Mês das mulheres

7 mulheres que fazem a diferença em Portugal

Sejam portuguesas, brasileiras ou angolanas, elas vivem em Portugal, e, nas suas áreas de atuação, fazem a diferença para uma sociedade melhor. Vale a pena conhecê-las

Março 9, 2026

Empresária Roberta Medina: mulher empreendedora e que faz a diferença em Portugal; Reprodução Instagram

No embalo do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, a Revista EntreRios publica uma série de perfis de brasileiras que fazem a diferença em Portugal. Nesta matéria, destacamos 7 mulheres que apoiam causas sociais, humanitárias e levam a cultura além-fronteiras. São especialistas nas suas áreas, empenham-se e defendem as causas em que acreditam.

1. Roberta Medina: empresária, 47 anos, CEO do Rock in Rio Lisboa

Roberta nasceu no Rio de Janeiro e é licenciada em Comunicação Social, presidente da Dream Factory e vice-presidente da empresa Better World, dona do Rock in Rio. O festival foi criado em 1985 e, em Portugal, já conta com 10 edições, por onde passaram mais de 3 milhões de pessoas e 1100 atrações musicais. É filha de Roberto Medina, o idealizador do Rock in Rio, e responsável pela realização do Rock in Rio em Lisboa e em Madrid. Um estudo de impacto econômico da Nova SBE sobre a última edição de 2024 do festival de música, em Lisboa, aponta para a criação do equivalente a  204 empregos. O Rock in Rio Lisboa, que juntou mais de 300 mil pessoas ao longo de quatro dias, em junho do ano passado, teve um impacto equivalente a 120 milhões de euros na economia nacional. É casada, mãe de dois filhos e discreta fora do seu ambiente de trabalho. Nas suas intervenções públicas demonstra preocupação com causas ambientais e com o planeta e com causas sociais.

Roberta Medina, promotora do Rock In Rio. Foto: Reprodução Instagram
Roberta Medina, promotora do Rock In Rio. Foto: Reprodução Instagram

2. Patrícia Mamona: atleta olímpica portuguesa de triplo salto, de ascendência angolana, 37 anos e representa o Sporting Clube de Portugal

Começou bem jovem e se destacou como uma atleta com grande potencial. A sua especialidade sempre foi o salto triplo, mas em 2005 bateu os recordes nacionais juvenis dos 100m barreiras e do salto em distância.

Em 2008, estudou Ciências Médicas na Universidade Clemson, nos Estados Unidos, passando a competir no circuito universitário americano e em provas em Portugal em simultâneo. Em 2010 tornou-se atleta do Sporting (SCP) e pouco depois regressou a Portugal, onde conciliou o atletismo com um segundo curso, de Engenharia Biomédica.

Ao longo da sua carreira bateu diversos recordes e ganhou muitas provas destacando-se a medalha de ouro em pista coberta em 2021, no Campeonato da Europa de Atletismo.

Nos Jogos Olímpicos de 2020 ficou em segundo lugar, ganhando a medalha de prata. Em 2025 foi escolhida para liderar a Missão Portuguesa nos Jogos Mundiais Universitários de Rhine-Ruhr. Na Alemanha, foi distinguida com o Prêmio “As Mulheres Mais Influentes de Portugal” (referente a 2024).

Já fez várias campanhas publicitárias e é conhecida também pelo seu apoio a causas sociais focadas na igualdade de gênero, empoderamento feminino no esporte e no fomento da educação através da prática esportiva. Patrícia promove ativamente a conciliação entre esporte e estudos, servindo como modelo de resiliência e dedicação aos jovens.

Patrícia Mamona é medalhista olímpica. Foto: Reprodução Instagram

+ Leia mais: Samba para celebrar as mulheres em Lisboa neste sábado (07)

3. Ana Paula Costa: presidente da Casa do Brasil de Lisboa, investigadora na Universidade Nova e fundadora da @plataformageni, 31 anos

É Cientista Social pela Universidade Federal de Viçosa, Minas Gerais, Brasil. Mestre em Ciência Política e Relações Internacionais e Doutoranda em Ciência Política ambas pela Universidade Nova de Lisboa, é ainda Investigadora associada no Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI) e Presidente da Casa do Brasil desde janeiro do ano passado (2025).

Assumiu o cargo com o propósito de defender os direitos dos imigrantes, o combate às desigualdades, luta pela dignificação da autorização de residência e melhoria das políticas de integração em Portugal.

Integrou o Conselho Estratégico do Partido Socialista (PS) e mantém atuação ativa no debate público sobre imigração. Pretende que a Casa do Brasil continue a se posicionar como uma associação sem fins lucrativos com a missão de defender os direitos dos imigrantes brasileiros em Portugal. O ativismo tem sido uma característica muito presente nesse cargo, na fiscalização das políticas públicas em relação aos imigrantes e na área dos direitos humanos, como nas questões de gênero e do racismo, e também do emprego e da habitação.

Ana Paula Costa, Presidente da Casa do Brasil de Lisboa. Foto: Reprodução Instagram

4. Clara Não: ilustradora, colunista, autora e feminista

Clara Não é o nome artístico adotado por Clara Silva, natural de Vila Nova de Gaia, licenciada em Design de Comunicação pela Faculdade de Belas Artes do Porto, e com Erasmus na Willem de Kooning Academie, em Roterdão, onde desenvolveu seus estudos em ilustração e escrita criativa. Muito popular no Instagram, soma mais de 188 mil seguidores e é através das suas redes que vai partilhando frases, pensamentos e mensagens. Nas suas ilustrações, reivindica a igualdade, aborda temas tabus da sociedade e explora experiências pessoais. Participa de projetos feministas e sociais, como “As Bravas”, da Associação Pele, financiado pela Fundação Gulbenkian e está representada em várias galerias. Em 2019, publicou o seu primeiro livro “Miga, esquece lá isso! — Como transformar problemas em risadas de amor-próprio”.

Em 2022, foi uma das 10 nomeadas na categoria de Empowerment para os prêmios europeus About You. Desde 2022 é cronista semanal do Jornal Expresso e trabalha como freelancer para diversas marcas, participa também em causas sociais ligadas ao Feminismo, comunidade LGBTQIA+ e animais abandonados.

Ilustradora e ativista Clara Não
Ilustradora e ativista Clara Não. Foto: Reprodução Instagram

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5. Fabiana Barcellos: empresária na área de eventos, Comunicação, Concierge, Lifestyle, Relocation e imobiliário e criadora dos Bossa Market e Bossa Music, 43 anos 

Mais conhecida por Fabi Barcellos, carioca muito conhecida na região de Cascais, mais recentemente por projetos como o Bossa Market, um dos maiores mercados de cultura brasileira na Europa, mas também por ajudar conterrâneos a instalar-se no país há mais de 16 anos.

Formada em educação física, com pós-graduação em nutrição, Fabiana era personal trainer no Brasil e também dava aulas em escolas para crianças. Em Portugal começou do zero a partir do boom da imigração de luxo brasileira. Começou com um grupo de WhatsApp com uma amiga, que funcionava como uma rede informal onde se trocavam informações sobre escolas, babysitters, planos de saúde ou salões de beleza. Profissionalizou o negócio e atualmente é dona da We Host You, empresa de eventos e serviços para estrangeiros que querem morar e investir em Portugal. Acumulou também experiência em produção de festivais, concertos, eventos culturais e corporativos, e ainda casamentos e trabalha também na área de Relações Públicas, tanto ao lado de marcas de segmentos Premium e de Luxo, como para eventos e festivais (áreas/zonas VIP). Como complemento a toda a sua experiência, a empreendedora também se apresenta como marca própria, sendo influenciadora digital.

Posteriormente criou dois projetos para manter a ligação intercultural e econômica Brasil, Portugal, o Bossa Market e o Bossa Music. Sendo uma embaixadora da cultura e estilo de vida brasileiro em Portugal.

Fabiana Barcellos comanda a Feijoada do Bossa e o Bossa Market. Crédito: Divulgação
Fabiana Barcellos comanda a Feijoada do Bossa e o Bossa Market. Crédito: Divulgação

6. Maria Gil: atriz, encenadora, ativista cigana pelos direitos humanos, 53 anos

Também é conhecida por Maria da Fronteira. Nasceu no Porto, é atriz e ativista, e uma referência na promoção do movimento feminista das mulheres ciganas em Portugal.

Já foi feirante, empregada de balcão, e chegou ao mundo da interpretação já depois dos trinta anos e é mãe de quatro filhos. Começou no teatro comunitário e no teatro do oprimido. Descobriu que o cinema era o que gosta de fazer. Vencedora de vários prêmios, entre eles com o filme Cães que ladram aos pássaros (2019), da cineasta Leonor Teles, selecionado em mais de 50 festivais internacionais.  Nele, Maria contracena com três dos seus filhos, Vicente, Salvador e Mariana.  Participou em outras curtas-metragens premiadas em diferentes festivais internacionais de cinema. Na televisão, integra o elenco da série Braga. Recebeu o prêmio de personalidade portuguesa e cigana no Lefestt – Lisbon & Estoril Film Festival.

Em 2016, foi uma das caras da campanha nacional contra a discriminação de ciganos da Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN Portugal). Esta campanha, denominada A Discriminação é Falta de Educação, pretendia mostrar sete mensagens emitidas por sete cidadãos de etnia cigana que trabalham ou estudam com o intuito de quebrar mitos e representações negativas.

Em 2017, surgiu um movimento liderado por Maria Gil que vem conquistando voz, cuja ideia central é “mulheres e ciganas”, que “existem e resistem”. Esta tornou-se numa das frases mais emblemáticas do movimento feminista ciganas. Atualmente, é membro da Associação Saber Compreender e atriz no Coletivo PELE.

Maria Gil
Maria Gil, atriz cigana portuguesa, Reprodução Instagram
  1. Isabel Miguéns: provedora da Santa Casa da Misericórdia de Cascais desde 2010, 80 anos

Nascida em Évora, tem sido reconhecida pelo seu trabalho na área social, nomeadamente no Centro de Apoio Social do Pisão (Cascais). Iniciou o seu trabalho de Serviço social na Misericórdia de Cascais em 1975 e, a partir de 1982, como Diretora-Geral.  Adora o que faz, mas para se sentir realizada, gosta de ser útil aos outros todos os dias. “Em conjunto somos capazes de mover o mundo”, acredita.
A sua primeira experiência profissional na área social foi no Instituto de Assistência Psiquiátrica em Évora. Em 1972, foi para a Guiné Bissau com o marido, onde durante 2 anos, trabalhou para montar o serviço de ação social do Hospital de Bissau. Nos tempos livres, gosta de ler, ouvir música, conversar e conhecer histórias de vida. Bem-humorada define-se como curiosa e atenta aos outros.

Provedora da Santa Casa da Misericórdia de Cascais, Isabel Miguéns. Foto: Reprodução
Provedora da Santa Casa da Misericórdia de Cascais, Isabel Miguéns. Foto: Reprodução Facebook

susana@revistaentrerios.pt

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