Radar Cultural: novo disco de António Zambujo e laços com o Brasil
O cantor português comenta influências do fado, da música afro-brasileira e lusófona, e parcerias com Maria Luiza Jobim
- Lisboa
Novembro 8, 2025
Com um timbre inconfundível e um repertório que caminha entre o fado, a música popular portuguesa, os sons do Brasil e os ritmos de África, António Zambujo é uma das figuras mais respeitadas da música lusófona.
Natural do Alentejo, o cantor e compositor construiu uma carreira que une tradição e modernidade, raízes e reinvenção, sempre cantando em português.
Nesta entrevista, ele fala sobre a importância dos festivais que celebram a cultura em língua portuguesa, seu processo criativo e as influências que moldaram sua arte.
Entre memórias musicais, afetos partilhados com o Brasil e parcerias inesperadas, também revela seus próximos passos.
Como é estar em um festival que celebra a cultura lusófona em Portugal?
Festivais como o Coala, em Cascais, são muito importantes por colocarem em um patamar mais elevado a música cantada em português, seja em Portugal, no Brasil ou na África. Fico feliz porque esse triângulo é o que mais influencia a música que eu faço.
Meu show tem por base o último disco, “Cidade”. Depois, vou mostrando ao público minhas raízes e influências. Começo com a música tradicional do Alentejo, passo pela popular portuguesa, a brasileira e a africana.
Como é unir os músicos do rancho, que são património português, à tua música?
Todas essas influências fazem parte das minhas memórias musicais. São elas que me inspiram — para compor ou para apresentar as músicas ao vivo. Acho importante mostrarmos nossas raízes.
Os músicos brasileiros, por exemplo, têm muito disso: uma base musical forte, que depois desenvolvem. Eu gosto de fazer o mesmo. Sinto-me feliz por poder mostrar nossa cultura e a música que fazemos, e ainda mais quando voltamos, pois mostra que as pessoas querem escutar de novo. É uma sensação ótima.

Quem são os seus ídolos e referências musicais?
Há sempre aqueles pilares aos quais a gente recorre: Tom Jobim, Vinícius de Moraes, João Gilberto, Caetano Veloso, Chico Buarque. Depois, há nomes mais novos, como o Silva, que admiro bastante.
Gosto muito da música africana, principalmente de Cabo Verde, de Cesária Évora. Em Portugal sou fã da Amália Rodrigues e várias novas bandas. Fora da língua portuguesa, gosto muito do Chet Baker e do Tom Waits.
Você sabe que é um músico querido do público brasileiro e respeitado pelos intérpretes do Brasil?
Então é um amor recíproco, e isso é maravilhoso.
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Quais são os seus planos profissionais?
Até o fim do ano, vamos terminar um disco novo, que deve sair até o início de janeiro. Tenho um concerto com o Camané e o Ricardo Ribeiro, de fado tradicional, em novembro, em Portugal. É isso: muitas parcerias, muitos concertos. Cantar e tocar é sempre a minha prioridade.

Essa coluna foi publicada originalmente na revista EntreRios.
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