Ancelotti até a Copa de 2030: técnicos brasileiros desvalorizados
Se a valiosa seleção brasileira está nas mãos de um italiano, que outro esquadrão vai empregar um técnico nascido no país pentacampeão?
- Brasil
Junho 4, 2026
A falta de treinadores brasileiros nesta Copa do Mundo, ausência inédita na história da competição, é reflexo da desvalorização da classe dentro do seu próprio país, onde os estrangeiros ocupam cada vez mais o mercado – por sinal, de portas bem abertas aos portugueses. Se a valiosa seleção brasileira está nas mãos de um italiano, Carlo Ancelotti, que outro esquadrão vai empregar um técnico nascido no país pentacampeão?
A Albânia até deu chance a minada na repescagem. O quadro não deve mudar, já que a própria Confederação Brasileira de Futebol (CBF) decidiu manter as portas da seleção fechadas aos treinadores do Brasil por pelo menos mais quatro anos.
O contrato de Carlo Ancelotti foi renovado até a Copa de 2030, que terá jogos em Portugal, Espanha, Marrocos, Argentina, Paraguai e Uruguai. Em conversa com a coluna, o coordenador executivo geral de seleções masculinas da CBF, Rodrigo Caetano, explica que a opção está atrelada à preocupação com o desenvolvimento dos treinadores brasileiros. “O melhor caminho para a seleção é ele permanecer por mais quatro anos, independentemente do resultado nesta Copa. Processos assim podem ser colaborativos na formação e na capacitação dos treinadores brasileiros”, esclarece.
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Treinador do Japão na Copa da Alemanha, em 2006, Zico, em conversa com a coluna demonstra preocupação: “Estão chegando tantos estrangeiros no Brasil… É o momento certo para cursos e congressos. É preciso entender o que está acontecendo”, diz o ídolo do Flamengo e também dos japoneses, acostumado a tempos de mais prestígio, quando o técnico nascido no Brasil disputava vaga na seleção nacional e nas rivais, como aconteceu também com Parreira (Kuwait, Arábia Saudita, Emirados Árabes e África do Sul) e Felipão (Portugal).
Ex-técnico da seleção brasileira (1998 a 2000), Vanderlei Luxemburgo, que, na Europa, treinou o Real Madrid (2005), culpa os dirigentes e cita um exemplo ocorrido no futebol carioca, no Flamengo, envolvendo o diretor José Boto, português, que contratou seu compatriota Leonardo Jardim após demitir, em março, o técnico Filipe Luís. “Boto veio com conversa fiada.
Ora, ele trocou porque é português. Trouxe um cara português. A desvalorização ocorre em função de diretores executivos que se coligaram com os empresários brasileiros, que, por sua vez, se juntaram a empresários estrangeiros”, desabafa Luxemburgo, em depoimento à coluna.