Bem-estar

47 anos, a idade em que nos sentimos mais tristes

Nas mulheres, essa fase geralmente coincide com a perimenopausa ou menopausa, enquanto nos homens pode surgir o início da andropausa

Abril 4, 2026

47 anos, a idade em que nos sentimos mais tristes. Crédito: Freepik
47 anos, a idade em que nos sentimos mais tristes. Crédito: Freepik

Embora a felicidade dependa de muitos fatores, há momentos mais críticos em que sentimos mais euforia ou mais tristeza. E essas sensações, segundo David Blanchflower, professor universitário americano, obedecem a um padrão. Ele fez um estudo sobre felicidade em diferentes idades e identificou que, por volta dos 47 anos, é quando as pessoas relatam se sentirem mais tristes.

Para o professor, a relação entre idade e felicidade forma uma curva em “U” ao longo dos anos, e os níveis de bem-estar costumam ser mais altos na juventude. Depois, caem na faixa dos 40 anos e voltam a subir na terceira idade. Os 47 anos são o ponto mais baixo desse gráfico.

Nas mulheres, essa idade coincide com a perimenopausa ou menopausa, que desencadeia mudanças capazes de gerar tristeza e sensação de perda. Fisicamente, é comum surgir mais cansaço, insônia e marcas de envelhecimento que, naturalmente, afetam a autoestima — ainda mais em uma sociedade que cultiva a beleza.

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No campo emocional, as oscilações de humor, o estresse e a análise sobre as escolhas de vida feitas anteriormente podem trazer arrependimentos. Soma-se a isso a “névoa mental” característica dessa fase, que causa esquecimentos e perda de agilidade mental.

Nessa mesma faixa etária, os homens também podem começar a vivenciar a andropausa, caracterizada pela diminuição gradual da testosterona. Embora seja diferente da menopausa, alguns sintomas são idênticos, como a diminuição da libido, a fadiga persistente, a perda de massa muscular, a irritabilidade, o humor deprimido e a dificuldade de concentração.

Assim, homens e mulheres acabam enfrentando fases desafiadoras ao mesmo tempo. Outro ponto importante é que, atualmente, muitos casais dessas idades têm filhos adolescentes, o que pode representar mais um fator de tensão e impacto na dinâmica familiar, já que a adolescência é uma fase conhecidamente desafiadora.

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Há também os pais idosos, que podem carecer de cuidados e apoio.

Quando somamos todas essas realidades, não é difícil entender por que esse período pode ser especialmente delicado e, porventura, triste. É fundamental atravessá-lo com calma, buscar informação, compreender os sintomas e cuidar de si. A tristeza pode representar apenas o encerramento de um ciclo e a preparação para uma nova etapa mais calma, plena e sábia.

Essa coluna foi publicada originalmente na revista EntreRios.

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susana@revistaentrerios.pt