DENÚNCIA

Agentes da PSP são denunciados por tortura; imigrantes estariam entre os alvos

Órgão denunciou dois policiais que já estão em prisão preventiva mas suspeita que pelo menos outros dez agentes estejam envolvidos

Janeiro 16, 2026

Agentes são acusados de torturar e agredir pessoas em delegacias de Lisboa. Crédito: Miguel Pereira da Silva/Lusa

O Ministério Público de Portugal denunciou dois agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) por crimes de tortura e violação, acusando-os de “atuação violenta, desproporcionada e degradante” na delegacia do Rato e no Cais do Sodré, em Lisboa.

Os dois policiais, de 21 e 24 anos, estão em prisão preventiva desde julho e agora foram, de fato, denunciados. A própria PSP teria denunciado os atos. Os principais alvos das agressões seriam moradores de rua, usuários de drogas e imigrantes sem documentação.

A denúncia apresentada pelo MP também afirma que há suspeitas de que vídeos com as agressões filmados pelos próprios policiais foram compartilhados em grupos do Whatsapp com pelo menos 70 pessoas e que, segundo o MP, seriam agentes da PSP.

Apesar de apenas dois policiais estarem presos, a suspeita é que mais de dez agentes teriam participado dos atos. O órgão vai investigar quem pode estar envolvido para oferecer as denúncias necessárias.

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Ainda segundo o MP, os atos de tortura causaram “humilhação extrema” e que causaram “dor aguda, humilhação extrema, medo intenso, angústia e degradação pessoal, tanto mais que riram e escarneceram”.

Ainda segundo o texto, os atos “representam manifesta gravidade e gerador de elevada intranquilidade pública e de forte repulsa social“, e ressalta que ainda foram “praticados no exercício das suas funções de agentes da PSP que têm como missão assegurar a legalidade democrática, garantir a segurança interna e proteger os direitos e liberdades dos cidadãos“.

O Diário de Notícias informou que o Bloco de Esquerda já requereu uma audiência de urgência com a ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, sobre os atos praticados pelos policiais e sobre o que será feito pelo governo para punir os envolvidos.

A Inspeção Geral da Administração Interna já abriu inquéritos disciplinares internos para apurar as condutas dos investigados. O Ministério, oficialmente, já lamentou os atos de violência e disse estar acompanhando o caso.

renan@revistaentrerios.pt