Marluci Martins

A punição que pode mudar o futebol

Zagueiro brasileiro quebra a perna de adversário e fica suspenso até que a vítima volte a treinar

Julho 30, 2026

Victor Gabriel, zagueiro. Crédito: Reprodução Instagram
Victor Gabriel, zagueiro do Internacional. Crédito: Reprodução Instagram

Um ditado popular muito usado no Brasil define bem o senso de responsabilidade e consequência por atitudes que se espera no esporte e em qualquer esfera: “Quem com ferro fere, com ferro será ferido”. É o que sugere a punição aplicada esta semana pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva ao zagueiro Victor Gabriel, do Internacional, que, durante um jogo contra o Cruzeiro, válido pelo Campeonato Brasileiro, quebrou a perna esquerda de um adversário, o atacante Gabriel Pec. O carrinho foi tão duro quanto o castigo: o agressor ficará afastado até que o agredido possa voltar aos treinos.

A decisão é de primeira instância e ainda cabe recurso ao plenário do tribunal, mas, qualquer que seja o desfecho, já merece destaque a lembrança rara da norma que versa sobre a possibilidade de um atleta sofrer as consequências dos próprios atos. O texto da regra aponta que, “na hipótese de o atingido permanecer impossibilitado de praticar a modalidade em consequência de jogada violenta grave, o infrator poderá continuar suspenso até que o atingido esteja apto a retornar ao treinamento, respeitado o prazo máximo de 180 dias”.

A punição é dura, mas justa e necessária, por preservar o craque e fazer o agressor pensar duas, três, quatro, mil vezes, antes de aplicar um carrinho violento como o de Victor Gabriel. O zagueiro, presente na audiência, afirmou ter se desculpado com sua vítima, e disse que não teve tempo de recolher a perna para evitar a “entrada um pouco mais dura” no colega de profissão. É, pode até ser.

O arrependimento pela imprudência, porém, não isenta o infrator da responsabilidade pelo ato de violência que, além de manchar o esporte, é uma ameaça à integridade física de alguém que entrou em campo para jogar futebol e levar o sustento para casa. Um pedido de perdão não pode anular a inconsequência de quem quebra a perna de um colega para evitar um contra-ataque, pois a lei esportiva é feita para coibir atos de deslealdade, e, consequentemente, proteger os participantes.

Vale destacar também o prejuízo do Cruzeiro, que terá seu jogador fora de cena por pelo menos três meses. E não foi barato. O clube mineiro pagou cerca de 12 milhões de dólares para ter Pec. Como se vê, a conta do futebol é alta, e não permite irresponsabilidades nem perdões.

Adeus, Neymar

A maior referência da seleção brasileira em mais de 15 anos anunciou o fim de seu ciclo com a camisa amarelinha. Aos 34 anos, Neymar sai de cena como artilheiro da seleção, com 80 gols – três a mais do que Pelé –, o título da Copa das Confederações de 2013 e a medalha de ouro dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. Neymar foi um talento fora da curva, protagonista de jogadas belíssimas e, também, de excessos de ostentações na vida pessoal, exposições desnecessárias e polêmicas. Faltou cuidar da imagem pessoal, cair menos, ser mais humilde e preocupado com as atribuições de um ídolo. Faltou preservar o corpo, ser menos arrogante com os adversários e mais educado com os árbitros. Faltou-lhe um gestor de carreira melhor do que seu pai. Com todas essas e mais algumas falhas que não cabem aqui, Neymar conquistou merecido lugar na história do futebol e seria injusto não reconhecer seu valor como um ídolo internacional que teve mais habilidade para conduzir a bola do que a carreira.

Marluci Martins. Crédito: Divulgação