A guerra: tão longe e tão perto
- Lisboa
Maio 6, 2026
“A frase ‘o trauma não está no evento, mas no que posteriormente pensamos dele’, do biofísico e psicólogo Peter Levine, explica essa ideia de que devemos cuidar dos nossos pensamentos”
Os efeitos da guerra ultrapassam fronteiras e, mesmo longe, podem impactar a nossa saúde mental. Muitas pessoas relatam que estão estressadas, assustadas ou tristes com tanta violência no mundo. No caso das guerras, com tanta informação que nos chega ao vivo, é possível desenvolver traumas.
Podemos, e devemos, seguir as nossas rotinas, mas não dá para ignorar que as consequências dos conflitos nos atingem, direta ou indiretamente. E, quanto maiores são as incertezas, mais difícil fica gerir o medo.
As marcas deixadas pelo trauma podem levar ao que chamamos de Transtorno de Estresse Pós-Traumáti- co (TEPT).
Pessoas com TEPT revivem constantemente sentimentos e sensações associados ao trauma (medo, insónias, irritabilidade, ansiedade, pensamentos negativos e facilidade em ficar sobressaltado ou nervoso), apesar de os eventos terem ocorrido no passado. Ainda não há um consenso científico para explicar por que algumas pessoas são mais propensas ao estresse pós-traumático do que outras, mas algumas hipóteses incluem fatores genéticos, questões hormonais e a habilidade de cada um em lidar com situações adversas. Porém, quando o problema se torna crônico, deve ser acompanhado com terapia e apoio social.
Quando tentamos dissolver o trauma em um ambiente seguro, como na terapia, é possível uma pendulação entre o lado mais saudável e o lado adoecido de cada um, e assim se vai restabelecendo o equilíbrio.
O psicanalista Alexander Lowen (1910-2008) defendeu uma integração entre o corpo e a mente, proporcionando maior contacto com a realidade e incentivando as pessoas a lidarem com as suas emoções. Isso permite a descarga das tensões psicológicas através do corpo e o restabelecimento de um fluxo energético saudável no organismo.
A frase “o trauma não está no evento, mas no que posteriormente pensamos dele”, do biofísico e psicólogo Peter Levine, explica essa ideia de que devemos cuidar dos nossos pensamentos. Criar novas memórias pode ajudar no processo de recuperação, mas, primeiro, é necessário desbloquear os sentimentos, porque resistir ao que nos causa dor atrapalha o processo de cura. Dar um novo sentido à vida é a receita para se libertar das angústias e seguir em frente.
Essa coluna foi publicada originalmente na revista EntreRios.
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