueta Karakorum, criada originalmente para os montanhistas italianos Achille Compagnoni e Lino Lacedelli, protagonistas da primeira escalada bem-sucedida do K2, a segunda montanha mais alta do mundo. A peça foi reinterpretada para o contexto olímpico, equilibrando tradição e inovação, com soluções técnicas adequadas ao rigor do inverno europeu e uma linguagem visual conectada à simbologia brasileira.

Modelo dos porta-bandeiras do Time Brasil. Crédito: Moncler.
O modelo destinado aos porta-bandeiras inclui uma capa longa, predominantemente branca, inspirada em vestuário técnico para frio intenso. Permanecem elementos clássicos da Karakorum, como a abertura frontal com botões duplos, o bolso no peito e o capuz estruturado. O efeito visual é potencializado pela sensação de movimento durante o desfile cerimonial.
No interior das capas, a bandeira do Brasil aparece aplicada, se revelando de forma gradual ao longo da apresentação dos atletas. A proposta é criar momentos em que as cores nacionais surjam em contraste com o branco externo das peças.
As roupas são confeccionadas em nylon laquê reciclado, material utilizado pela Moncler que alia resistência, proteção térmica e compromisso com a sustentabilidade. A paleta cromática distingue os porta-bandeiras, que vestem branco e verde, do restante da delegação, apresentada em conjuntos nas cores azul e verde.
A coleção inclui jaquetas acolchoadas combinadas com bermudas ou saias, conforme o modelo, além de botas de inverno desenvolvidas para ambientes de baixas temperaturas. As peças também trazem a estrela brasileira, o escudo do Comitê Olímpico do Brasil e o logotipo da Moncler.

Modelo do restante da delegação brasileira. Crédito: Moncler.
Ligação com o esporte
Antes de consolidar sua trajetória na moda, Metsavaht teve ligação direta com os esportes de inverno. Em 1997, representou o Brasil no Snowboard Slalom Gigante da Federação Internacional de Esqui (FIS), conquistando o terceiro lugar em Valle Nevado, no Chile. Sua primeira criação no vestuário foi um casaco desenvolvido para uma expedição aos Andes, experiência que marcou o início de sua relação com o sportswear técnico.
A participação no projeto dos Jogos Olímpicos de Inverno marca o retorno do designer a esse universo, agora em uma função voltada à concepção criativa e ao desenvolvimento do conceito visual dos uniformes oficiais.
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“Esse uniforme entrega, função técnica, estética global, narrativa simbólica, tudo coexistindo, com coerência e consistência. E é assim que marcas fortes operam. Elas não ficam inventando histórias novas só por causa de campanhas”, avaliou em um post no Instagram a especialista em Marketing e Branding Mari Corrêa.
O desfile da delegação brasileira emocionou e viralizou nas redes para além do visual. Mesmo com uma delegação pequena se comparada a equipes tradicionais de países de inverno, os atletas apareceram animados na passarela olímpica, bem ao estilo brasileiro de ser.
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Os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026 ocorrem entre 6 e 22 de fevereiro, nas cidades italianas de Milão e Cortina d’Ampezzo, localizadas no nordeste da Itália. Oficialmente denominado Milano Cortina 2026, o evento reúne atletas de diversos países em 16 modalidades esportivas, entre elas esqui de montanha, hóquei no gelo e patinação artística. Esta é a quarta edição dos Jogos Olímpicos realizada em território italiano.
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Fernanda Baldioti