Cultura

‘A vida é um desequilíbrio’, avalia Maria Luiza Jobim após show intimista em Lisboa

Vivendo entre Rio e a capital portuguesa, a cantora e filha de Tom Jobim divide o palco com o noivo, o cantor português António Zambujo, e anuncia álbum produzido por Marcelo Camelo

Julho 28, 2025

Maria Luiza Jobim e António Zambujo cantam juntos em Lisboa (Foto: Fernanda Baldioti / EntreRios)
Maria Luiza Jobim e António Zambujo cantam juntos em Lisboa. Crédito: Fernanda Baldioti / EntreRios

Foi a primeira vez que Maria Luiza Jobim e António Zambujo tocaram juntos para um público. Entre um beijo tímido e troca de olhares cúmplices, o cantor português participou do show da brasileira no fim de julho, num jardim de uma casa ao ar livre em Santos, dentro do projeto Lisbon Living Room Sessions.

No repertório, músicas autorais de Maria Luiza, inclusive algumas ainda sem título, que estarão no novo álbum da cantora. Até o fim do ano, ela pretende lançar 8 faixas numa produção de Marcelo Camelo. Filha de Tom Jobim, ela embalou o público ainda com clássicos como “Eu sei que vou te amar” e canções conhecidas do noivo, como “Zumbi”, cantada em dueto.

Esse momento aqui em Lisboa é muito especial. Eu estou num processo de transição, de estar mais aqui, de estar mais perto… E a música é esse lugar de encontro. Com o público, com a minha história e com os afetos também. Esse show foi muito simbólico para mim”, disse Maria Luiza.

 

A apresentação foi parte da curadoria de Ricardo José Lopes, nome à frente do projeto Lisbon Living Room Sessions. Ele refletiu sobre o momento:

“Este é o momento em que precisamos levantar nossos valores, nossas conexões profundas. Estamos aqui para viver uma vida dignificada e alegre. E ninguém mais faz melhor do que os brasileiros com a música. Especialmente da linha de Bossa Nova, MPB. E ninguém é melhor do que Maria Luiza para conectar o passado, o presente e o futuro”.

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Após o show, Maria Luiza conversou com a EntreRios sobre carreira, maternidade, casamento e avaliou o legado de Preta Gil:

Como foi para você tocar em Portugal nesse ambiente intimista? E o que vem por aí esse ano?

É a segunda vez que eu toco nesse evento. Eu adoro. Este ano, vou lançar um disco com o Marcelo Camelo produzindo. Ainda não tenho data, mas é um disco autoral. São canções minhas, canções em parceria com ele e tem uma outra com a Mallu Magalhães também. E já tem nome: vai se chamar Rosa no Céu, numa referência a este raro momento do céu lusco fusco que fica lindo no céu de Lisboa.

Você está morando no Rio ou aqui? Já morou em Nova Iorque, certo?

Nova Iorque era coisa de família, do meu pai. Eu morei na França também, mas hoje eu moro aqui em Lisboa e no Rio.

E como é que você tem visto essa nova cena da música brasileira?

O Brasil é muito plural, né? Tem artistas muito incríveis que estão aparecendo de todos os cantos. Eu escuto Liniker, Filipe Catto, Alice Caymmi, Mãeana… Eu amo ela [Mãeana] porque ela é uma artista muito plural. Ela faz a roupa, faz o cenário. Ela é incrível. Uma fada. Enfim, acho que tem muita coisa acontecendo. O Bala Desejo, a Dora Morelenbaum…, filha da Paulinha [Paula Morelenbaum]. 

E o seu disco traz um pouco de todas essas influências. O que você espera passar com ele?

Ele ainda está em franca feitura. A gente está fazendo as músicas, algumas eu apresentei aqui. Foi um momento bem especial, porque foi a primeira vez que eu toquei elas para o público. Então foi bom ver a repercussão, como é que soa ao vivo com banda. Eu vou gravar também Javanese. Tem duas músicas em inglês. São oito músicas no total. 

O que você está achando de Lisboa? Como é que tem sido?

Eu me apaixonei. O brasileiro se sente muito em casa aqui. A língua, as pedras (portuguesas) do chão.

E você percebe muito a influência da maternidade no seu trabalho, na sua maturidade?

Sim, é desafiador, na verdade. É um desequilíbrio eterno. Eu acho que a vida é um desequilíbrio. A tentativa de equilibrar é um pouco em vão. A maneira como eu tento equilibrar é através da música. Porque eu acho que a harmonia faz isso, dá uma harmonia na vida. Mas é isso, é abraçar o caos.

Foi lindo o momento no palco com Zambujo…

Foi a primeira vez que a gente cantou no palco. Agora, a gente vai fazer um show no Rio, no Emiliano, e um em São Paulo, no Blue Note.

Maria Luiza Jobim se apresentou no Lisbon Living Room Sessions. Crédito: Fernanda Baldioti / EntreRios

Você era próxima da Preta Gil? Como sentiu a morte dela?

Não, eu não era próxima, mas nós somos amigos da família Gil. Durante um bom tempo eu frequentava muito a casa deles. É uma perda gigantesca. A Preta é uma potência feminina, é  uma voz… Ela deixa um legado de resistência e de força em tantos lugares. De vida, de amor, de pulsação, de amizade…

Quando eu soube, assim, eu fiquei tão mal. Eu senti uma urgência tão grande de falar para os meus o quanto que eu amo eles e quanto quero ter eles perto de mim.

E falando de ter as pessoas perto, sua mãe está sempre com você?

Sim, minha mãe é minha grande rede [de apoio].

E o casamento (com António Zambujo)? Soube que estão nos preparativos… Vão morar de vez em Lisboa?

A gente vai oficializar em setembro, eu acho. Sobre morar, ainda não decidimos, provavelmente vamos fazer temporadas aqui e lá no Rio de Janeiro. 

Colaborou Jordan Alves

Fernanda Baldioti
fernanda@revistaentrerios.pt