A lista de Ancelotti: última chamada real antes do embarque para Copa do Mundo
- Brasil
Março 20, 2026
No dia 16, Carlo Ancelotti anunciou a convocação para os jogos da última Data FIFA antes da Copa do Mundo de 2026. Oficialmente, é uma lista de chamados para amistosos. Na prática, é a última chamada real antes do embarque para Estados Unidos, México e Canadá, países sede do primeiro Mundial da história com partidas disputadas em três nações diferentes. Quem estiver nela dificilmente ficará fora do Mundial — salvo lesão ou algo muito fora do roteiro.
A convocação de março não serve apenas para testes. Serve para confirmar convicções. No gol, Alisson segue como referência técnica e liderança. Na defesa, Marquinhos, se estiver fisicamente inteiro, é pilar. Éder Militão, recuperado, também ocupa esse espaço. A lateral ainda gera debate, mas a base parece encaminhada.
No meio-campo, Casemiro mantém peso tático, enquanto Bruno Guimarães consolida o protagonismo. Lucas Paquetá precisa transformar talento em sequência sólida. O setor é hoje o mais estruturado da equipe.
No ataque, Vinícius Júnior é indiscutível. Rodrygo amadureceu em jogos grandes. Raphinha atravessa fase consistente. E Estevão já deixou de ser promessa para se tornar realidade competitiva. Personalidade, capacidade de desequilíbrio e protagonismo precoce o colocam como nome praticamente certo. Gabriel Martinelli disputa espaço pela intensidade. Endrick depende de minutagem e maturidade nas partidas do Lyon antes da viagem em busca do hexa.
Ainda há espaço para uma surpresa de última hora. Se mantiver a curva ascendente na Premier League, João Gomes, destaque do Wolves, é o tipo de jogador que pode forçar a porta pela intensidade e capacidade de pressão. Copa também se ganha em duelo físico e controle emocional.
E a maior incógnita: Neymar. Até a entrega desta coluna, Neymar havia atuado em poucas partidas neste ano, após passar por uma cirurgia no joelho em dezembro. O talento não está em debate. A questão é ritmo, condição física e encaixe numa equipe que busca estabilidade e intensidade competitiva. Convocá-lo significa apostar na capacidade de decidir partidas grandes. Deixá-lo fora representa assumir uma ruptura simbólica com a geração anterior.
Alguns nomes já parecem com o passaporte carimbado. Outros, ainda lutam pelo visto de entrada. A última chamada não acontece no aeroporto. Ela acontece agora.
Essa coluna foi publicada originalmente na revista EntreRios.
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