Agora, garrafas usadas podem render dinheiro
O governo português lança sexta-feira (10) um programa de reciclagem que permite recuperar 10 cêntimos por cada garrafa entregue com o objetivo de aumentar a recolha de resíduos
- Lisboa
Abril 9, 2026
A partir desta sexta-feira os consumidores, ao colocarem embalagens de bebidas de plástico e metal, até três litros, em máquinas automáticas, recebem 10 cêntimos por garrafa. O sistema, chamado SDR, vai estender-se a todo o país e já é considerado um dos “maiores projetos ambientais de Portugal”, segundo a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.
As garrafas, desde que tenham o símbolo Volta, estejam inteiras, sem líquidos, com tampa e com o código de barras, são aceitas em qualquer uma das 2.500 máquinas espalhadas pelo país, em mais de 8.000 pontos de recolha manual e em 48 quiosques para entregas de grandes quantidades. Estarão, por exemplo, junto de supermercados.
A máquina esmaga a embalagem e retribui com o reembolso de 10 cêntimos. De acordo com experiências em outros países, a SDR Portugal, a entidade gestora do Volta, diz que o sistema vai permitir recolher muitas mais embalagens de bebidas de uso único, apontando para taxas de 90% até 2029.
No entanto, os responsáveis pelo sistema alertam que pode haver garrafas e latas que as máquinas não aceitem porque não têm ainda o símbolo, uma seta em forma de ferradura e a palavra Volta. Nesse caso, o consumidor deve colocá-las no ecoponto respetivo.
O Sistema de Depósito e Reembolso (SDR), conta com um investimento de 150 milhões de euros e que deve criar 1.500 postos de trabalho.
A ministra recordou que o setor dos resíduos é dos “mais difíceis” em termos de metas europeias e repetiu que os portugueses não estão a reduzir nem a separar o suficiente.
Até 10 de agosto, numa fase de transição, podem estar à venda produtos ainda sem o logotipo e por isso não são aceites pelas máquinas. Mas na compra o consumidor também não paga os 10 cêntimos de caução.
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O presidente do conselho de administração do SDR Portugal, Leonardo Mathias, disse que o alvo do projeto são os 2,1 mil milhões de unidades de garrafas de plástico e alumínio usadas em cada ano.
Com ele pode haver menos lixo nas ruas, a reciclagem pode ser melhor, a deposição em aterros pode diminuir, e a promoção da economia circular também diminui as emissões de gases com efeito de estufa.
Essas são as grandes contribuições dos consumidores, os 10,7 milhões de habitantes e os 29 milhões de turistas por ano, que na verdade não ganham dinheiro no processo, já que os 10 cêntimos são incorporados no preço da bebida, uma caução, devolvida em forma de “voucher”, que pode ser convertida em dinheiro ou em descontos nas lojas, entre outras modalidades.
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As máquinas aceitam uma embalagem de cada vez e no final apresentam as opções de reembolso.
A União Europeia quer que em 2040 as garrafas de plástico de uso único incorporem no mínimo 65% de material reciclado.
Este sistema já existe em vários países europeus, como a Alemanha, Áustria ou Dinamarca, e recolhe anualmente mais de 35 mil milhões de embalagens.
susana@revistaentrerios.pt