15 destinos fora do óbvio para aproveitar o verão na Europa
De ilhas remotas a cidades históricas, uma seleção de lugares que fogem dos roteiros mais saturados e refletem a diversificação do turismo europeu
- Porto
Maio 18, 2026
O verão europeu continua a crescer em volume e dispersão geográfica, com viajantes a procurarem alternativas às cidades e praias mais congestionadas.
Em 2025, o turismo na União Europeia voltou a atingir um novo recorde, com cerca de 3,08 mil milhões de noites em estabelecimentos de alojamento turístico, segundo estimativas do Eurostat. O valor representa um aumento de 2% face a 2024 (+61,5 milhões de noites) e confirma a tendência de crescimento do setor no pós-pandemia.
A expansão foi impulsionada sobretudo pelos visitantes internacionais, que acrescentaram 46,1 milhões de noites, enquanto o mercado doméstico cresceu de forma mais moderada (+15,4 milhões). No conjunto, o fluxo turístico manteve-se relativamente equilibrado entre turistas internacionais (49%) e residentes (51%), com a hotelaria concentrando a maior fatia da procura, seguida por alojamentos de curta duração e campismos.
Neste contexto de expansão e diversificação, destinos menos óbvios ganham espaço na procura, impulsionados por dois movimentos paralelos: a saturação de alguns polos tradicionais e a valorização de experiências mais dispersas, fora das capitais e das rotas clássicas.
A EntreRios reuniu 15 destinos europeus que se enquadram nessa tendência, onde o verão se vive com outra escala e outro ritmo.
Ilha de Mljet (Croácia)
Mljet mantém grande parte do seu território protegido como parque nacional, com florestas densas e dois lagos de água salgada que estruturam a circulação na ilha.
A visita tende a organizar-se em torno de percursos a pé ou de bicicleta, com travessias curtas por barco entre margens. A presença do mosteiro beneditino numa ilha dentro do lago acrescenta um ponto de referência histórico discreto, integrado na paisagem em vez de se destacar dela.
Modica (Sicília, Itália)
Modica desenvolve-se em diferentes níveis de encosta, o que cria uma leitura fragmentada da cidade, ligada por escadarias e ruas estreitas. O barroco siciliano está presente na organização urbana e na relação entre igrejas, praças e bairros históricos.
A produção de chocolate, ainda baseada em métodos tradicionais, continua a ser uma atividade visível em pequenas oficinas, inserida no quotidiano local.
Hébridas Exteriores (Escócia)
As Hébridas Exteriores formam um arquipélago exposto ao Atlântico, com ligações entre ilhas dependentes de ferries e condições meteorológicas. A densidade populacional é baixa e as comunidades estão dispersas ao longo da costa.
A presença da língua gaélica em algumas zonas reforça uma identidade cultural própria, enquanto a paisagem alterna entre praias extensas, turfeiras e formações rochosas.
Erfurt (Alemanha)
Erfurt preserva um centro histórico atravessado por canais e pontes habitadas, como a Krämerbrücke, que concentra comércio e habitação no mesmo espaço.
A cidade funcionou historicamente como ponto de passagem comercial na Europa central, o que se reflete na densidade do seu património. Fora do núcleo medieval, estende-se uma malha urbana mais recente, com ligação a parques e margens fluviais.
Gotland (Suécia)
Gotland é a maior ilha da Suécia e combina zonas agrícolas interiores com uma costa recortada por formações calcárias. Visby, cidade medieval fortificada, concentra parte do patrimônio histórico, com muralhas ainda intactas.
Fora da cidade, a ilha apresenta uma ocupação mais dispersa, com pequenas localidades e estradas costeiras pouco movimentadas fora do pico do verão.
Steg (Liechtenstein)
Steg situa-se num vale alpino com acesso direto a trilhos de montanha e áreas de altitude. O país, pela sua dimensão reduzida, permite transições rápidas entre zonas urbanas e naturais.
Em Steg, a utilização do território está fortemente ligada à mobilidade pedonal e ao acesso a percursos de montanha, mais do que a infraestruturas turísticas tradicionais.
+ LEIA MAIS: Melhores ciclovias de Portugal: 17 rotas para pedalar entre litoral, rios, serras e vilas históricas
Gozo (Malta)
Gozo apresenta uma ocupação menos densa do que a ilha principal de Malta, com uma combinação de áreas agrícolas, pequenas localidades e costa recortada.
Os vestígios arqueológicos, como os templos de Ġgantija, colocam a ilha numa cronologia muito anterior ao turismo contemporâneo. O acesso por ferry ajuda a manter uma separação funcional em relação à ilha principal.
Saragoça (Espanha)
Saragoça situa-se entre Madrid e Barcelona e funciona como nó de passagem menos explorado. O centro histórico organiza-se em torno da Basílica del Pilar e do rio Ebro. A cidade integra influências romanas, islâmicas e cristãs, visíveis em diferentes camadas arquitetônicas. Fora do centro, predomina uma estrutura urbana mais funcional e residencial.
Lago Thun (Suíça)
O Lago Thun está inserido numa paisagem alpina e liga pequenas cidades através de transporte lacustre e ferroviário. A circulação entre margens faz parte da dinâmica local, com o lago a funcionar também como eixo de mobilidade. A proximidade das montanhas condiciona a ocupação do território e cria uma transição rápida entre áreas urbanas e naturais.
Andorra
Andorra organiza-se em vales estreitos rodeados por montanhas dos Pirenéus, com forte dependência da ligação entre centros urbanos e áreas de montanha. No verão, a utilização do território desloca-se para trilhos e percursos de altitude. A escala reduzida do país permite deslocações rápidas, mas a topografia condiciona a forma como os espaços são utilizados.
Ilha de Elba (Itália)
Elba combina pequenas localidades costeiras com áreas interiores montanhosas. A ligação histórica a Napoleão está presente em museus e residências espalhadas pela ilha.
A diversidade de praias e enseadas cria uma alternância constante entre ambientes distintos, com deslocações curtas entre costa e interior.
Lyon (França)
Lyon estrutura-se no encontro de dois rios e apresenta uma sobreposição de períodos históricos, do centro renascentista às áreas industriais e contemporâneas.
O centro antigo mantém uma densidade arquitetónica associada ao comércio histórico, enquanto outras zonas refletem expansão urbana mais recente. A cidade funciona como ligação entre diferentes regiões de França.
+ LEIA MAIS: Como é fazer um passeio de barco no Rio Douro? Veja opções de percursos e preços
Alonissos (Grécia)
Alonissos integra um parque marinho protegido nas Espórades e apresenta uma ocupação humana limitada em comparação com outras ilhas gregas.
A presença de áreas protegidas no mar influencia o tipo de atividades disponíveis e a gestão do turismo. As aldeias estão distribuídas no interior e na costa, com ligação por estrada e barco.
Vlorë (Albânia)
Vlorë situa-se na confluência entre o Adriático e o Jónico e funciona como ponto de entrada para a Riviera Albanesa. A cidade combina porto, áreas urbanas em expansão e acesso a praias próximas ainda em desenvolvimento turístico. O crescimento recente do setor tem alterado a ocupação da costa, com infraestruturas ainda em consolidação.
San Marino
San Marino é um estado encravado em território italiano, com capital situada no topo do Monte Titano. A organização urbana adapta-se ao relevo, com ligações pedonais entre diferentes níveis. As torres medievais estruturam a paisagem e funcionam como referência visual constante. A escala reduzida permite percorrer o território em poucas horas.
flavio@revistaentrerios.pt