Amor, obsessão e perigo: Raphael Montes traz o perturbador “Dias Perfeitos” a Portugal: “Um livro que trata de machismo e de misoginia”
O escritor brasileiro revisita relações tóxicas e o impacto da ficção num thriller que continua “tragicamente atual”
- Lisboa
Março 17, 2026
Para o autor, este é um livro com um significado especial:
“Foi o romance que me permitiu viver de literatura e por isso eu tenho muito carinho por ele”, recorda Montes à EntreRios, que abandonou uma carreira em direito após o sucesso imediato da obra.

O livro continua a encontrar novos leitores, especialmente entre os mais jovens, sendo frequentemente adotado em escolas. Mais do que um thriller, Montes vê o romance como um espelho das relações contemporâneas:
“É um livro que trata de machismo, de misoginia, mas também dessa ideia de que as pessoas são descartáveis”, explica, associando essa visão à cultura dos aplicativos de relacionamento.
Na história, a obsessão de Téo nasce precisamente dessa incapacidade de aceitar o outro como ele é numa tentativa distorcida de moldar alguém à sua própria ideia de perfeição. “É uma história de amor obsessivo, louco”, resume o autor. A obra foi mais uma do autor a ganhar adaptação para o audiovisual: Dias Perfeitos virou série no Globoplay em 2025, protagonizada por Julia Dalavia e Jaffar Bambirra

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O impacto da narrativa, no entanto, vai além da ficção. Montes revela que, em encontros com leitores, ouve frequentemente relatos de jovens que reconhecem padrões abusivos nas suas próprias relações após a leitura. “Essa é a força da ficção. O drama coloca em perspectiva”, afirma.

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Embora a violência no livro seja levada ao extremo, o autor sublinha que tudo começa em gestos aparentemente pequenos como o controle, o ciúme, a manipulação. “É um livro atual. Tragicamente atual. E é triste porque ele é atual há 10 anos”, conclui.
Em Portugal Dias Perfeitos tem dois finais, o original e um outro alternativo, e chega as livrarias pela Cultura Editora e custa 18,50 euros.
jordan@revistaentrerios.pt