ROTEIRO DE VIAGEM

7 lugares escondidos em Portugal que você precisa conhecer

A partir do Porto ou de Lisboa, este roteiro revela destinos menos óbvios para quem quer explorar Portugal além dos circuitos tradicionais

Março 7, 2026

Entre o Porto e Lisboa, estes sete destinos mostram como é possível diversificar um roteiro por Portugal sem grandes desvios logísticos. Crédito: Reprodução/Site Grutas de Mira de Aire.

Entre o Norte e o Centro do país, há parques românticos, santuários monumentais, aldeias de xisto, grutas subterrâneas e um castelo templário numa ilha do Tejo. Todos podem ser visitados em escapadinhas de um ou dois dias, com diferentes combinações de comboio, autocarro e carro.

Porto e Lisboa concentram a maior parte das portas de entrada no país — seja por via aérea, ferroviária ou rodoviária — e funcionam como bases estratégicas para explorar outras regiões.

A partir dessas duas cidades, é possível desenhar percursos que cruzam patrimônio histórico, natureza e enoturismo, ajustando o ritmo da viagem ao tempo disponível. Abaixo, reunimos sete lugares que, embora conhecidos por muitos portugueses, continuam fora do radar de grande parte dos visitantes internacionais.

Criado em 1799 como Passeio da Copa para os doentes do Hospital Termal, o Parque D. Carlos I tornou-se um espaço democrático que mistura estilos e influências de vários momentos históricos e períodos arquitetônicos. Crédito: Reprodução/Site Caldas da Rainha.

Parque Dom Carlos I

Distância: cerca de 228 km do Porto | 80 km de Lisboa

No centro das Caldas da Rainha, o Parque Dom Carlos I é um dos mais elegantes jardins públicos do país. Criado no século XIX no contexto do desenvolvimento termal da cidade, o espaço combina traçado romântico, lago com barcos a remos, esculturas e uma envolvente arquitetônica que inclui o Museu José Malhoa.

A visita convida a percorrer as alamedas arborizadas, observar os patos no lago e atravessar pequenas pontes de madeira. Nos dias mais tranquilos, o parque transforma-se num refúgio urbano ideal para leitura ou piqueniques. A proximidade com o centro histórico permite ainda estender o passeio ao comércio tradicional e à Praça da Fruta.

Criado em 1799 como Passeio da Copa para os doentes do Hospital Termal, o Parque D. Carlos I tornou-se um espaço democrático que mistura estilos e influências de vários momentos históricos e períodos arquitetônicos. Crédito: Reprodução/Site Caldas da Rainha.

Como chegar:

De Lisboa, a viagem de carro leva cerca de 1h pela A8. Há também comboios regulares a partir de Lisboa (Santa Apolónia ou Entrecampos), além de autocarros diretos.

Do Porto, o percurso de carro dura aproximadamente 2h15 pela A1. De transportes públicos, é possível combinar comboio ou autocarro de longo curso até à cidade.

Quinta da Aveleda

Distância: cerca de 55 km do Porto | 330 km de Lisboa

Na região demarcada dos Vinhos Verdes, a Quinta da Aveleda destaca-se pela combinação entre produção vinícola e patrimônio paisagístico. A propriedade, com séculos de história familiar, é conhecida pelos jardins meticulosamente desenhados, onde se encontram camélias, lagos, construções ornamentais e recantos inesperados.

A experiência passa por caminhar pelos jardins, participar numa prova comentada de vinhos e conhecer melhor a tradição vitivinícola do Minho. O ambiente rural e organizado torna o espaço particularmente atrativo para quem procura um passeio tranquilo, com forte ligação à identidade gastronômica da região.

Originalmente construída em 1631, a sua arquitetura evoluiu ao longo do tempo, mantém-se hoje como lar da família. Crédito: Reprodução/Instagram.

Como chegar:

Do Porto, a viagem de carro leva cerca de 45 minutos. Também há comboios urbanos até Penafiel, sendo depois necessário recorrer a táxi ou transporte local.

De Lisboa, o carro implica cerca de 3h pela A1. De comboio, a opção mais prática é viajar até ao Porto (Alfa Pendular ou Intercidades) e seguir depois para Penafiel.

Foz d’Égua

Distância: cerca de 200 km do Porto | 220 km de Lisboa

Integrada na rede de aldeias de xisto, Foz d’Égua é um pequeno núcleo rural próximo de Piódão, na Serra do Açor. O cenário é marcado por casas de pedra escura, duas pontes pedonais e uma praia fluvial formada pelo encontro de ribeiras.

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A visita permite explorar as ruelas estreitas, mergulhar nas águas nos meses mais quentes e percorrer trilhos que ligam a outras aldeias da região. A paisagem montanhosa e o silêncio reforçam a sensação de isolamento, tornando o destino particularmente apelativo para quem procura contato direto com a natureza.

A povoação de Foz d’Égua integra a freguesia de Piódão, no município de Arganil. Localiza-se junto à confluência da ribeira de Piódão com a ribeira de Chãs, nas imediações da aldeia de Chãs d’Égua, também pertencente à freguesia de Piódão. Crédito: Wikimedia Commons.

Como chegar:

Tanto do Porto quanto de Lisboa, o carro é a opção mais prática, com viagens entre 3h e 3h30. Em transporte público, é possível chegar de comboio a Coimbra e, a partir daí, seguir de autocarro para Arganil, sendo depois necessário transporte local.

Santuário do Bom Jesus do Monte

Distância: cerca de 55 km do Porto | 360 km de Lisboa

Classificado como Patrimônio Mundial da UNESCO, o Santuário do Bom Jesus do Monte é um dos conjuntos religiosos mais emblemáticos de Portugal. A escadaria barroca, com fontes e capelas ao longo do percurso, conduz ao topo do monte, onde se encontra a igreja e um amplo miradouro sobre Braga.

A experiência pode incluir a subida a pé pelos vários lances da escadaria ou a utilização do histórico elevador movido a água. No topo, os jardins e a vista panorâmica convidam a uma pausa mais demorada, sobretudo em dias de céu limpo.

Acredita-se que a ocupação inicial desse local remonte ao começo do século XIV, quando alguém teria erguido uma cruz no topo do Monte Espinho. Em 1373, já há registros da existência de uma ermida ali, dedicada à Santa Cruz. Essa pequena capela teria sido vinculada à paróquia de Tenões. Crédito: Wikimedia Commons.

Como chegar:

Do Porto, o comboio até Braga demora cerca de 50 minutos, de autocarro urbano ou táxi até o santuário. De carro, a viagem leva menos de uma hora pela A3.

De Lisboa, o Alfa Pendular até Braga demora cerca de 3h30. De carro, o percurso ronda as 3h30 a 4h.

Covão dos Conchos

Distância: cerca de 210 km do Porto | 300 km de Lisboa

Na Serra da Estrela, o Covão dos Conchos tornou-se conhecido pelo vertedouro circular da lagoa, que cria a ilusão de um portal gigante no meio da água. A estrutura integra o sistema hidroelétrico da região, mas ganhou notoriedade sobretudo pelo impacto visual.

A visita exige uma caminhada a partir da Lagoa Comprida, por trilho relativamente acessível, mas exposto às condições meteorológicas da serra. O percurso permite apreciar a paisagem granítica, outras lagoas e a atmosfera de montanha que caracteriza o ponto mais alto de Portugal continental.

 

Como chegar:

O carro é a forma mais prática tanto a partir do Porto (cerca de 2h30–3h) quanto de Lisboa (cerca de 3h). De comboio, é possível chegar à Covilhã ou à Guarda e recorrer depois a transporte local.

Grutas de Mira de Aire

Distância: cerca de 240 km do Porto | 130 km de Lisboa

Descobertas no século XX, as Grutas de Mira de Aire são as maiores grutas visitáveis do país. O percurso subterrâneo revela galerias extensas, lagos interiores e formações calcárias moldadas ao longo de milhares de anos.

A visita guiada conduz os visitantes por um trajeto preparado com iluminação e infraestruturas adequadas, permitindo observar estalactites e estalagmites de diferentes dimensões. No exterior, a envolvente natural complementa a experiência, que combina ciência, geologia e turismo.

A área central de Portugal, situada entre Rio Maior, Alcobaça, Porto de Mós, Batalha, Leiria, Ourém, Torres Novas e Alcanena, é formada por cadeias montanhosas de origem calcária que compõem o Maciço Calcário Estremenho. Esse conjunto inclui duas elevações principais: a Serra de Aire e a Serra dos Candeeiros. Crédito: Reprodução/ Site Grutas de Mira de Aire.

Como chegar:

De Lisboa, a viagem de carro leva cerca de 1h30. Também é possível ir de comboio até Leiria ou Torres Novas e seguir de transporte local.

Do Porto, o carro implica cerca de 2h30. Em transporte público, a opção passa por combinar comboio até ao Centro do país e ligação rodoviária.

Castelo de Almourol

Distância: cerca de 260 km do Porto | 120 km de Lisboa

Erguido numa pequena ilha no rio Tejo, o Castelo de Almourol é um dos exemplos mais expressivos da arquitetura militar associada à Ordem dos Templários em Portugal. A localização isolada, acessível apenas por barco, reforça o caráter cénico do monumento.

A visita começa com a travessia fluvial e continua pela exploração das muralhas e torres, de onde se obtêm vistas amplas sobre o Tejo. A envolvente ribeirinha de Vila Nova da Barquinha convida ainda a passeios junto ao rio.

O Castelo de Almourol está classificado como Monumento Nacional desde 1910. Crédito: Wikimedia Commons.

Como chegar:

De Lisboa, o carro demora cerca de 1h30 pela A1. Também é possível ir de comboio até Tancos ou Entroncamento e seguir de táxi.

Do Porto, o percurso de carro ronda as 2h30. De comboio, a viagem implica ligação até ao Entroncamento e transporte local.

flavio@revistaentrerios.sapo.pt

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